terça-feira, julho 12, 2011

Telefones

Nas agendas do telefone e do telemóvel continuam números de pessoas a quem já não posso voltar a falar. De vivos com quem tenha deixado de me dar, por uma razão ou outra, não me custa nada apagar os números. Dos mortos... não consigo. Se o fizer parece que me morrem mais um pouco, que a memória deles se poderia ir perdendo à medida que cada dígito fosse apagado. E eu não lhes quero perder a memória. Nunca.

sexta-feira, junho 03, 2011

Finalmente

Hoje é a última sexta-feira terrível para mim. Hoje, quando chegar a casa exausta e bem tarde, vou poder dizer "para a semana já não há mais". Até que enfim!

Hoje também termina a campanha eleitoral - finalmente! Estamos em campanha desde que o governo caiu. Não houve outdoors quase nenhuns e duvido que alguém lhes tenha sentido a falta. Eu não senti. E do resto - comícios, arruadas, debates, comentários sobre comentários - fiz por pouco ver, apenas o que realmente me interessava. No domingo vou votar, em plena consciência, para, antes de mais, retirar do governo quem lá tem estado e levou o país a este estado. Vou votar PSD. Não porque o partido me convença, não porque Passos Coelho me pareça o melhor primeiro-ministro para Portugal, mas porque é a única saída viável para que o PS saia do poder e algo possa mudar neste país. É um voto de censura ao PS e um voto de confiança no PSD. E espero, muito, que mais façam como eu, apesar de o PSD ser um saco de gatos. Por Portugal.

segunda-feira, abril 18, 2011

Precisa-se

... de secretária(o). Para arrumar infinitos papéis, organizar tma imensa biblioteca (inclui limpar os livros todos cuidadosamente), responder a e-mails, tratar de tarefas burocráticas, fazer pesquisas bibliográficas e, de um modo geral, tudo aquilo que não me apetecer fazer. Também pode cozinhar no tempo que sobrar, e arrumar a roupa nos armários. 
Oferece-se: o meu eterno agradecimento, autorização para ler os muitos livros cá de casa, passear o cão, partilhar as refeições, eventualmente dormida à borla. Mais não posso, que o nosso governo já me veio mexer no meu bolso e, segundo consta, o FMI ainda vai sacar-me mais.

segunda-feira, abril 11, 2011

De facto...

... se eu for à rua e vir um porco a voar, ou um cão a andar de bicicleta, já não me vou espantar. Como, se o Fernando Nobre é o cabeça de lista dos deputados do PSD por Lisboa, com a promessa de ser o presidente da Assembleia da República?
Ai, Portugal, Portugal...

Afinal ainda há gente lúcida e corajosa no PS (réstea de esperança?)

domingo, abril 10, 2011

O que eu penso, dito melhor do que eu diria

Haverá mesmo 33% de malucos em Portugal?

Dir-me-á, caro leitor – e estou certo de que esta é a pergunta que assombra metade dos portugueses –, que ninguém tem a certeza de que Pedro Passos Coelho venha a ser melhor primeiro-ministro do que Sócrates. É verdade. Ninguém pode ter a certeza. Sem dúvida que eu preferia que o PSD tivesse outro líder. Sem dúvida que Passos e a sua ‘entourage’ estão longe de entusiasmar quem quer que seja. Sem dúvida que os erros cometidos nas últimas semanas não auguram nada de bom. Mas pense comigo, caro leitor. Imagine que vai construir uma casa nova e só tem dois empreiteiros disponíveis: um deles é construtor há muitos anos, e deixou desabar todas as casas onde pôs as mãos; o outro tem pinta de poder ser tão mau quanto ele, mas nunca construiu casa alguma. A qual deles entregaria você a obra?

Depois de mais uns pedaços do dito congresso

Comeram ou beberam algumas coisas antes de falar, de certeza. Nenhum parece estar normal. Dizem umas coisas estranhíssimas. O Vitorino conta anedotas sem piada. O Costa ainda parece mais um sapo do que de costume. O Jaime Gama fala das pessoas substituíveis e do PS insubstituível. E eu não entendo nada de nada, a não ser que eles não estão no seu estado normal de pessoas minimamente inteligentes.

(E eu também não estou muito bem, acordada em lugar de dormir, à espera que sejam horas de ir buscar a filha à festa no bar-discoteca a que foi, em estreia absoluta... Começou a era das saídas à noite, socorro!!!)

Promessa depois de ver pedaços daquela coisa que parece ser o congresso do PS

Se o PS voltar a ganhar eleições, vou procurar trabalho no estrangeiro. Agarramos nas trouxinhas, na filha e no cão e saímos de um país de loucos.
Quando a Ana Gomes é a única pessoa que faz críticas no congresso, quando ela parece ser a única voz sensata numa espécie de liturgia de beatificação do bem-aventurado e tão esforçado Sócrates, não há mais nada a fazer. Se eu fizesse parte do grupo de quem decide a ajuda a Portugal e visse isto, não dava um tostão ao país, a não ser para internar esta gente toda num manicómio (e deitar a chave fora). Tenho vergonha do meu país.

sábado, abril 09, 2011

Quando penso que não pode haver nada mais estranho...

... há sempre alguma coisa neste jardim à beira-mar plantado que me volta a deixar de boca aberta de espanto. Vi há pouco na tv o António Vitorino (ou o boneco do Contra-Informação por ele), rouco, a dar o seu apoio ao Zé e a louvar a sua clarividência!
Antes de entrarem no congresso os delegados foram obrigados a comer alguns cogumelos de propriedades esquisitas ou a fumar coisas estranhas?
Clarividência? Clarividência?????? Vão mas é todos pró %W#&/&!

sexta-feira, abril 08, 2011

Sozinha ao serão

Acho que se podia fazer um filme sobre eu, sozinha em casa. Detestando estar sozinha, detestando estar aqui, longe dos meus amores, daquele que é agora o meu lar. Detestando as razões que me obrigam a isso. Dá-me sempre para a asneira. Ou como chocolates que nem uma perdida, ou não como nada. Ou leio sem parar para não pensar e adormeço tardíssimo, mesmo tendo de me levantar cedo no dia seguinte. Ou trabalho que nem louca (ou faço de conta). Ou, simplesmente, me dá para a neura e vejo porcarias na tv, ou fico a ver todos os blogs, todos os sites - enfim, tudo menos ter vontade de lançar mãos às arrumações necessárias e a pôr em ordem este sítio onde já não me sinto em casa, sobretudo quando aqui estou só.
É estranho como a nossa relação com uma casa que é nossa há quase 20 anos pode mudar tanto. Do meu lar, doce lar, passou a ser uma espécie de armazém, de coisas e de memórias. Passou a ser ela o habitáculo de fantasmas vários, que não me apetece enfrentar a cada vez que cá venho. Aqui as saudades dos meus pais são bem mais vivas. Aqui o meu passado lembra mais. Aqui eu passei os mais difíceis tempos da minha vida - também os mais doces, mas essa parte não consegue sobrepor-se às outras.
E assim escrevo, como há muito não escrevo neste sítio. E apetecia-me escrever mais, muito mais - não que precise de novo de um saco de boxe para esmurrar, mas há coisas que esmurraria de bom grado. Só que não o consigo fazer. Em lugar disso, enrosco-me nos braços do meu amor, no meu porto de abrigo; desabafo com ele. Mas andam cá dentro coisas a querer disparar cá para fora; mais ainda quando não o tenho ao meu lado - e o telefone ou a internet são pobres substitutos da carícia, do calor humano, do sorriso, da mão que se aperta, do beijo. É tramado (quase tanto quanto maravilhoso) amar alguém. Precisa-se não só do outro, mas também do nós que formamos.
Tanta coisa já aqui escrita... e nada, ou quase nada do que me apetecia dizer. Fico-me pela vontade. Não é hora para falar no resto. Nem sequer na frustração de viver num país que amo e que odeio ao mesmo tempo, em ambos os casos por ser como é, mas não pelas mesmas razões, obviamente.

sábado, março 26, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

Alívio

Sócrates demitiu-se. A Assembleia da República não disse "amen" ao PEC decidido com Bruxelas à revelia do Parlamento e do Presidente. Sinto um enorme alívio, porque a sensação de que o carrossel estava desgovernado e a rodar como louco era demasiada. Mas tenho verdadeiro medo do que aí possa vir. Do que não nos foi dito sobre a verdadeira situação do país. Das alternativas ao PS (ou dentro do próprio PS). Do que vai ser preciso fazer para tirar Portugal do imenso buraco. Mas talvez tudo isto seja mais fácil de aguentar com outras pessoas ao leme, sobre as quais não se sinta tanta desconfiança. Porque esse é um dos grandes problemas que eu acho que se estavam a colocar (eu sentia-o de forma bem forte): a falta de confiança no primeiro-ministro e no seu governo. Não se pode viver assim, menos ainda em tempo de tão grave crise.

terça-feira, março 22, 2011

Helpdaughter

Quem é que resolve as parvoíces informáticas da mãe, quem é? Em dois minutos...
Mas ainda há algumas coisas em que sou  eu a ensiná-la. E esta dinâmica é muito divertida (além de dar imenso jeito).



domingo, março 13, 2011

Sobre a geração "à rasca"

Detesto a forma como alguns comentadores / bloggers / gente, em geral instaladas nos seus empregos e confortáveis nos seus salários, olham de alto para as reivindicações da "geração parva" que hoje se manifestou. E ao lado de quem tive vontade, várias vezes, de estar - não por pertencer a ela, mas por conhecer demasiada gente que nela se insere.
Eles têm razões mais do que muitas em se queixar. Têm, antes de mais, uma razão de que nem sequer estarão conscientes: o péssimo ensino que o Estado lhes deu, com programas que parecem feitos, em muitos casos, para levar os alunos a odiar essas matérias (assim se passa, a meu ver, com os programas de Português e História, por exemplo). 
Têm razão em se queixar de não terem aprendido com professores competentes e exigentes, que não os deixassem passar sem estarem dotados dos conhecimentos básicos e, como agora se diz, das competências necessárias para saberem ler, escrever e interpretar um texto com clareza, na sua própria língua.
Têm razão em se queixar de terem deparado com um sistema de ensino que os canaliza para o ensino superior, para o qual muitos não estão preparados nem têm qualquer vocação. Deu-se cabo do ensino técnico, está-se a procurar recuperar o ensino profissional, mas entretanto foram várias as gerações que não tiveram acesso a esse ensino médio. Que não impede ninguém (como o anterior ensino das escolas industriais e comerciais também não fazia) de, mais tarde, enveredarem pela continuação de estudos.
Têm razão em se queixar de terem entrado em cursos que se mantêm abertos, com um elevado número de vagas, sem haver mercado de trabalho que os possa absorver. Na minha área, por exemplo, a História, há faculdades públicas que mantêm um "numerus clausus" de 60 alunos por ano. 60 alunos para quê? Para irem engrossar os licenciados sem emprego, obviamente. Ainda por cima, porque muitos desse alunos são maus ou medíocres.
Têm razão em se queixar por não ter sido exigido deles excelência, por não lhes terem ensinado a dar o melhor e a exigir o melhor.
E os melhores, que os há também, e que são verdadeiramente muito bons, têm razão em se queixar da falta de empregos à altura das habilitações de que são detentores. Conheço uma série deles assim. Inteligentes, óptimos alunos, cheios de vontade de estudar, de aprender, de dar o seu melhor no trabalho que puderem ter - e afastados desse trabalho, por uma série de razões. Não podem ser professores universitários, por exemplo, porque há muito que as vagas estão bloqueadas. Nas Faculdades de Letras (volto a elas, conheço-as melhor), por exemplo, os professores mais novos rondam os 40 anos. Os alunos que delas saem, se gostam da investigação, têm de recorrer aos mestrados, doutoramentos, pós-docs, tudo isso dependente de bolsas que podem ou não ser concedidas, de projectos que podem ou não ser aprovados, não tendo tido sequer direitos a assistência na saúde durante uma data de anos (acho que agora já têm), recebendo 12 meses por ano e não os 14 habituais, e sabendo que o final de cada uma das etapas trilhadas é uma vitória, mas também uma aflição face ao que vem a seguir. E assim aceitam vários empregos (precários, claro está), adiam decisões de constituir família, deparam-se com grandes dificuldades para conseguirem arranjar casa.
E, quando não querem a investigação, mas apenas o trabalho nas instituições onde se prestam os serviços que eles aprenderam a fazer, não têm acesso a eles. Por exemplo, temos bibliotecas e arquivos com dezenas de vagas de quadro por preencher. E temos dezenas de jovens licenciados ou pós-graduados nessas áreas que o mais que conseguem são estágios não remunerados ou pouco remunerados, porque não se podem abrir concursos para preencher essas ditas vagas por serem lugares da função pública e estão proibidos os ingressos nela desde há anos - a não ser, claro está, para áreas em que interesse meter mais uns "boys". Ora a maioria dos arquivos e bibliotecas existentes em Portugal dependem do Estado, por isso não se peça a esta gente para se tornar empresário por conta própria, ou algo do género.
No que toca à habitação, que já referi, e à dificuldade em comprarem casa, dizem muitos dos que sobranceiramente olham para estes jovens que não as comprem. Pois, não as comprem - mas até agora, até à crise que leva à dificuldade de acesso ao crédito à habitação, essa era a solução mais viável e vantajosa. Porque as rendas de casa são caríssimas, para contrabalançar aquelas, vindas de longa data, que deviam ter sido revistas como deve ser há muito. E por isso estes jovens têm razão para se queixar quando vêem casas na cidade a rendas antigas baratíssimas, casas na cidade a cair aos pedaços, dando mais uma machadada no património arquitectónico e na nossa "facies" urbana, e se vêem obrigados a ir para os subúrbios, para casas piores do que estas poderiam ser e que custam muito, mas mesmo muito mais.
Têm razão para se queixar da forma como muitas casas de construção municipal são distribuídas, havendo logo uma lista de amigos e "boys" para as ocupar.
E por aqui me fico, ou continuo a escrever durante horas. Termino apenas com uma última razão de queixa: têm os jovens, ainda, mais razão para se queixar quando o nosso inefável e espero que em breve no desemprego 1º ministro responde, face às reivindicações das gerações mais novas ,que as compreende muito bem, e por isso despenalizou o aborto e criou o casamento entre homossexuais. Irra, que tanto cinismo, autismo e imbecilidade não se suportam!

segunda-feira, março 07, 2011

Hereafter


Dizem que não é um grande filme. Nem todos os filmes têm de ser obras-primas. Mas gostei imenso deste, da sensibilidade e da humanidade com que Clint Eastwood filma e conta esta história, algo inquietante, mas também apaziguadora. Além disso, a música (do próprio Eastwood) é linda, melancólica, suave.

domingo, fevereiro 20, 2011

Observações relevantes para o futuro da humanidade

O Daniel de Oliveira de barba parece o capitão Haddock. Só lhe falta o cachimbo e o boné de marinheiro.

sábado, fevereiro 19, 2011

Tarde pacífica

Sozinha em casa. O L. saiu, a miúda está com uma amiga. Ponho mails em ordem, olhando pelo canto do olho o "Orgulho e Preconceito" que está a dar na tv. Ao meu lado, no sofá, sobre a manta, dorme um cãozinho castanho e peludo, respirando serenamente. Lá fora chove. Sinto-me tranquila, neste sossego caseiro. Só queria pôr sobre as pernas a manta que o meu companheiro ocupa - vou ter de ir buscar outra para ficar quentinha e ainda mais confortável.
Preciso de dias assim, pacíficos, sossegados.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

1º passo

Fica aqui a marca, a assinalar o dia. Tinha de ser 5, 15 ou 25.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011


Respondendo a uma pergunta que volta e meia me fazes, neste dia que convencionaram ser dos namorados (como se não namorássemos todos os dias, até quando vamos fazer compras ao supermercado...).Porque te instalaste, "feito posseiro, dentro do meu coração".

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Quando um filho recém-nascido nos agarra um dedo...

... agarra-nos, por inteiro, para sempre. É assim que estou há 16 anos - presa, desde que a minha filha querida agarrou, pela primeira vez, um dedo meu com a sua pequenina mão. Uma mão de longos dedos, anunciando a mão esguia e comprida que hoje tem. Uma mão que nunca mais me largou, e que eu nunca mais larguei. E que espero poder continuar a agarrar durante muitos e muitos anos, tantos quantos a vida me conceda.
Dezasseis anos - tantos! Como é que passou tanto tempo, se me parece que foi ainda ontem que pela primeira vez a vi, tão pequenina? Para onde foi a minha menininha trapalhona a falar, que dizia "folhulha" e "consego" e chamava ao leite "mumu"? Onde páram os tempos de ler histórias para adormecer, de brincar com bonecas e de dar aulas a todos os seus brinquedos?
Em vez de uma menina pequena, tenho agora uma mulherzinha, digna do meu orgulho e da minha confiança. Tenho saudades desses outros tempos - mas por nada do mundo trocava estes de agora. Que são tempos de cumplicidade, de companheirismo, e sempre, sempre, de carradas de mimos. Quem disse que não é divertido ter uma filha adolescente? É, sim.
Muitos parabéns, meu amor. Mil beijos da Mãe (que logo, logo chega a casa e prepara a tua comida predilecta,  mais o bolo preferido em torno do qual todos te desejaremos felicidades, para este e todos os teus outros  aniversário, muitos e felizes, assim o espero e desejo como nada mais desejo na vida).