sexta-feira, abril 29, 2016

Dias

Há dias em que perco o pio e a vontade é não falar, depois de ter passado muitas horas seguidas a usar a voz.
Dias em que só quero que ninguém mexa, fale, pergunte, toque, e eu possa ter silêncio em meu redor e nada, nada que incomode.
Dias em que tenho saudades de mim.

sexta-feira, janeiro 22, 2016

Cansaço, farta... Os títulos dos posts passados dizem tudo. O de hoje poderia ser exausta.
Porque tenho muitas coisas para fazer, no que toca ao trabalho.
Porque tenho um filhote pequenino, rabino e em fase de fazer birras, atirar-se para o chão, resistir a que se lhe pegue, dormir mal.
Porque me sinto (e já vi este filme tantas vezes...) a chegar ao fim da corda, ao fim da carga da bateria. Assusta-me o tempo que recarregá-la vai demorar, e o preço que isso acarreta.
Precisava de férias. De um fim-de-semana dedicado somente a mim e ao meu bem-estar, a sós com o meu marido, sem nada que me preocupe e ocupe.
Boa piada...

domingo, janeiro 17, 2016

Farta

De ter uma doença que não passa e todos os dias se faz sentir. Uns mais, outros menos, não deixa porém de estar presente e de me limitar.
Custa-me pelo cansaço e pelas dores que pequenas coisas me provocam. Custa-me, mais do que tudo, por causa do meu filho. Pegar nele ao colo, dar banho, vesti-lo, dar-lhe a comida, trazê-lo da creche são coisas que podem ser dolorosas ou deixar-me sem forças para mais nada. No limite, trazem-me lágrimas aos olhos e obrigam-me a descansar a seguir. E isso deixa-me num desânimo enorme.
Também me desanima a valer ir, como hoje, ver uma exposição e ficar à nora passada meia hora, se tanto. Em lugar de ver o que tanto me está a agradar, começo a procurar um banco onde possa sentar-me. Penso que férias que fizemos e tanto apreciámos se vão tornar impossíveis: com programas culturais todos os dias e muitas caminhadas a pé. Nas melhores férias do género que fizemos, eu já não estava bem, mas com algum cuidado e descanso aguentava muito bem. Agora não conseguia manter esse ritmo.
Quanto tempo conseguirei mais manter-me no activo?
Quanto tempo conseguirei ainda pegar no meu filho ao colo como tanto gosto?

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Cansaço

Há alturas em que este espaço me faz falta. Alturas em que não estou grande coisa, claro - quando tudo está bem, não sinto necessidade de escrever, ou de o fazer sob o anonimato que este blog (ainda) me permite (agora que ninguém o lê, mais fácil se torna regressar a esse estado de ninguém saber quem sou).

Hoje é uma dessas alturas. Um dia em que o cansaço se faz sentir de uma forma intensa e percebo que estou a cair no total desinteresse face a uma série de coisas. Face, essencialmente, ao meu emprego. Nada me entusiasma nele, excepto a outra vertente em que tenho trabalhado como louca. Mas aquela que permite esta, aquela que efectivamente me garante o ordenado no final do mês, e que me obriga a deslocações e a estar de pé e a falar alto e a tratar de burocracias, essa não me está a apelar nada e o esforço que me exige é tal que, na balança, não compensa.

Custa-me que assim seja, porque eu gosto dessa parte. A minha saúde é que não. A doença crónica auto-imune que resolveu aparecer na minha vida mina-me a resistência. (nota a quem eventualmente ler isto: é uma doença reumática, algo com que tenho de viver, mas não me mata).

Estou em dia de apetecer dormir, dormir; ou melhor, de apetecer dormir e ao acordar ver que fizeram tudo por mim. Precisava de estar num spa em tratamento integral, com massagens, comida ao estalar de um dedo, sem nada na cabeça que a encha ou incomode. Como se isso fosse possível.

Enfim: estou a precisar de descansar. E no entanto era suposto ter descansado nas últimas semanas, e até o fiz se comparado com os meses precedentes. Mas não descansei como devia, nem na quantidade que devia. E não posso fazer de conta que à minha volta nada existe (até porque o que existe é essencialmente gente, a família).

E pronto, já desabafei. Já usei de novo este espaço como um saco de boxe - pequenino, que os murros são fracos, as forças poucas. Desconfio que voltarei a ele noutras ocasiões. 

terça-feira, setembro 02, 2014

Ser mãe

Um eterno desafio à paciência.

sábado, julho 19, 2014

Da felicidade das pequenas coisas

Uma criança que ri e bate palminhas. O conforto de um abraço. Um olhar cúmplice. As mãos dadas. Cantarolar porque apetece. Sorrir porque uma nova flor abriu no vaso. Sorrir porque um patinho está de cabeça para baixo e rabinho para o ar. A posição patusca do cão a dormir. Beijos, beijos e mais beijos. O cheiro do sabonete artesanal acabado de desembrulhar. Olhar a sua nuca inclinada enquanto escreve no computador. Ouvir ao telefone uma voz querida. Pensar nas coisas boas que o futuro vai trazer. Deixar o coração encher-se porque os meus amores existem. Ouvir o som da água a correr no jardim. Cheirar o cheiro bom, quentinho, do cão. Levar uma lambidela no nariz em troca de festinhas. Sonhar.

segunda-feira, maio 05, 2014

Como gosto, meu amor...

"Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:
com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa.
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fundo do mundo que me deste."
Nuno Júdice