terça-feira, julho 27, 2010

40 anos

Lembro-me. Não do dia da morte de Salazar, mas do do seu enterro. Recordo perfeitamente o calor que estava, e eu nas escadas das traseiras, com a minha irmã, em conversa com os vizinhos do lado. "Já sabes que o Salazar morreu?", perguntava um deles. E nós, do lado de cá, a dizer que sim. Passado pouco tempo, a família do lado partiu para África, Angola ou Moçambique, já não sei. Por lá morreram os pais, a seguir ao 25 de Abril, assassinados com crueldade na presença dos filhos. O mais velho - o garoto que perguntava se sabíamos a grande novidade - voltou muitos anos mais tarde, a fazer o reconhecimento do local onde tinha vivido em criança. 
Aconteceu há 40 anos, quando eu tinha 4 anos e meio, e lembro-me. Ai, tempo...

segunda-feira, julho 26, 2010

Inferno

Decididamente, eu tenho de ser muito boazinha nesta vida para merecer, um dia, ir para o Céu. Num inferno de caldeirões ferventes e calor intenso não aguento.

quinta-feira, julho 22, 2010

Porque tenho saudades tuas

Detesto estar tanto tempo longe de ti. Sei que por vezes tem de ser, sei que a vida não é só abraços e beijos - mas odeio estar vários dias longe de ti. Porque contigo é que sou eu, inteira, plena. Porque a minha casa são os teus braços, como a tua são os meus. Por muito que isto pareça lamechice, fazes-me falta todos os dias. E assim é desde que apareceste e que passou a haver uma nova vida, não apenas minha nem apenas tua, mas nossa. Que eu quero viver, sempre, contigo ao lado; de mão dada, como gostamos tanto de estar.


sexta-feira, julho 16, 2010

A Tia Preta

Mais uma história que, não fosse o sítio onde estava quando a li, teria feito com que as lágrimas rolassem pela minha cara abaixo; assim, cairam para dentro, inundaram-me o coração. 
É uma história linda, a da Tia Preta, em cuja casa as crianças de Chelas encontram o amor, a comida, o colo e a compreensão de que necessitam. Mas é uma história triste também: uma mulher destas merecia toda a saúde do mundo, para continuar a ser o verdadeiro anjo da guarda que é - não a tem, antes se debateu durante anos com um cancro da mama para, agora, dada como curada desse mal, descobrir um tumor maligno inoperável na cabeça. 
Para conhecer melhor esta fantástica mulher e saber como se pode ajudá-la, a ela e aos miúdos carenciados que ela enche de amor, leiam o Cocó na Fralda.

domingo, junho 20, 2010

Reflexões ao serão

Detesto estar aqui sozinha. Esta casa só convosco tem sentido; contigo,  que me apontas o futuro, e contigo, que o traças ao meu lado, a tua mão a apertar a minha. De resto, esta casa é um monte de passados. Dos meus anos de casamento falhado. Dos tempos da minha filha pequenina. Sobretudo, com a vinda para cá de tantas coisas que estavam na casa dos meus pais, do passado de pais e avós já desaparecidos e que tanta falta me fazem, que me deixaram montes de livros, de roupas, de objectos de toda a espécie que me contam histórias de que queria saber mais; ou de que sei tanto que o coração se me aperta ao recordá-las.
Por isso, esta é uma casa povoada de fantasmas. Não gosto, nada, de aqui estar sozinha. Não por ter medo dos fantasmas, mas porque o seu eco se agiganta quando cá estou só eu. O meu lugar não é aqui; e muito menos é longe de vocês. Dos meus amores. Dos que me conduzem para o futuro e me afagam quando as recordações do passado são dolorosas.
O que me faz pensar numa coisa que dissemos hoje, a propósito da nossa cunhada. A diferença entre nós não está nos 14 anos de idade que nos separam. Está no que cada uma já viveu. E nisso, levo bem mais de 14 anos de avanço; levo uma diferença que está, toda ela, nos fantasmas que enchem esta casa.

sexta-feira, junho 18, 2010

Na morte de José Saramago


Nascidos no mesmo ano, o meu pai precedeu-o na morte um ano quase completo. Era sexta-feira, eu ia a caminho do hospital e recebi a notícia de que já não o ia ver com vida. Celebra-se amanhã um ano que ele partiu. Saramago partiu hoje. Pessoas completamente diferentes, nas suas vidas, nos seus credos. Incrivelmente parecidos, porém, fisicamente, nos tempos de decadência final. 
Não posso ver esta foto que publico sem me lembrar do meu pai. E, pelas coincidências de datas, mais do que pensar em Saramago (que descanse em paz), penso no meu muito querido, nunca esquecido pai. E nas suas mãos que não volto a agarrar, nem a acariciar com carinho. Mas ouço a sua voz, muitas vezes; e a sua imagem, o seu sorriso, acompanham-me. Sobretudo quando estou rodeada de todas as suas coisas, em especial dos seus livros. Como vou estar todo este fim-de-semana, especialmente dedicado à saudade dele.

terça-feira, junho 01, 2010

Vamos lá ajudar

Há blogs que nos contam histórias terríveis. Assim é o Sorri Ratinho - o blog escrito pela mãe de um menino com lisencefalia. Quando o li, fiquei em lágrimas. Eu nem sabia que tal doença existia; que um cérebro podia ser liso, em lugar de ter circunvoluções. Que um bebé podia parecer normal até um dia se manifestar esta doença terrível e sem cura, que causa um atraso mental profundo e uma esperança de vida muito curta.
O Ratinho, como com tanto carinho a mãe lhe chama, precisa de ajuda. Com mais urgência, de dinheiro para ir a um médico nos EUA, especialista nesta doença. Para tal, estão a ser feitos leilões de produtos de artesanato: bordados a ponto de cruz, colares, etc. Vao , sigam os links e licitem. Se lerem o Sorri Ratinho, vão perceber que vale mesmo a pena gastar uns euros para ajudar estes pais tão dedicados ao Ratinho a fazê-lo sorrir.

segunda-feira, maio 10, 2010

Amor é...

Torcer pelo clube dele na final do campeonato. Ver o jogo ao lado dele.. Ficar contente com ele porque o seu querido Benfica ganhou.

quinta-feira, abril 29, 2010

Adenda

Mas a cada vez que regresso a casa, que chego, vejo as luzes nas janelas e te sei à minha espera, sei também que não troco esta vida stressada por nenhuma outra em que não estivéssemos juntos. Não há qualquer pontinha de arrependimento por certas decisões. Preciso, isso sim, de  um emprego novo.

Calma

Do que eu mais preciso é de calma. De uma vida sem stress. Não sou feita para a velocidade vertiginosa de hoje. Preciso de um ritmo mais lento.

(Afirmo e sinto isto, olho para o que é a minha vida, e fico com vontade de rir à gargalhada. Um riso irónico, sarcástico mesmo, claro está.)

sexta-feira, abril 23, 2010

Taquicardia

Cada mail, cada telefonema, mais uma carrada de trabalho para ontem. Suspeito que vou ter um ataque de taquicardia ainda antes de começar o fim-de-semana - que não vai ser passado de papo para o ar...

quinta-feira, abril 22, 2010

Flor

Uma violeta branca abriu. Com a minha falta de jeito inata para tratar de plantas, fico sempre feliz quando vejo uma das minhas muito queridas violetas encher-se de flores. A primeira abriu, branca e perfeita. Espero que se sigam muitas outras, a alegrar a minha cozinha.

domingo, abril 11, 2010

Felicidade

De vez em quando, aparece como uma evidência. Quando estamos todos juntos, sentados no mesmo sofá, ou deitados na mesma cama, braços e pernas misturados, tu abraçado a mim, ela também, o cão saltitando pelo meio de nós, risos, conversas, mimos, beijos. Isto é felicidade, tão azul como o azul do céu de hoje.
Não interessa se há cansaços, doenças, trabalho a mais, viagens em demasia., um dia-a-dia pesado e cansativo. Porque há os risos, os abraços, os beijos, as cumplicidades, e até mesmo o cão aos pulos. Porque há NÓS. Eu, tu, ela, e os laços que nos ligam.

sexta-feira, abril 02, 2010

Sexta-feira santa

E eu em penitência, trabalhando todo o dia. Sonhando com as águas tépidas de mares tropicais - pus uma foto do mar das Maldivas no desktop, para matar saudades; só falta o som tranquilo das pequenas ondas a bater na areia para imaginar que bem estaria lá, agora... Ou em qualquer outro lado, que não enfiada no escritório a queimar neurónios com coisas de tempos que já lá vão e que, na verdade, não interessam a ninguém nem tornam ninguém mais feliz.
Onde quer que fosse, queria era estar sem preocupações de trabalho; sem ter de pensar no que vem a seguir, que não é pouco. Por isso, antes penitenciar-me, em sexta-feira santa, para levar a bom termo mais uma corveia. A preguiça na praia virá a seguir - embora me pareça ainda tão longínqua... Quando precisar de fazer mais uma pausa, em lugar de escrever posts, vou é ver prospectos de agências de viagens a pensar nas férias de Verão.

sexta-feira, março 19, 2010

Dia do Pai

O primeiro sem ti. Mais um que comemoro lembrando-te de ti quando eu era pequena, e calando as saudades desse tempo e de um outro que nos foi roubado, a ambos.

quinta-feira, março 11, 2010

Vamos?

Meu amor,
Não interessam PECs, crises, Sócrates. Não interessam pessimismos. Não interessa que estejamos ambos cansados e cheios de trabalho até às orelhas. Que os ombros doam ou os rins se façam sentir. Este fim-de-semana, finalmente, a previsão do tempo é de sol. Vamos ver o mar?

quinta-feira, março 04, 2010

Suicídio aos 12 anos

Mais que qualquer escandaleira política, mais que qualquer crise económica, o que me impressiona mesmo nas notícias, desde ontem, é a morte de um garoto de 12 anos que se atirou ao rio para não ser mais alvo de maus-tratos por parte de colegas da escola. Como se chega aqui? Como se desiste de viver aos 12 anos, como é que a morte parece preferível à vida a um garoto desta idade? E como é que não se deu conta da infelicidade tão profunda que ele sentia, do seu desespero, e se deixou acontecer uma tragédia destas?