quarta-feira, setembro 11, 2013

Sobre a felicidade

Claro que falar de 6 anos de felicidade não significa 6 anos de sorriso na cara, flutuando sobre nuvens cor-de-rosa. Felicidade é a rede que sustenta, que cria a base segura para o dia-a-dia. E assim se chora, se tem dores, se passam maus ou mesmo péssimos momentos, mas no balanço final é essa base o que mais conta. Como quando chegas a casa e nos abraçamos e instantaneamente as baterias ficam recarregadas, ou se o caso for mais sério vão recarregando devagarinho, apoiando-nos um no outro. E isso, o saber que se conta incondicionalmente, o saber que estamos com a pessoa com quem efectivamente queremos estar, de mãos dadas para tudo (mesmo quando fisicamente não estamos juntos), é o que permite que a balança penda, sem margem para qualquer dúvida, para o lado da felicidade.

domingo, agosto 25, 2013

6 anos

Duas palavras para os descrever: harmonia e felicidade.

sexta-feira, agosto 23, 2013

Saudades

Tenho saudades de ter um blog e nele escrever o que me passa pela cabeça. Sem me preocupar que alguém saiba quem sou, ligue a escrita à pessoa, como sucedia nos meus primeiros tempos de blogger, já lá vão 9 anos. Podia começar um completamente anónimo, mas não sei porquê não sou capaz, o que é estranho, porque aqui também já não consigo ter a transparência que ser completamente desconhecida me permitia. Se calhar, parte dessa incapacidade tem sobretudo a ver com a perda da inocência inicial com que se encara esta "folha" em branco. Seja como for, tenho saudades dessa escrita, de quando em vez.

Hoje escreveria sobre polegares que doem (alguma vez pensei ter dores nos polegares?), o vento que se ouve pela porta aberta da varanda e enche, finalmente, a casa de frescura, o quanto gosto desta nova casa de onde avisto e ouço pássaros e patos e crianças a brincar. Sobre como não gosto de estar sozinha (apesar de gostar de estar sozinha) e me sabe bem o momento em que ele regressa a casa, depois do trabalho. E como o cheiro quente do nosso cão é agradável e, quando o sentimos, sabemos logo que, pé ante pé, veio para junto de nós, que é onde ele gosta de estar.


quarta-feira, julho 24, 2013

Dias

Primeiro, assinalávamos os dias 5. Depois, os 15 juntaram-se, um ano mais tarde os 25. Agora poderíamos acrescentar-lhes os 20. Mas, afinal, todos os dias são de assinalar e comemorar. Porque todos eles são dias em que estamos juntos - mesmo que não ao pé um do outro, mas sempre de mãos dadas, meu amor.

sexta-feira, maio 31, 2013

Dia bom

Um projecto aprovado.
Uma escritura assinada.
O céu azul.

terça-feira, maio 28, 2013

Post scriptum

Para grelhar do outro lado, obviamente, use-se o mesmo sistema. Mas com um pouco mais de cuidado, de preferência.
Note-se que as douradas ficaram óptimas. Mesmo no ponto.

segunda-feira, maio 27, 2013

Dica da semana

Como saber, ao grelhar douradas, que estão no ponto certo para serem viradas?
Ponha-as a grelhar e aproveite para ir ao computador tirar a ficha da tomada, porque a bateria já está carregada. Distraia-se e comece a pôr a leitura de blogs em dia. Quando começar a sentir um cheiro intenso, corra logo para a cozinha e vire o peixe.

quarta-feira, abril 03, 2013

Pensamentos a desoras

No final de uma reunião, pergunto-me: ainda terei alguma coisa a ver com isto? E à ideia vem-me a música "mudar de vida, trálálá..." como algo que cada vez mais, por motivos variados, me atrai.
Podia-me dar para tais ideias em momentos menos críticos, no pleno sentido da palavra..."

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

18

18 anos de ti. Parabéns, filha querida! 
Lembra-te: só o céu é o limite, as oportunidades criam-se, os sonhos são para concretizar e indicar-nos o caminho, e aquilo em que acreditamos é para ser seguido com coragem e determinação. Rumo ao azul, naturalmente.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Sementes




Quem semeia ventos, colhe tempestades, diz o ditado popular, e muito bem. O inverso, felizmente, é também verdadeiro, e as boas sementes, as semeadas com muito carinho, amor, atenção, dão colheitas lindas. O meu coração hoje está quentinho e rejubila pela doçura dos frutos colhidos.
(Há sempre algo bom num dia mau, não haja dúvida).

domingo, janeiro 06, 2013

2013

E um novo ano já começou. Que se anuncia carregado de nuvens negras, mas pode ser um ano muito bom, assim o façamos nós ser - não na economia do país ou cá de casa, que não depende propriamente de cada um de nós, mas em tudo o resto que faz a vida e pelo qual em grande medida os responsáveis somos nós próprios. Para o novo ano peço saúde, muita, mais; essa é essencial. Peço força, coragem, capacidade para enfrentar os desafios que nele se vão colocar (e não vão ser poucos). E alegria, muita, assim como muitos abraços, muitos mimos, e as mãos sempre dadas com os meus amores e quantos me são queridos. 
Um feliz 2013 para todos os que ainda por aqui passam. Um ano azul, da cor do céu, brilhante e luminoso.

terça-feira, dezembro 25, 2012

Feliz Natal!

E Natal é, antes demais, isto: o Menino nascido em Belém, cuja vinda ao mundo a cristandade comemora.


Stefan Lochner, séc. XV

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Amor

Há um filme que quero muito ver, mas tenho medo de ir ver. Porque tenho medo da velhice, não pelas rugas nem pelos cabelos brancos, mas pela perda de capacidades a que já assisti e que queria recusar para mim e para os meus, os que são agora meus, que aos outros, que já foram (e o são e serão sempre, no mais profundo de mim), não pude impedir que as perdessem, ao ponto de se tornarem quase irreconhecíveis. Recuso tudo isto para mim e para os meus. Sei que não o posso impedir, nem neles, nem em mim. Quero ver, mas tenho medo.
Quando vemos documentários sobre a vida selvagem, comentamos e percebemos que a natureza é cruel. Esquecemo-nos, porém, que fazemos parte da natureza também, e que não é por sermos racionais que ela deixa de ser cruel na mesma. Se calhar ainda o é mais, ou a crueldade ainda mais transparece, porque podemos indagar sobre ela, questioná-la - mas não fugir-lhe.


quarta-feira, dezembro 12, 2012

13 anos

Sem ti. Saudades? Todos os dias - do teu sorriso, do teu colo, até da tua tosse seca que me permitia saber que eras tu a subir as escadas. Estás sempre comigo, minha querida, e não é só no coração e nas recordações. Estás bem viva nos olhos e no sorriso de alguém que partilha contigo o nome.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Kafka

Ao vivo e a cores. Numa junta médica perto de si. As instalações pertenceram a um hospital psiquiátrico. Combina. Também se lhe pode chamar Portugal no seu melhor. Se houvesse uma embaixada de um país civilizado ali ao pé, acho que tinha ido pedir asílio por razões de preservação de saúde mental.

domingo, novembro 25, 2012

90

90 anos seria hoje a tua idade. Hoje seria dia de festa, com prendas e salvas de palmas, com risos, beijos e abraços. Os teus netos contigo, tu feliz. Se estivesses vivo, se estivesses bom. Não me esqueço do dia, nunca. Muito menos de ti, do calor das tuas mãos a aquecer as minhas, das histórias lidas antes de dormir, do beijo que nos davas antes de ires para a cama. Procuro esquecer os anos maus, a incapacidade, tudo o que doeu num final de vida demasiado prolongado e doloroso. Recordo os tempos bons, o teu sorriso. Tu com a tua neta ao colo, tão feliz. É assim que te quero lembrar sempre, Pai querido, tão querido, e tão guardado no meu coração. 

sexta-feira, novembro 16, 2012

Masoquismo

Em dias de neura, como hoje, não é boa ideia ver / ler certas coisas. Parecem inócuas, mas não são. E eu, que já o sei (ou devia saber), devia ter juízo e não ser masoquista. Porque cicatrizes escondidas, já saradas mas visíveis, podem fazer-se sentir com uma força surpreendente. Alguma vez deixarão de doer?

Cansada do meu país

Cansada da crise, do mau governo, da falta de luz ao fundo de um túnel cujas dimensões ainda ignoramos. Cansada de muita coisa, a começar pela comunicação social.
O barulho que se fez em torno da visita de Angela Merkel. As cartas indignadas pela sua vinda a Portugal. Os comentários, os comentadores, as reportagens, as análises políticas ou que o pretendem ser. Os directos. E informação a sério, onde está ela? O que trouxe afinal a vinda a Portugal da chanceler alemã? Não dei conta que a imprensa, a tv dessem disso conta. Leio, em alguns blogs, que foi ocasião de negócios que, sendo importantes para a Alemanha, não o são menos para Portugal. Fala-se de investimentos alemães assegurados. Mas alguma coisa disto é efectivamente noticiado? 
A informação é sempre pela rama, sempre em busca do chocante, do imediato, do sensacionalista. É também disto, é em grande medida disto, que estou cansada.

segunda-feira, novembro 05, 2012

7 anos

Faz hoje 7 anos começou algo pelo qual não esperava. Algo contra o qual me armei. Tu desarmaste-me. Lembro-me de me teres ido levar a casa e eu olhar para o teu perfil enquanto conduzias e perguntar a mim mesma se haveria alguma hipótese de seres o "tal". Eras. És. 
Obrigada por 7 anos de brilho nos olhos. Venham mais 7, 14, 21, a vida inteira. De mãos dadas.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Se eu pudesse...

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 

Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva... 

O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja...

Alberto Caeiro

Como eu gosto deste poema... Em tempos difíceis, serviu-me várias vezes de consolo. Deu-me paz. Mostrou-me como tudo, vida e morte, alegria e tristeza, fazem parte do mesmo todo. "E a chuva, quando falta muito, pede-se...". É isso. E a paz instala-se, depois de reler o poema.