sexta-feira, janeiro 09, 2009

Esmeralda

Leio que a menina foi definitivamente entregue ao pai. Penso que isso deve ser o fim de um pesadelo para todas as partes envolvidas. Espero que haja mais bom senso agora do que houve antes. E não deixo de pensar no que andará na cabeça daquela garotinha que não tem culpa de nada e apanhou por tabela por causa de adultos sem juízo que, a meu ver, não tiveram como objectivo máximo o interesse supremo dela.
Muitas vezes pensei que o ideal seria que os pais biológicos e o casal que a criou engolissem as mágoas e o que achavam ser direito seus e procurassem dar à menina quatro colos que não tivessem de se excluir uns aos outros para poderem ser usufruídos por ela. Será que isso ainda será possível? Com o tempo, talvez. O tempo cura tanta coisa...

5 comentários:

Eliseu disse...

Gosto bastante de te ler.
Posso comentar ?
- Concordo com a tua opinião ! Oxalá a menina fique com o pai, não é ?, pois ele não deve ter a folha assim tão má.

Abraço.

Zu disse...

Obrigada, Eliseu! Podes comentar sempre, é claro.
Eu não sei se é melhor para a menina ficar com o pai. Sei que um processo de adopção não pode ser levado a cabo fugindo da justiça com uma criança durante anos, ou então vou ali raptar um bebé, trato-o com todo o amor durante anos e depois reclamo o meu direito a ficar com ela porque fui eu quem a criei. Eles não a raptaram, mas nove meses depois de a acolherem sabiam que havia um pai que a assumia e queria.
Com bom senso, pensando, antes de mais, na menina, as coisas podiam ser bem diferentes. Ela poderia, mesmo, passar a ter como que 2 mães e 2 pais (ou 3 mães, incluindo a mulher do pai). Talvez ainda seja possível? Gostaria de acreditar que sim.
E não vou dizer que não penso na dor, no vazio que o casal que a criou deve estar a sentir neste momento, e não sou insensível a isso, de modo algum.
Enfim... o caso é complicado a valer, e quem sai pior desta história é, afinal, o nosso sistema de justiça.

Noite disse...

Pobre menina! Este caso era muito complexo, não sei se haveria uma solução razoável para ele. Se por um lado não se podia dar a ideia que se aceitam "processos de adopção" como este "decorreu", por outro, os "pais adoptivos" desta menina são os únicos que ela reconhece enquanto tais e com os quais criou laços afectivos fortes e por outro lado ainda não se poderia negar ao pai biológico a sua vontade de assumir a paternidade. Um verdadeiro chapéu de três bicos. E a menina, em que fica??

Zu disse...

É no que penso, Noite... Na menina, no chamar de noite e esperar ver chegar os rostos que lhe dão conforto desde sempre e que agora não estão lá - enfim, em todas aquelas coisas simples mas tão importantes, que criam a estrutura de afectos e de segurança de uma criança.
Saibam o pai e a mulher dele darem-lhe todo o carinho e apoio de que a garota precisa. E que todas a ajudem a ultrapassar as dificuldades inevitáveis, dadas as asneiras constantes dos adultos. E o casal que a criou não as fez poucas...

Eliseu disse...

É por isto que eu gosto de aqui vir, porque lêem-se várias perspectivas bem fundamentadas.

(além disso as meninas caiem mais para o pai, não é?)

Abraço.