terça-feira, julho 12, 2011

Telefones

Nas agendas do telefone e do telemóvel continuam números de pessoas a quem já não posso voltar a falar. De vivos com quem tenha deixado de me dar, por uma razão ou outra, não me custa nada apagar os números. Dos mortos... não consigo. Se o fizer parece que me morrem mais um pouco, que a memória deles se poderia ir perdendo à medida que cada dígito fosse apagado. E eu não lhes quero perder a memória. Nunca.

sexta-feira, junho 03, 2011

Finalmente

Hoje é a última sexta-feira terrível para mim. Hoje, quando chegar a casa exausta e bem tarde, vou poder dizer "para a semana já não há mais". Até que enfim!

Hoje também termina a campanha eleitoral - finalmente! Estamos em campanha desde que o governo caiu. Não houve outdoors quase nenhuns e duvido que alguém lhes tenha sentido a falta. Eu não senti. E do resto - comícios, arruadas, debates, comentários sobre comentários - fiz por pouco ver, apenas o que realmente me interessava. No domingo vou votar, em plena consciência, para, antes de mais, retirar do governo quem lá tem estado e levou o país a este estado. Vou votar PSD. Não porque o partido me convença, não porque Passos Coelho me pareça o melhor primeiro-ministro para Portugal, mas porque é a única saída viável para que o PS saia do poder e algo possa mudar neste país. É um voto de censura ao PS e um voto de confiança no PSD. E espero, muito, que mais façam como eu, apesar de o PSD ser um saco de gatos. Por Portugal.

segunda-feira, abril 18, 2011

Precisa-se

... de secretária(o). Para arrumar infinitos papéis, organizar tma imensa biblioteca (inclui limpar os livros todos cuidadosamente), responder a e-mails, tratar de tarefas burocráticas, fazer pesquisas bibliográficas e, de um modo geral, tudo aquilo que não me apetecer fazer. Também pode cozinhar no tempo que sobrar, e arrumar a roupa nos armários. 
Oferece-se: o meu eterno agradecimento, autorização para ler os muitos livros cá de casa, passear o cão, partilhar as refeições, eventualmente dormida à borla. Mais não posso, que o nosso governo já me veio mexer no meu bolso e, segundo consta, o FMI ainda vai sacar-me mais.

segunda-feira, abril 11, 2011

De facto...

... se eu for à rua e vir um porco a voar, ou um cão a andar de bicicleta, já não me vou espantar. Como, se o Fernando Nobre é o cabeça de lista dos deputados do PSD por Lisboa, com a promessa de ser o presidente da Assembleia da República?
Ai, Portugal, Portugal...

Afinal ainda há gente lúcida e corajosa no PS (réstea de esperança?)

domingo, abril 10, 2011

O que eu penso, dito melhor do que eu diria

Haverá mesmo 33% de malucos em Portugal?

Dir-me-á, caro leitor – e estou certo de que esta é a pergunta que assombra metade dos portugueses –, que ninguém tem a certeza de que Pedro Passos Coelho venha a ser melhor primeiro-ministro do que Sócrates. É verdade. Ninguém pode ter a certeza. Sem dúvida que eu preferia que o PSD tivesse outro líder. Sem dúvida que Passos e a sua ‘entourage’ estão longe de entusiasmar quem quer que seja. Sem dúvida que os erros cometidos nas últimas semanas não auguram nada de bom. Mas pense comigo, caro leitor. Imagine que vai construir uma casa nova e só tem dois empreiteiros disponíveis: um deles é construtor há muitos anos, e deixou desabar todas as casas onde pôs as mãos; o outro tem pinta de poder ser tão mau quanto ele, mas nunca construiu casa alguma. A qual deles entregaria você a obra?

Depois de mais uns pedaços do dito congresso

Comeram ou beberam algumas coisas antes de falar, de certeza. Nenhum parece estar normal. Dizem umas coisas estranhíssimas. O Vitorino conta anedotas sem piada. O Costa ainda parece mais um sapo do que de costume. O Jaime Gama fala das pessoas substituíveis e do PS insubstituível. E eu não entendo nada de nada, a não ser que eles não estão no seu estado normal de pessoas minimamente inteligentes.

(E eu também não estou muito bem, acordada em lugar de dormir, à espera que sejam horas de ir buscar a filha à festa no bar-discoteca a que foi, em estreia absoluta... Começou a era das saídas à noite, socorro!!!)

Promessa depois de ver pedaços daquela coisa que parece ser o congresso do PS

Se o PS voltar a ganhar eleições, vou procurar trabalho no estrangeiro. Agarramos nas trouxinhas, na filha e no cão e saímos de um país de loucos.
Quando a Ana Gomes é a única pessoa que faz críticas no congresso, quando ela parece ser a única voz sensata numa espécie de liturgia de beatificação do bem-aventurado e tão esforçado Sócrates, não há mais nada a fazer. Se eu fizesse parte do grupo de quem decide a ajuda a Portugal e visse isto, não dava um tostão ao país, a não ser para internar esta gente toda num manicómio (e deitar a chave fora). Tenho vergonha do meu país.

sábado, abril 09, 2011

Quando penso que não pode haver nada mais estranho...

... há sempre alguma coisa neste jardim à beira-mar plantado que me volta a deixar de boca aberta de espanto. Vi há pouco na tv o António Vitorino (ou o boneco do Contra-Informação por ele), rouco, a dar o seu apoio ao Zé e a louvar a sua clarividência!
Antes de entrarem no congresso os delegados foram obrigados a comer alguns cogumelos de propriedades esquisitas ou a fumar coisas estranhas?
Clarividência? Clarividência?????? Vão mas é todos pró %W#&/&!

sexta-feira, abril 08, 2011

Sozinha ao serão

Acho que se podia fazer um filme sobre eu, sozinha em casa. Detestando estar sozinha, detestando estar aqui, longe dos meus amores, daquele que é agora o meu lar. Detestando as razões que me obrigam a isso. Dá-me sempre para a asneira. Ou como chocolates que nem uma perdida, ou não como nada. Ou leio sem parar para não pensar e adormeço tardíssimo, mesmo tendo de me levantar cedo no dia seguinte. Ou trabalho que nem louca (ou faço de conta). Ou, simplesmente, me dá para a neura e vejo porcarias na tv, ou fico a ver todos os blogs, todos os sites - enfim, tudo menos ter vontade de lançar mãos às arrumações necessárias e a pôr em ordem este sítio onde já não me sinto em casa, sobretudo quando aqui estou só.
É estranho como a nossa relação com uma casa que é nossa há quase 20 anos pode mudar tanto. Do meu lar, doce lar, passou a ser uma espécie de armazém, de coisas e de memórias. Passou a ser ela o habitáculo de fantasmas vários, que não me apetece enfrentar a cada vez que cá venho. Aqui as saudades dos meus pais são bem mais vivas. Aqui o meu passado lembra mais. Aqui eu passei os mais difíceis tempos da minha vida - também os mais doces, mas essa parte não consegue sobrepor-se às outras.
E assim escrevo, como há muito não escrevo neste sítio. E apetecia-me escrever mais, muito mais - não que precise de novo de um saco de boxe para esmurrar, mas há coisas que esmurraria de bom grado. Só que não o consigo fazer. Em lugar disso, enrosco-me nos braços do meu amor, no meu porto de abrigo; desabafo com ele. Mas andam cá dentro coisas a querer disparar cá para fora; mais ainda quando não o tenho ao meu lado - e o telefone ou a internet são pobres substitutos da carícia, do calor humano, do sorriso, da mão que se aperta, do beijo. É tramado (quase tanto quanto maravilhoso) amar alguém. Precisa-se não só do outro, mas também do nós que formamos.
Tanta coisa já aqui escrita... e nada, ou quase nada do que me apetecia dizer. Fico-me pela vontade. Não é hora para falar no resto. Nem sequer na frustração de viver num país que amo e que odeio ao mesmo tempo, em ambos os casos por ser como é, mas não pelas mesmas razões, obviamente.

sábado, março 26, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

Alívio

Sócrates demitiu-se. A Assembleia da República não disse "amen" ao PEC decidido com Bruxelas à revelia do Parlamento e do Presidente. Sinto um enorme alívio, porque a sensação de que o carrossel estava desgovernado e a rodar como louco era demasiada. Mas tenho verdadeiro medo do que aí possa vir. Do que não nos foi dito sobre a verdadeira situação do país. Das alternativas ao PS (ou dentro do próprio PS). Do que vai ser preciso fazer para tirar Portugal do imenso buraco. Mas talvez tudo isto seja mais fácil de aguentar com outras pessoas ao leme, sobre as quais não se sinta tanta desconfiança. Porque esse é um dos grandes problemas que eu acho que se estavam a colocar (eu sentia-o de forma bem forte): a falta de confiança no primeiro-ministro e no seu governo. Não se pode viver assim, menos ainda em tempo de tão grave crise.

terça-feira, março 22, 2011

Helpdaughter

Quem é que resolve as parvoíces informáticas da mãe, quem é? Em dois minutos...
Mas ainda há algumas coisas em que sou  eu a ensiná-la. E esta dinâmica é muito divertida (além de dar imenso jeito).



domingo, março 13, 2011

Sobre a geração "à rasca"

Detesto a forma como alguns comentadores / bloggers / gente, em geral instaladas nos seus empregos e confortáveis nos seus salários, olham de alto para as reivindicações da "geração parva" que hoje se manifestou. E ao lado de quem tive vontade, várias vezes, de estar - não por pertencer a ela, mas por conhecer demasiada gente que nela se insere.
Eles têm razões mais do que muitas em se queixar. Têm, antes de mais, uma razão de que nem sequer estarão conscientes: o péssimo ensino que o Estado lhes deu, com programas que parecem feitos, em muitos casos, para levar os alunos a odiar essas matérias (assim se passa, a meu ver, com os programas de Português e História, por exemplo). 
Têm razão em se queixar de não terem aprendido com professores competentes e exigentes, que não os deixassem passar sem estarem dotados dos conhecimentos básicos e, como agora se diz, das competências necessárias para saberem ler, escrever e interpretar um texto com clareza, na sua própria língua.
Têm razão em se queixar de terem deparado com um sistema de ensino que os canaliza para o ensino superior, para o qual muitos não estão preparados nem têm qualquer vocação. Deu-se cabo do ensino técnico, está-se a procurar recuperar o ensino profissional, mas entretanto foram várias as gerações que não tiveram acesso a esse ensino médio. Que não impede ninguém (como o anterior ensino das escolas industriais e comerciais também não fazia) de, mais tarde, enveredarem pela continuação de estudos.
Têm razão em se queixar de terem entrado em cursos que se mantêm abertos, com um elevado número de vagas, sem haver mercado de trabalho que os possa absorver. Na minha área, por exemplo, a História, há faculdades públicas que mantêm um "numerus clausus" de 60 alunos por ano. 60 alunos para quê? Para irem engrossar os licenciados sem emprego, obviamente. Ainda por cima, porque muitos desse alunos são maus ou medíocres.
Têm razão em se queixar por não ter sido exigido deles excelência, por não lhes terem ensinado a dar o melhor e a exigir o melhor.
E os melhores, que os há também, e que são verdadeiramente muito bons, têm razão em se queixar da falta de empregos à altura das habilitações de que são detentores. Conheço uma série deles assim. Inteligentes, óptimos alunos, cheios de vontade de estudar, de aprender, de dar o seu melhor no trabalho que puderem ter - e afastados desse trabalho, por uma série de razões. Não podem ser professores universitários, por exemplo, porque há muito que as vagas estão bloqueadas. Nas Faculdades de Letras (volto a elas, conheço-as melhor), por exemplo, os professores mais novos rondam os 40 anos. Os alunos que delas saem, se gostam da investigação, têm de recorrer aos mestrados, doutoramentos, pós-docs, tudo isso dependente de bolsas que podem ou não ser concedidas, de projectos que podem ou não ser aprovados, não tendo tido sequer direitos a assistência na saúde durante uma data de anos (acho que agora já têm), recebendo 12 meses por ano e não os 14 habituais, e sabendo que o final de cada uma das etapas trilhadas é uma vitória, mas também uma aflição face ao que vem a seguir. E assim aceitam vários empregos (precários, claro está), adiam decisões de constituir família, deparam-se com grandes dificuldades para conseguirem arranjar casa.
E, quando não querem a investigação, mas apenas o trabalho nas instituições onde se prestam os serviços que eles aprenderam a fazer, não têm acesso a eles. Por exemplo, temos bibliotecas e arquivos com dezenas de vagas de quadro por preencher. E temos dezenas de jovens licenciados ou pós-graduados nessas áreas que o mais que conseguem são estágios não remunerados ou pouco remunerados, porque não se podem abrir concursos para preencher essas ditas vagas por serem lugares da função pública e estão proibidos os ingressos nela desde há anos - a não ser, claro está, para áreas em que interesse meter mais uns "boys". Ora a maioria dos arquivos e bibliotecas existentes em Portugal dependem do Estado, por isso não se peça a esta gente para se tornar empresário por conta própria, ou algo do género.
No que toca à habitação, que já referi, e à dificuldade em comprarem casa, dizem muitos dos que sobranceiramente olham para estes jovens que não as comprem. Pois, não as comprem - mas até agora, até à crise que leva à dificuldade de acesso ao crédito à habitação, essa era a solução mais viável e vantajosa. Porque as rendas de casa são caríssimas, para contrabalançar aquelas, vindas de longa data, que deviam ter sido revistas como deve ser há muito. E por isso estes jovens têm razão para se queixar quando vêem casas na cidade a rendas antigas baratíssimas, casas na cidade a cair aos pedaços, dando mais uma machadada no património arquitectónico e na nossa "facies" urbana, e se vêem obrigados a ir para os subúrbios, para casas piores do que estas poderiam ser e que custam muito, mas mesmo muito mais.
Têm razão para se queixar da forma como muitas casas de construção municipal são distribuídas, havendo logo uma lista de amigos e "boys" para as ocupar.
E por aqui me fico, ou continuo a escrever durante horas. Termino apenas com uma última razão de queixa: têm os jovens, ainda, mais razão para se queixar quando o nosso inefável e espero que em breve no desemprego 1º ministro responde, face às reivindicações das gerações mais novas ,que as compreende muito bem, e por isso despenalizou o aborto e criou o casamento entre homossexuais. Irra, que tanto cinismo, autismo e imbecilidade não se suportam!

segunda-feira, março 07, 2011

Hereafter


Dizem que não é um grande filme. Nem todos os filmes têm de ser obras-primas. Mas gostei imenso deste, da sensibilidade e da humanidade com que Clint Eastwood filma e conta esta história, algo inquietante, mas também apaziguadora. Além disso, a música (do próprio Eastwood) é linda, melancólica, suave.

domingo, fevereiro 20, 2011

Observações relevantes para o futuro da humanidade

O Daniel de Oliveira de barba parece o capitão Haddock. Só lhe falta o cachimbo e o boné de marinheiro.

sábado, fevereiro 19, 2011

Tarde pacífica

Sozinha em casa. O L. saiu, a miúda está com uma amiga. Ponho mails em ordem, olhando pelo canto do olho o "Orgulho e Preconceito" que está a dar na tv. Ao meu lado, no sofá, sobre a manta, dorme um cãozinho castanho e peludo, respirando serenamente. Lá fora chove. Sinto-me tranquila, neste sossego caseiro. Só queria pôr sobre as pernas a manta que o meu companheiro ocupa - vou ter de ir buscar outra para ficar quentinha e ainda mais confortável.
Preciso de dias assim, pacíficos, sossegados.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

1º passo

Fica aqui a marca, a assinalar o dia. Tinha de ser 5, 15 ou 25.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011


Respondendo a uma pergunta que volta e meia me fazes, neste dia que convencionaram ser dos namorados (como se não namorássemos todos os dias, até quando vamos fazer compras ao supermercado...).Porque te instalaste, "feito posseiro, dentro do meu coração".

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Quando um filho recém-nascido nos agarra um dedo...

... agarra-nos, por inteiro, para sempre. É assim que estou há 16 anos - presa, desde que a minha filha querida agarrou, pela primeira vez, um dedo meu com a sua pequenina mão. Uma mão de longos dedos, anunciando a mão esguia e comprida que hoje tem. Uma mão que nunca mais me largou, e que eu nunca mais larguei. E que espero poder continuar a agarrar durante muitos e muitos anos, tantos quantos a vida me conceda.
Dezasseis anos - tantos! Como é que passou tanto tempo, se me parece que foi ainda ontem que pela primeira vez a vi, tão pequenina? Para onde foi a minha menininha trapalhona a falar, que dizia "folhulha" e "consego" e chamava ao leite "mumu"? Onde páram os tempos de ler histórias para adormecer, de brincar com bonecas e de dar aulas a todos os seus brinquedos?
Em vez de uma menina pequena, tenho agora uma mulherzinha, digna do meu orgulho e da minha confiança. Tenho saudades desses outros tempos - mas por nada do mundo trocava estes de agora. Que são tempos de cumplicidade, de companheirismo, e sempre, sempre, de carradas de mimos. Quem disse que não é divertido ter uma filha adolescente? É, sim.
Muitos parabéns, meu amor. Mil beijos da Mãe (que logo, logo chega a casa e prepara a tua comida predilecta,  mais o bolo preferido em torno do qual todos te desejaremos felicidades, para este e todos os teus outros  aniversário, muitos e felizes, assim o espero e desejo como nada mais desejo na vida).

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Neste dia...



Neste dia, em 2010, muito antes do que era esperada, uma menina nasceu. E contra todas as probabilidades, como prova de que os milagres existem, sobreviveu e tem vencido todos os obstáculos que se previa vir a ter de defrontar. Hoje faz um ano, e acordou de novo com um sorriso lindo de bebé feliz e saudável. Muitos parabéns, querida V.!

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Eu queria...

... ter um dia sem stress, sem coisas para ontem; bem tento - mas não consigo.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Tous les garçons et les filles...



Tous les garçons et les filles de mon âge
se promènent dans la rue deux par deux
tous les garçoons et les filles de mon âge
savent bien ce que c'est d'être heureux


et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime


mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
personne ne murmure "je t'aime" à mon oreille


tous les garçons et les filles de mon âge
font ensemble des projets d'avenir
tous les garçons et les filles de mon âge
savent très bien ce qu'aimer veut dire


et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime


mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
oh! quand donc pour moi brillera le soleil?


comme les garçons et les filles de mon âge
connaîtrais-je bientôt ce qu'est l'amour?
comme les garçons et les filles de mon âge
je me demande quand viendra le jour


où les yeux dans ses yeux et la main dans sa main
j'aurai le coeur heureux sans peur du lendemain
le jour où je n'aurai plus du tout l'âme en peine
le jour où moi aussi j'aurai quelqu'un qui m'aime.

A voz é de Françoise Hardy; não sei de quem é a letra, mas ilustra tão bem o pensar de um adolescente... Pela minha parte, revejo inteiramente nela o que muitas vezes senti, nessa época.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Calinadas jornalísticas

Há sempre uma pérola jornalística algures à nossa espera, para podermos arregalar os olhos de espanto. Hoje, decerto dia de sorte, dei com duas, a propósito da beatificação de João Paulo II. 
Anuncia o Sapo Notícias, num dos seus títulos: Bispo de Leiria-Fátima diz que beatificação reconhece santidade como “figura inesquecível” (o que queria dizer, como se percebe pela leitura do parágrafo seguinte, é que a beatificação reconhece a santidade de uma "figura inesquecível"; o que é ligeiramente diferente). Noutra notícia, diz-nos que "o corpo do Papa João Paulo II vai ser beatificado no próximo dia 1 de maio". O corpo. Não João Paulo II. Passará a haver, portanto, um Beato Corpo de João Paulo II.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Beethoven

Já quase tinha esquecido como é bela a música de Beethoven. Em especial as suas sonatas para piano, que me acompanham neste longo serão de trabalho. Se a mais conhecida é a Sonata ao Luar, a minha predilecta é a Patética. Aqui ficam partes de ambas, para as poder ouvir sem ter de as procurar no Youtube (quando, como é o caso agora, não tenho os cds à mão).


quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ganha mais porque trabalha mais

Ora aqui está o argumento que vou usar para exigir o pagamento de todas as horas extraordinárias que tenho oferecido graciosamente à minha entidade patronal. Se não tiverem dinheiro para isso, podem-me pagar em dispensas de serviço; pelas minhas contas, assim por alto, devia estar de férias (palavra maravilhosa!) durante os próximos 2 ou 3 anos.

Vela acesa, velando

Velando por um menino lindo e muito, muito doente. Nem sei se peça a Deus que o cure, ou que o leve quando ele dormir, já que não há remédio para os seus males e o que se pode esperar é que vá sofrendo mais no pouco tempo em que estiver por cá. Que seja livre do seu corpinho doente num Além azul, embalado por essa outra Mãe que a todos acolhe e ampara.

(Servirá tal ideia de consolo a uma mãe terrena que corre o risco de perder o menino que, embora doente, é  o seu filho muito querido?)

terça-feira, janeiro 11, 2011

Ideias estúpidas

Em vez de uma pizza, mandei vir uma pasta. Uma perfeita porcaria, que me vai deixar agoniada para o resto do serão.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Palhaçadas

Agora é que a campanha presidencial vai ficar linda: já temos o nosso Tiririca.
Sempre que penso que não se pode descer mais, há quem mostre que é possível.
Lembrete para as próximas semanas: fugir da TV e não ouvir nem ler notícias relacionadas com a campanha. Ou com a coisa nojenta que estão a fazer passar por isso.

Cabras e cabrões

(foto daqui)

Um dia, talvez venha a perceber porque é que há tantas cabras e cabrões neste mundo. No caso, em especial, no mundo académico, que parece concentrar uma percentagem mais elevada do que o normal desses ditos cujos que só parecem estar satisfeitos quando passam rasteiras, atropelam ou sacaneiam os outros.
Claro que uma teoria sobre o assunto já tenho: frustrações e invejas. Frustrações de quem não vive para mais nada, e muitas frustrações de cama. Invejas da inteligência e do sucesso alheio. Gente mal f..., pois claro, e que se consola tentando f... os outros. Gente mal formada, também, que se deixa cegar pelo seu estatuto de Senhor-Professor-Doutor-com-todas-as-letras, como se o título académico transformasse qualquer pessoa num ser superior. A superioridade que todos devíamos almejar é a bondade, a generosidade, a disponibilidade para os outros. Não a sobranceria, o olhar de alto, o exigir vassalagens, o achar-se melhor do que os outros. Um doutoramento faz muita coisa, mas não torna ninguém melhor; no entanto, parece conseguir tornar várias pessoas piores.
Cabras e cabrões - há-os em demasia no nosso mundo académico. Esperemos que se vão matando uns aos outros, com o veneno da sua própria peçonha. Metem-me nojo.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Se eu tivesse tempo

... escreveria muitas coisas. 

Sobre o par de orelhas que me apareceu na cadeira em frente, aqui no escritório, mostrando um ocupante pouco habitual que, entretanto, achou melhor vir sentar-se ao meu lado e tentar apanhar o guardanapo de papel sujo do pão com queijo fresco do meu lanche e que agora tem a cabeça apoiada sobre o tampo da secretária, sentindo eu a sua respiração tranquila no meu peito. Poderia escrever horas a fio sobre a delícia que é partilhar a vida com um cão (coisa que sempre sonhei, mas que só agora tenho a possibilidade de fazer). Sobre as brincadeiras, o carinho, a comunicação espantosa que se desenvolve entre o P. e nós, formando uma verdadeira família de que ele é, sem a menor dúvida, membro de pleno direito.

Escreveria sobre saudades dos tempos em que a blogosfera era diferente; tempos que já lá vão e não regressarão, como não regressará a minha vontade de participar nela da forma activa que fiz. 

Escreveria, em especial, sobre questões de saúde com que me tenho defrontado nestes últimos anos, problemas que nem sabia que existiam e que bem gostava de continuar a ignorar. Nada de grave, apenas de sério. E sobre os quais falta em Portugal informação,  associações de doentes, médicos atentos e sensíveis. Mas, para falar disso, acho que precisava de ser de novo uma total anónima aqui, e não o sou. Por outro lado, talvez isso levasse a que este blog tivesse alguma utilidade.

Seja como for, não tenho tempo. Só o que roubo ao trabalho que não me apetece fazer, mas que aos poucos toma forma. E que, depois de uma paragem de uma semana, até gosto de ler. Menos mau.

Vamos a ele. Mais uma pequena presa para caçar - nada da gazela doutoral, apenas uma perdizita que corre, corre, e eu tenho de correr para a abocanhar. Problema: não me apetece correr. Estou farta de corridas. Preciso de viver sem stress, com o tempo a correr a um ritmo humano, e não à velocidade infernal que hoje lhe imprimimos.

Propósito do ano: reduzir o stress da minha vida.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Natal!

(presépio vendido na Manufaktura, uma loja de Praga giríssima, que me apeteceu trazer inteirinha para casa)

terça-feira, dezembro 21, 2010

Mais um

... aniversário. Mais um ano, mais cabelos brancos, mais achaques que os quarentas trouxeram, mais cansaço que os achaques acarretam, mais desânimo face a tantas coisas. Mas também  mais um ano feliz, porque partilhado com os meus amores. Venha mais outro, venham muitos mais, não tenho medo deles - desde que continue a ter-vos ao meu lado, no amor em paz que construímos cada dia e que é sempre mais doce e mais terno.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

A bolinha

Está doente, com uma lesão na coluna devida, por certo, aos demasiados saltos que costuma dar. Mal se mexia de manhã, com dores e sem apetite, incapaz de se aguentar nas patinhas traseiras. Chegado do veterinário, medicado, comeu e bebeu, depois aninhou-se no tapete, perto de mim. Aconcheguei-o numa manta quente. Ali ficou horas seguidas. Não dei por ter ido à sala buscar a bolinha que perde sistematicamente debaixo de todos os móveis, mas que prefere a qualquer outro brinquedo. Dei com ele deitado por cima da manta, muito sossegadinho, tendo ao seu lado, qual criança com o boneco predilecto nos braços, a sua querida bolinha.

quinta-feira, novembro 25, 2010

88

Farias anos hoje, pai. Continuas a fazê-los cá bem dentro do meu coração. Onde permaneces bem disposto, risonho, a ler-me histórias, ou a aquecer-me as mãozitas frias entre as tuas mãos grandes, quentes e fortes, que me faziam sentir tão segura. Onde continuas a ser o papá em cujo colo eu me enroscava, e sem cujo beijo eu não adormecia todas as noites. Que saudades, pai...

sexta-feira, novembro 19, 2010

Por uma óptima causa

Já há tempos falei aqui do Ratinho, um menino lindo que sofre de lisencefalia, e da luta sem tréguas dos seus pais, e em especial da Pat, a sua incansável e fantástica mãe.

Vem aí o Natal, e com ele um leilão de uma série de prendinhas amorosas cujo produto reverte para os tratamentos e consultas de que este menino precisa para ter a máxima qualidade de vida possível. O leilão é aqui; vão lá, e façam compras de Natal. Vêm embrulhadas como prendas e tudo, se assim desejarem. E cada compra que façam será um sorriso mais de um menino que não merecia o que a vida lhe reservou, e um passo mais para ele poder ir a um médico em Itália, a ver se ele consegue tratar a epilepsia do Ratinho, um dos principais problemas que põe a sua vida em risco a cada momento.

terça-feira, novembro 09, 2010

quinta-feira, outubro 21, 2010

Mais normal

Pois, já estou a voltar ao estado normal. Ou seja, ao ponto em que, não tarda, estou a roer as unhas. Por um lado, estou mais descansada: a calma de ontem era, de facto, estranha, dadas as circunstâncias. Por outro, dispensava as borboletas na barriga.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Não é normal

Tenho de ter 3 trabalhos prontos amanhã. Tenho 2 quase feitos, um ainda por escrever. E estou calma. Não pode ser normal. Eu não sou assim. Mas ainda bem que estou a ser assim, porque num stress desgraçado é que não iria ser capaz de fazer coisa alguma. E eu sou.
(momento de auto-incentivo ao trabalho e de auto-tranquilização)

Pior ainda que o Sócrates

Há muito tempo já que deixei de conseguir olhar o nosso (infelizmente) primeiro-ministro. Tudo nele me enjoa e enoja. Pior que ele, porém, é o seu fiel Silva Pereira. Talvez por me lembrar um pouco o sacana do ex-marido de uma amiga, talvez pelo seu ar de capacho e de boy sequioso de tachos, ainda me dá mais engulhos no estômago do que o Sócrates. A verdade é que  lhes ganhei uma verdadeira aversão. Não os posso ouvir nem ver na tv.

terça-feira, outubro 19, 2010

Que mais irá me acontecer?

Depois dele, ela. Entorse do pé e respectivas consequências: gelo, anti-inflamatório, pé elástico, canadianas, manter o pé elevado. Agora tenho um em recuperação ainda não completa e uma a começá-la. Vou pôr os meus pés no seguro.
(E isto no meio de outra maratona, esta cheia de responsabilidades, daquelas em que não posso falhar mas sim dar o meu melhor. E estar alegre, sorridente, bem disposta, concentrada no que faço.)

segunda-feira, outubro 11, 2010

Maratonas

Será que eu, que nunca gostei de correr, estou mesmo condenada a uma sistemática sucessão de corridas de fundo?

quinta-feira, setembro 30, 2010

Tempos de apertar o cinto

Decisão - se o Estado me vai comer parte do meu ordenado, eu vou deixar de dar horas extra do meu rico tempo de borla ao Estado; para o ano, vou deixar de ser burra.

(Eu sei que a situação é má, que apertar o cinto é necessário, etc, etc. Aceito o corte no meu salário, apesar de, se continuasse a ser só eu a sustentar a casa, isso me ir fazer muita diferença. Mas gostava de saber que iam acabar as empresas públicas sorvedouros de dinheiros e empregadoras de boys; que ia haver um efectivo controlo das despesas; que as mordomias à conta do Estado acabavam; e assim mais umas coisitas. Além disso, não tenho a menor confiança no governo mentiroso que nos desgoverna.)

quinta-feira, setembro 23, 2010

Se...

... eu aguentar o ritmo até ao final desta semana, e depois de um breve fôlego o das próximas semanas até final de Outubro, sou uma mulher feliz - e completamente esgotada.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Hiper-mulher

É o que eu me sinto por estes dias. Não super-mulher, mas hiper-mulher. Capaz de chegar a tudo, de ser mãe, enfermeira, motorista, psicóloga, tratadora de cão, dona de casa, profissional cheia de trabalhos para fazer. Quando o pé torcido do meu marido ficar bom, a minha filha se adaptar à nova fase escolar e a vida voltar ao normal, acho que devia ficar de baixa para tratar de mim... Mas, como além de hiper-mulher sou hiper-burra, vou é continuar na minha infindável corrida de obstáculos, pela qual devo ganhar uma medalha de cortiça...

Não é fácil

Não, não é fácil ser-se mãe de uma adolescente.

Não, não é fácil ser-se adolescente.

terça-feira, setembro 07, 2010

Era uma vez

Era uma vez uma mulher com uma série de trabalhos em mãos, cada um dos quais com prazos apertados para terminar.
E era uma vez uma mulher sem vontade nenhuma de trabalhar, apetecendo-lhe, isso sim, agarrar num livro e enroscar-se no sofá com o cão aos pés, a ler, e eventualmente, deixar-se passar pelas brasas.
O pior é que se trata da mesma mulher. Eu. Hoje. Agora mesmo.

Tudo pode ser útil

Afinal, até os insectos mais nojentos podem ter a sua utilidade. Qualquer dia descobrem alguma nos estúpidos dos mosquitos e das melgas.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Primeiro passo

Demos hoje um importante primeiro passo, meu amor. De mãos dadas, como tinha de ser, só assim fazia sentido. Que seja o primeiro de vários, que nos levem por caminho seguro.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Finalmente

Férias!!!!!!!!

Até ao meu regresso.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Mozart, sempre

Imagem daqui.

Ajuda a encontrar a concentração, nestes dias em que apetece bem mais passear (ou dormir) do que terminar trabalhos urgentes.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Pelo menos podia ser em português correcto

A carta do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público - mais uma peça neste jogo de xadrez bizarro chamado Freeport que parece saído de qualquer sonho estranho de uma Alice no país das maravilhas (ou dos fenómenos do Entroncamento) - podia, pelo menos, estar escrita em português correcto. Com sujeitos que concordassem com o predicado e sem repetições de palavras iguais numa mesma frase. E limitei-me a ler algumas citações mostradas pela tv.

quinta-feira, julho 29, 2010

Critérios

Se a vontade de ajudar, de resolver problemas criados por outras escolas, de compreender, apoiar e ser prestáveis forem critérios para avaliação do modo de funcionamento de uma escola secundária, a minha filha vai, sem dúvida, para a melhor de todas.

terça-feira, julho 27, 2010

40 anos

Lembro-me. Não do dia da morte de Salazar, mas do do seu enterro. Recordo perfeitamente o calor que estava, e eu nas escadas das traseiras, com a minha irmã, em conversa com os vizinhos do lado. "Já sabes que o Salazar morreu?", perguntava um deles. E nós, do lado de cá, a dizer que sim. Passado pouco tempo, a família do lado partiu para África, Angola ou Moçambique, já não sei. Por lá morreram os pais, a seguir ao 25 de Abril, assassinados com crueldade na presença dos filhos. O mais velho - o garoto que perguntava se sabíamos a grande novidade - voltou muitos anos mais tarde, a fazer o reconhecimento do local onde tinha vivido em criança. 
Aconteceu há 40 anos, quando eu tinha 4 anos e meio, e lembro-me. Ai, tempo...

segunda-feira, julho 26, 2010

Inferno

Decididamente, eu tenho de ser muito boazinha nesta vida para merecer, um dia, ir para o Céu. Num inferno de caldeirões ferventes e calor intenso não aguento.

quinta-feira, julho 22, 2010

Porque tenho saudades tuas

Detesto estar tanto tempo longe de ti. Sei que por vezes tem de ser, sei que a vida não é só abraços e beijos - mas odeio estar vários dias longe de ti. Porque contigo é que sou eu, inteira, plena. Porque a minha casa são os teus braços, como a tua são os meus. Por muito que isto pareça lamechice, fazes-me falta todos os dias. E assim é desde que apareceste e que passou a haver uma nova vida, não apenas minha nem apenas tua, mas nossa. Que eu quero viver, sempre, contigo ao lado; de mão dada, como gostamos tanto de estar.


sexta-feira, julho 16, 2010

A Tia Preta

Mais uma história que, não fosse o sítio onde estava quando a li, teria feito com que as lágrimas rolassem pela minha cara abaixo; assim, cairam para dentro, inundaram-me o coração. 
É uma história linda, a da Tia Preta, em cuja casa as crianças de Chelas encontram o amor, a comida, o colo e a compreensão de que necessitam. Mas é uma história triste também: uma mulher destas merecia toda a saúde do mundo, para continuar a ser o verdadeiro anjo da guarda que é - não a tem, antes se debateu durante anos com um cancro da mama para, agora, dada como curada desse mal, descobrir um tumor maligno inoperável na cabeça. 
Para conhecer melhor esta fantástica mulher e saber como se pode ajudá-la, a ela e aos miúdos carenciados que ela enche de amor, leiam o Cocó na Fralda.

domingo, junho 20, 2010

Reflexões ao serão

Detesto estar aqui sozinha. Esta casa só convosco tem sentido; contigo,  que me apontas o futuro, e contigo, que o traças ao meu lado, a tua mão a apertar a minha. De resto, esta casa é um monte de passados. Dos meus anos de casamento falhado. Dos tempos da minha filha pequenina. Sobretudo, com a vinda para cá de tantas coisas que estavam na casa dos meus pais, do passado de pais e avós já desaparecidos e que tanta falta me fazem, que me deixaram montes de livros, de roupas, de objectos de toda a espécie que me contam histórias de que queria saber mais; ou de que sei tanto que o coração se me aperta ao recordá-las.
Por isso, esta é uma casa povoada de fantasmas. Não gosto, nada, de aqui estar sozinha. Não por ter medo dos fantasmas, mas porque o seu eco se agiganta quando cá estou só eu. O meu lugar não é aqui; e muito menos é longe de vocês. Dos meus amores. Dos que me conduzem para o futuro e me afagam quando as recordações do passado são dolorosas.
O que me faz pensar numa coisa que dissemos hoje, a propósito da nossa cunhada. A diferença entre nós não está nos 14 anos de idade que nos separam. Está no que cada uma já viveu. E nisso, levo bem mais de 14 anos de avanço; levo uma diferença que está, toda ela, nos fantasmas que enchem esta casa.

sexta-feira, junho 18, 2010

Na morte de José Saramago


Nascidos no mesmo ano, o meu pai precedeu-o na morte um ano quase completo. Era sexta-feira, eu ia a caminho do hospital e recebi a notícia de que já não o ia ver com vida. Celebra-se amanhã um ano que ele partiu. Saramago partiu hoje. Pessoas completamente diferentes, nas suas vidas, nos seus credos. Incrivelmente parecidos, porém, fisicamente, nos tempos de decadência final. 
Não posso ver esta foto que publico sem me lembrar do meu pai. E, pelas coincidências de datas, mais do que pensar em Saramago (que descanse em paz), penso no meu muito querido, nunca esquecido pai. E nas suas mãos que não volto a agarrar, nem a acariciar com carinho. Mas ouço a sua voz, muitas vezes; e a sua imagem, o seu sorriso, acompanham-me. Sobretudo quando estou rodeada de todas as suas coisas, em especial dos seus livros. Como vou estar todo este fim-de-semana, especialmente dedicado à saudade dele.

terça-feira, junho 01, 2010

Vamos lá ajudar

Há blogs que nos contam histórias terríveis. Assim é o Sorri Ratinho - o blog escrito pela mãe de um menino com lisencefalia. Quando o li, fiquei em lágrimas. Eu nem sabia que tal doença existia; que um cérebro podia ser liso, em lugar de ter circunvoluções. Que um bebé podia parecer normal até um dia se manifestar esta doença terrível e sem cura, que causa um atraso mental profundo e uma esperança de vida muito curta.
O Ratinho, como com tanto carinho a mãe lhe chama, precisa de ajuda. Com mais urgência, de dinheiro para ir a um médico nos EUA, especialista nesta doença. Para tal, estão a ser feitos leilões de produtos de artesanato: bordados a ponto de cruz, colares, etc. Vao , sigam os links e licitem. Se lerem o Sorri Ratinho, vão perceber que vale mesmo a pena gastar uns euros para ajudar estes pais tão dedicados ao Ratinho a fazê-lo sorrir.

segunda-feira, maio 10, 2010

Amor é...

Torcer pelo clube dele na final do campeonato. Ver o jogo ao lado dele.. Ficar contente com ele porque o seu querido Benfica ganhou.

quinta-feira, abril 29, 2010

Adenda

Mas a cada vez que regresso a casa, que chego, vejo as luzes nas janelas e te sei à minha espera, sei também que não troco esta vida stressada por nenhuma outra em que não estivéssemos juntos. Não há qualquer pontinha de arrependimento por certas decisões. Preciso, isso sim, de  um emprego novo.

Calma

Do que eu mais preciso é de calma. De uma vida sem stress. Não sou feita para a velocidade vertiginosa de hoje. Preciso de um ritmo mais lento.

(Afirmo e sinto isto, olho para o que é a minha vida, e fico com vontade de rir à gargalhada. Um riso irónico, sarcástico mesmo, claro está.)

sexta-feira, abril 23, 2010

Taquicardia

Cada mail, cada telefonema, mais uma carrada de trabalho para ontem. Suspeito que vou ter um ataque de taquicardia ainda antes de começar o fim-de-semana - que não vai ser passado de papo para o ar...

quinta-feira, abril 22, 2010

Flor

Uma violeta branca abriu. Com a minha falta de jeito inata para tratar de plantas, fico sempre feliz quando vejo uma das minhas muito queridas violetas encher-se de flores. A primeira abriu, branca e perfeita. Espero que se sigam muitas outras, a alegrar a minha cozinha.

domingo, abril 11, 2010

Felicidade

De vez em quando, aparece como uma evidência. Quando estamos todos juntos, sentados no mesmo sofá, ou deitados na mesma cama, braços e pernas misturados, tu abraçado a mim, ela também, o cão saltitando pelo meio de nós, risos, conversas, mimos, beijos. Isto é felicidade, tão azul como o azul do céu de hoje.
Não interessa se há cansaços, doenças, trabalho a mais, viagens em demasia., um dia-a-dia pesado e cansativo. Porque há os risos, os abraços, os beijos, as cumplicidades, e até mesmo o cão aos pulos. Porque há NÓS. Eu, tu, ela, e os laços que nos ligam.

sexta-feira, abril 02, 2010

Sexta-feira santa

E eu em penitência, trabalhando todo o dia. Sonhando com as águas tépidas de mares tropicais - pus uma foto do mar das Maldivas no desktop, para matar saudades; só falta o som tranquilo das pequenas ondas a bater na areia para imaginar que bem estaria lá, agora... Ou em qualquer outro lado, que não enfiada no escritório a queimar neurónios com coisas de tempos que já lá vão e que, na verdade, não interessam a ninguém nem tornam ninguém mais feliz.
Onde quer que fosse, queria era estar sem preocupações de trabalho; sem ter de pensar no que vem a seguir, que não é pouco. Por isso, antes penitenciar-me, em sexta-feira santa, para levar a bom termo mais uma corveia. A preguiça na praia virá a seguir - embora me pareça ainda tão longínqua... Quando precisar de fazer mais uma pausa, em lugar de escrever posts, vou é ver prospectos de agências de viagens a pensar nas férias de Verão.

sexta-feira, março 19, 2010

Dia do Pai

O primeiro sem ti. Mais um que comemoro lembrando-te de ti quando eu era pequena, e calando as saudades desse tempo e de um outro que nos foi roubado, a ambos.

quinta-feira, março 11, 2010

Vamos?

Meu amor,
Não interessam PECs, crises, Sócrates. Não interessam pessimismos. Não interessa que estejamos ambos cansados e cheios de trabalho até às orelhas. Que os ombros doam ou os rins se façam sentir. Este fim-de-semana, finalmente, a previsão do tempo é de sol. Vamos ver o mar?

quinta-feira, março 04, 2010

Suicídio aos 12 anos

Mais que qualquer escandaleira política, mais que qualquer crise económica, o que me impressiona mesmo nas notícias, desde ontem, é a morte de um garoto de 12 anos que se atirou ao rio para não ser mais alvo de maus-tratos por parte de colegas da escola. Como se chega aqui? Como se desiste de viver aos 12 anos, como é que a morte parece preferível à vida a um garoto desta idade? E como é que não se deu conta da infelicidade tão profunda que ele sentia, do seu desespero, e se deixou acontecer uma tragédia destas?

domingo, fevereiro 28, 2010

Essa miúda

Essa miúda faz-te acreditar
Que o sol é um presente
Que a aurora traz
Principalmente p´ra ti...


Um pedaço de uma música linda de Jorge Palma, a pensar numa miúda (muito, muito miudinha) que já é uma feiticeira e faz nascer o sol nos corações de quem a ama.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Eu hoje estou assim

 
De pupilas dilatadas. Não consigo ver nem ler nada de jeito. Estou frustrada. Detesto este exame aos olhos.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Se eu pudesse...

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro

(há que tempos não lia este poema; e como eu gosto dele, e me consolou em momentos tristes...)

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Vale a pena ouvir


J.K. Rowling Speaks at Harvard Commencement from Harvard Magazine on Vimeo.

Encontrei este video no Bicho Carpinteiro. Vale a pena ouvir o discurso da J. K. Rowlings, e pensar sobre a importância de falharmos. Ou melhor, sobre o que o falhanço ou a adversidade nos podem ensinar, se tivermos unhas para os aguentar e ultrapassar.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Nike

 
© R.M.N./G. Blot - H. Lewandowski

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

15 anos



Há, para mim como creio que para todos os pais, uma Era A.F. e uma Era D.F.: Antes dos Filhos e Depois dos Filhos. A minha Era D.F. começou, oficialmente, há 15 anos, não contando com os 9 meses de gravidez que conduziram ao nascimento da minha filha. A Era A.F. parece que nunca existiu. A Era D.F. nunca terá fim.
15 anos. O tempo passa, ela cresce, o meu amor cresce com ela. Parabéns, filha querida.

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


William Ernest Henley (1849–1903)

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Vela acesa

Por uma vida pequenina que luta para vencer. Pela mãe e pelo pai dela. Numa prece que não precisa de palavras e não me sai do pensamento.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Noutros lados, a terra treme

(foto EPA)

Temem-se mais de 100 000 mortos no Haiti. O que será desta gente que está ferida debaixo dos escombros, no país mais pobre da América? Com que cuidados rápidos poderão contar?
(Os terramotos são um dos meus pavores.)

E chove

Chove, chove, chove... Pela janela, vejo o tracejado dos pingos de chuva que cai sem parar há horas. É o tempo em que me sabe bem estar em casa, de manta nas pernas e a beber uma fumegante chávena de chá.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Olha, já passaram 11 dias do Ano Novo e não escrevi nada aqui!

E agora só escrevo para dizer que está um frio do caraças!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Feliz Natal!

Já em tempos tinha ilustrado a quadra natalícia com este presépio de Fra Filippo Lippi, de que gosto imenso. Aqui está ele de novo, para desejar Boas Festas e um Natal muito feliz a todos quantos por aqui passam.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Capicua

Começa hoje mais um Inverno. Começa mais um ano da minha vida. Somam-se uns aos outros, como a cada Inverno sucede uma nova Primavera, a que se segue um novo Verão, e depois um Outono, e depois mais um Inverno e, com ele, mais um ano meu se cumpre. É inevitável.
Não tem grande graça envelhecer, ver rugas na cara e cabelos brancos. Mas é assim a vida, não há nada a fazer. O melhor, mesmo, é vivê-la. Venham mais 44, que cá estou pronta para eles!

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Tanto cansaço

Esta deve ser uma das minhas horas predilectas para escrever. Cheia de sono, absolutamente cansada depois de um longo dia de trabalho, com viagens pelo meio e muitas coisas para fazer. Cheia de sono, cansada, mas ao mesmo tempo ainda desperta e a precisar de esvaziar a cabeça do quanto houve (e há) a fazer.
As horas nocturnas são horas de paz. Já ninguém telefona, já ninguém chama, já não há tarefas domésticas à espera de serem feitas. De volta a casa, gosto de me sentir confortável no meu lar, sentir o seu calor, deixar-me penetrar pela sua atmosfera familiar, ouvindo música calma, no meu canto.

domingo, novembro 29, 2009

Nostalgia em tons de sépia

Dia de chuva, triste, cinzento. Ida ao cemitério, há muito adiada e hoje, finalmente, concretizada. Cresceu o número de túmulos a visitar. Recordei, ao percorrer as ruas tristes daquele cemitério envelhecido, os muitos anos durante os quais só lá se ia visitar o meu avô; agora, são quatro as campas de pessoas muito amadas que ali estão. Levei flores novas, cada uma depositada com uma imensa saudade, por entre a chuva triste e fria.
Em casa, agarrei numa caixa cheia de cartas velhas. Entre elas, dúzias de cartas da minha mãe para o meu pai. Cartas do tempo de namoro, dos primeiros tempos de casados, durante os quais estiveram muitas vezes longe um do outro e matavam as saudades escrevendo quase diariamente. Não tenho (ainda não as encontrei, ou se calhar já não existem) as cartas do meu pai, apenas as da minha mãe. Leio-as ouvindo a sua voz. Dou-me conta do muito que ficou por conhecer dos meus pais; aprendo a conhecê-los melhor, sob outros ângulos, através desta leitura. Não é a mãe e o pai que escrevem, mas um casal apaixonado, organizando a sua vida para conseguirem estar juntos e contando pequenos pormenores do seu quotidiano. Falam de pessoas que conheci, e que também já partiram deste mundo, na maioria dos casos. Falam de pessoas que não faço ideia quem eram, mas que faziam parte, então, das suas vidas. Não sei quem era a L., uma menina gravemente doente que a minha mãe visitava muitas vezes, e que acabou por falecer. Não sei quem era a R., colega com quem ela embirrava solenemente. Não sei quem eram vários colegas e amigos do meu pai, muitas vezes referidos. Não tenho a quem perguntar, ou sinto um certo pudor em fazê-lo em relação às poucas pessoas que me poderiam responder. Reconstituo percursos, itinerários de anos de que sei muito pouco. Admiro a ternura e alegria com que a minha mãe escreve; adivinho-as idênticas nas respostas do meu pai.
Cartas velhas, a cheirar a papéis guardados num sótão húmido e frio durante anos a fio. Com as tintas esmaecidas e o papel amarelecido pelo tempo. Cartas que procuro organizar e guardo ciosamente; não as quero partilhar com ninguém, quero-as minhas, só minhas.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Aniversário

Hoje, pela primeira vez, não te posso dar um beijo nem um abraço neste dia; não te posso falar, acariciar-te a face e as mãos, nem fazer o teu doce predilecto. Falo com a alma, e a tua escuta-me, desse outro lado da vida onde encontraste a paz, meu Pai, muito, sempre muito, querido.

terça-feira, novembro 24, 2009

Objectivos de vida

Um dia, quero ser como o meu cão: acordar a cada manhã alegre, feliz, cheia de energia, para mais um novo dia. Dispenso a parte de roer ossos com entusiasmo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Para ti, todo o meu tempo



Tivesse-o eu encontrado, e este cd seria uma prenda de anos. Fica esta música que me encantou quando vi o "clip" no Origem das Espécies, e que desde então ouvi uma série de vezes.

Hoje é dia de festa

Parabéns, meu querido! É a quinta vez que festejo ao teu lado o teu aniversário. Espero que quando fizeres o dobro da idade que hoje tens continuemos a festejar juntos. Um bocadinho mais trôpegos, mas sempre de mãos dadas e com o olhar enternecido, por ser o teu aniversário e por estarmos juntos e isso tornar tudo na vida mais belo.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Trabalhando

Na aparelhagem, A arte da fuga de Bach. No corpo, o cansaço de quem anda a exagerar no esforço. Na cabeça, a vontade de acabar o trabalho entre mãos e, depois, finalmente, poder descansar.
Este fim-de-semana não vou fazer a pontinha de um corno.

segunda-feira, novembro 09, 2009

O muro

Tivesse eu tempo, e punha aqui as minhas fotos do muro de Berlim. As que tirei em 1981, salvo erro - quando o muro separava os dois lados da cidade, que eu pude visitar. Mas não tenho tempo, por isso fica aqui apenas a referência, e a memória do final desse muro e do final da cortina de ferro.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Adrenalina

Há uma adrenalina especial quando estamos a chegar um trabalho que custou a parir e cujo resultado, no final, nos começa a agradar.

Desengano

Desengane-se quem pense que os filhos, ao crescerem, necessitam menos dos pais. Aos 14, digo eu da minha experiência, precisamos ainda mais de estar presentes, munidos de uma paciência maior que nós, e de uma imensa capacidade de ouvir, entender e acarinhar.
De preferência, claro, estas "crises" surgem quando estamos imersos em trabalho até às orelhas e vemos as poucas horas que faltam para termos de o apresentar a passar a galope.

quinta-feira, novembro 05, 2009

4 anos

Perguntaram-me hoje: "Nada de arrependimentos?" A resposta foi imediata: "Nenhum."
Absolutamente nenhum, meu amor. Antes pelo contrário, certezas renovadas em cada dia, em cada noite que passo abraçada a ti.

Cachorro avariado

Pela primeira vez nos seus já 4 anos de vida, o nosso cão está doente. É uma gastrite, pelos vistos, dizem os resultados dos exames que passou ontem a tarde a fazer no veterinário. Mas ele está apático, quieto, não se levanta do cesto, não corre para nós... Parece, mais do que nunca, um cachorro de peluche - só que sempre foi um peluche com pilhas duracell, e agora está um peluche sem pilhas.
Depressa, bichinho, põe-te bom! Quero-te a correr que nem doido casa fora, a fugir com um chinelo ou umas meias na boca; ou literalmente a voar até aterrares em cima do meu estômago; ou a ser quase impossível pôr-te a trela para ires à rua, de tantos saltos que dás. Volta a ser tu depressa, está bem? Nenhum dos teus donos gosta de te ver assim