quinta-feira, março 22, 2007

Sobre engenheiros e doutores

O meu ex-marido era licenciado numa área de Ciências em que existe o curso de engenharia. Várias pessoas o tratavam por "sr. engenheiro", coisa que ele corrigia imediatamente, pois o título a que tinha direito como licenciado era o de "sr. dr.".
José Sócrates, sendo possuidor de uma licenciatura, tem o direito (creio eu) a ser chamado "sr. dr.". Não pode é ser chamado "sr. engenheiro" sem estar inscrito na ordem dos engenheiros. Não foi agora, por certo, que o descobriu. Nem foi por certo ingenuamente que se deixou tratar dessa forma ao longo dos anos. O título de engenheiro é um bom cartão de visita, neste nosso país, mas não deve ser usado por quem não o possui. Sobretudo quando se é primeiro-ministro.

6 comentários:

Hipatia disse...

Pões a questão em termos corporativos (bastar-lhe-ia pagar a quota para já estar tudo bem?) e com isso não concordo. Se me insurgi, por exemplo, contra o facto de Alberto João Jardim estar aqui há uns tempos anunciado como Prof. Doutor no site da UnI, esta história com o PM parece-me profundamente escusa e muito diferente. Por um lado porque, em termos práticos, ser doutor ou engenheiro pouco importa no que toca ao que fez ou deixou de fazer enquanto chefe de governo e nunca deveria ser a causa para ataques ou defesas; depois, porque quando metem as Ordens ao barulho, está normalmente o caldo entornado, como se viu há bem pouco tempo quando o presidente de uma congénere achou que a lei interna deveria sobrepor-se à lei geral do País; finalmente, porque o que tem transpirado com ar de notícia raia o boato e isso quer quase sempre dizer que se pretende uma caça às bruxas mascarada de caça aos gambozinos. Se tenho gostado deste Governo? Não! Se gosto do Sócrates? Muito menos! Mas anular o necessário debate político usando coisas destas, fazendo de não-notícias primeiras páginas de jornais e atirando as culpas para os blogues? Que coisa tão estranha!...

Zu disse...

Para mim, não é uma questão corporativa, Hipatia (que bom ver-te aqui!!!). Tem a ver com coerência relativamente ao que critico em toda a gente: usarem um título académico / profissional a que não têm direito. Se os títulos são uma parvoíce? Concordo perfeitamente. Mas existem, e não devem ser usurpados por quem não tem direito a eles. Estou-me nas tintas para que o 1º ministro seja doutorado, licenciado, bacharel, tenha o 12º ano ou outra coisa qualquer. Já não estou, pelo que isso mostra do seu carácter, com o facto de pretender mostrar o que não é, em lugar de assumir a formação que tem. Ainda por cima quando ainda há poucos dias saiu na imprensa uma biografia ele, em que também não aproveitou para desfazer o engano que sempre cultivou - ou tu não o conhecias, como eu, antes de ser ministro e agora primeiro-ministro, por "eng. José Sócrates"?

vague disse...

Eu nunca prestei muita atenção aquilo q considero um fait-divers, embora ache q por respeito aos eleitores o PM podia emitir um comunicado, breve e esclarecdor sobre o assunto e estava tudo bem. ninguém tinha nada por onde pegar.

Quanto aos drºs e engªs, há dizem-me no banco, muita boa gente, q não sendo licenciada, pede para colocarem no chque o dr. antes do nome...
isto pq cá isso ainda dá um certo estatuto e não vamos negar isso, concordemos ou não.

Sinal de q mta gente, numa sociedade de faz de conta, de aparências q não são sempre a cara do interior, precisa de capas,
pois
'quem tem capa sempre escapa'

O:)

Sara disse...

Há pouco tempo, pedia eu um cartão no meu banco, um cartão novinho em folha e não preenchi essa coisa do título. Foi o funcionário, amigo de há muito tempo, que o preencheu, dizendo: põe, eu sei que faz diferença... alegorias...

Anónimo disse...

Se para um licenciado se usa o termo "sr.dr.", para um médico ou para alguém com Doutoramento, como se trata? E quem tem Mestrado, tratamo-lo por Mestre? Não em parece.
Um(a) senhor(a)com formação superior espera-se de facto e na verdade, uma educação superior; em que a correcção seria algo como: "não sou engenheiro, trate-me pelo nome". Mas, isto não vem com as habilitações, pois não? Vem do berço.

Estamos num país tão pobre e tão triste.

Isabel Magalhães disse...

Subscrevo o que aqui fou escrito mas gostaria de acrescentar algo sobre o que me parece - francamente - gravoso; o facto da pouca transparência como essa licenciatura foi adquirida, os vários documentos díspares, o desencontro de datas, os favorecimentos - bastar a palavra do aluno para lhe ser feito o plano de equivalências, exames feitos por outrém que não o regente da cadeira... enfim!

Como dizia alguém: já são muitos 'azares' juntos. :)))

Deixo um beijinho.
I.