quinta-feira, dezembro 24, 2009
segunda-feira, dezembro 21, 2009
Capicua
Começa hoje mais um Inverno. Começa mais um ano da minha vida. Somam-se uns aos outros, como a cada Inverno sucede uma nova Primavera, a que se segue um novo Verão, e depois um Outono, e depois mais um Inverno e, com ele, mais um ano meu se cumpre. É inevitável.
Não tem grande graça envelhecer, ver rugas na cara e cabelos brancos. Mas é assim a vida, não há nada a fazer. O melhor, mesmo, é vivê-la. Venham mais 44, que cá estou pronta para eles!
Não tem grande graça envelhecer, ver rugas na cara e cabelos brancos. Mas é assim a vida, não há nada a fazer. O melhor, mesmo, é vivê-la. Venham mais 44, que cá estou pronta para eles!
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Tanto cansaço
Esta deve ser uma das minhas horas predilectas para escrever. Cheia de sono, absolutamente cansada depois de um longo dia de trabalho, com viagens pelo meio e muitas coisas para fazer. Cheia de sono, cansada, mas ao mesmo tempo ainda desperta e a precisar de esvaziar a cabeça do quanto houve (e há) a fazer.
As horas nocturnas são horas de paz. Já ninguém telefona, já ninguém chama, já não há tarefas domésticas à espera de serem feitas. De volta a casa, gosto de me sentir confortável no meu lar, sentir o seu calor, deixar-me penetrar pela sua atmosfera familiar, ouvindo música calma, no meu canto.
As horas nocturnas são horas de paz. Já ninguém telefona, já ninguém chama, já não há tarefas domésticas à espera de serem feitas. De volta a casa, gosto de me sentir confortável no meu lar, sentir o seu calor, deixar-me penetrar pela sua atmosfera familiar, ouvindo música calma, no meu canto.
domingo, novembro 29, 2009
Nostalgia em tons de sépia
Dia de chuva, triste, cinzento. Ida ao cemitério, há muito adiada e hoje, finalmente, concretizada. Cresceu o número de túmulos a visitar. Recordei, ao percorrer as ruas tristes daquele cemitério envelhecido, os muitos anos durante os quais só lá se ia visitar o meu avô; agora, são quatro as campas de pessoas muito amadas que ali estão. Levei flores novas, cada uma depositada com uma imensa saudade, por entre a chuva triste e fria.
Em casa, agarrei numa caixa cheia de cartas velhas. Entre elas, dúzias de cartas da minha mãe para o meu pai. Cartas do tempo de namoro, dos primeiros tempos de casados, durante os quais estiveram muitas vezes longe um do outro e matavam as saudades escrevendo quase diariamente. Não tenho (ainda não as encontrei, ou se calhar já não existem) as cartas do meu pai, apenas as da minha mãe. Leio-as ouvindo a sua voz. Dou-me conta do muito que ficou por conhecer dos meus pais; aprendo a conhecê-los melhor, sob outros ângulos, através desta leitura. Não é a mãe e o pai que escrevem, mas um casal apaixonado, organizando a sua vida para conseguirem estar juntos e contando pequenos pormenores do seu quotidiano. Falam de pessoas que conheci, e que também já partiram deste mundo, na maioria dos casos. Falam de pessoas que não faço ideia quem eram, mas que faziam parte, então, das suas vidas. Não sei quem era a L., uma menina gravemente doente que a minha mãe visitava muitas vezes, e que acabou por falecer. Não sei quem era a R., colega com quem ela embirrava solenemente. Não sei quem eram vários colegas e amigos do meu pai, muitas vezes referidos. Não tenho a quem perguntar, ou sinto um certo pudor em fazê-lo em relação às poucas pessoas que me poderiam responder. Reconstituo percursos, itinerários de anos de que sei muito pouco. Admiro a ternura e alegria com que a minha mãe escreve; adivinho-as idênticas nas respostas do meu pai.
Cartas velhas, a cheirar a papéis guardados num sótão húmido e frio durante anos a fio. Com as tintas esmaecidas e o papel amarelecido pelo tempo. Cartas que procuro organizar e guardo ciosamente; não as quero partilhar com ninguém, quero-as minhas, só minhas.
Em casa, agarrei numa caixa cheia de cartas velhas. Entre elas, dúzias de cartas da minha mãe para o meu pai. Cartas do tempo de namoro, dos primeiros tempos de casados, durante os quais estiveram muitas vezes longe um do outro e matavam as saudades escrevendo quase diariamente. Não tenho (ainda não as encontrei, ou se calhar já não existem) as cartas do meu pai, apenas as da minha mãe. Leio-as ouvindo a sua voz. Dou-me conta do muito que ficou por conhecer dos meus pais; aprendo a conhecê-los melhor, sob outros ângulos, através desta leitura. Não é a mãe e o pai que escrevem, mas um casal apaixonado, organizando a sua vida para conseguirem estar juntos e contando pequenos pormenores do seu quotidiano. Falam de pessoas que conheci, e que também já partiram deste mundo, na maioria dos casos. Falam de pessoas que não faço ideia quem eram, mas que faziam parte, então, das suas vidas. Não sei quem era a L., uma menina gravemente doente que a minha mãe visitava muitas vezes, e que acabou por falecer. Não sei quem era a R., colega com quem ela embirrava solenemente. Não sei quem eram vários colegas e amigos do meu pai, muitas vezes referidos. Não tenho a quem perguntar, ou sinto um certo pudor em fazê-lo em relação às poucas pessoas que me poderiam responder. Reconstituo percursos, itinerários de anos de que sei muito pouco. Admiro a ternura e alegria com que a minha mãe escreve; adivinho-as idênticas nas respostas do meu pai.
Cartas velhas, a cheirar a papéis guardados num sótão húmido e frio durante anos a fio. Com as tintas esmaecidas e o papel amarelecido pelo tempo. Cartas que procuro organizar e guardo ciosamente; não as quero partilhar com ninguém, quero-as minhas, só minhas.
quarta-feira, novembro 25, 2009
Aniversário
Hoje, pela primeira vez, não te posso dar um beijo nem um abraço neste dia; não te posso falar, acariciar-te a face e as mãos, nem fazer o teu doce predilecto. Falo com a alma, e a tua escuta-me, desse outro lado da vida onde encontraste a paz, meu Pai, muito, sempre muito, querido.
terça-feira, novembro 24, 2009
Objectivos de vida
Um dia, quero ser como o meu cão: acordar a cada manhã alegre, feliz, cheia de energia, para mais um novo dia. Dispenso a parte de roer ossos com entusiasmo.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Para ti, todo o meu tempo
Tivesse-o eu encontrado, e este cd seria uma prenda de anos. Fica esta música que me encantou quando vi o "clip" no Origem das Espécies, e que desde então ouvi uma série de vezes.
Hoje é dia de festa
Parabéns, meu querido! É a quinta vez que festejo ao teu lado o teu aniversário. Espero que quando fizeres o dobro da idade que hoje tens continuemos a festejar juntos. Um bocadinho mais trôpegos, mas sempre de mãos dadas e com o olhar enternecido, por ser o teu aniversário e por estarmos juntos e isso tornar tudo na vida mais belo.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Trabalhando
Na aparelhagem, A arte da fuga de Bach. No corpo, o cansaço de quem anda a exagerar no esforço. Na cabeça, a vontade de acabar o trabalho entre mãos e, depois, finalmente, poder descansar.
Este fim-de-semana não vou fazer a pontinha de um corno.
Este fim-de-semana não vou fazer a pontinha de um corno.
segunda-feira, novembro 09, 2009
O muro
Tivesse eu tempo, e punha aqui as minhas fotos do muro de Berlim. As que tirei em 1981, salvo erro - quando o muro separava os dois lados da cidade, que eu pude visitar. Mas não tenho tempo, por isso fica aqui apenas a referência, e a memória do final desse muro e do final da cortina de ferro.
sexta-feira, novembro 06, 2009
Adrenalina
Há uma adrenalina especial quando estamos a chegar um trabalho que custou a parir e cujo resultado, no final, nos começa a agradar.
Desengano
Desengane-se quem pense que os filhos, ao crescerem, necessitam menos dos pais. Aos 14, digo eu da minha experiência, precisamos ainda mais de estar presentes, munidos de uma paciência maior que nós, e de uma imensa capacidade de ouvir, entender e acarinhar.
De preferência, claro, estas "crises" surgem quando estamos imersos em trabalho até às orelhas e vemos as poucas horas que faltam para termos de o apresentar a passar a galope.
De preferência, claro, estas "crises" surgem quando estamos imersos em trabalho até às orelhas e vemos as poucas horas que faltam para termos de o apresentar a passar a galope.
quinta-feira, novembro 05, 2009
4 anos
Perguntaram-me hoje: "Nada de arrependimentos?" A resposta foi imediata: "Nenhum."
Absolutamente nenhum, meu amor. Antes pelo contrário, certezas renovadas em cada dia, em cada noite que passo abraçada a ti.
Cachorro avariado
Pela primeira vez nos seus já 4 anos de vida, o nosso cão está doente. É uma gastrite, pelos vistos, dizem os resultados dos exames que passou ontem a tarde a fazer no veterinário. Mas ele está apático, quieto, não se levanta do cesto, não corre para nós... Parece, mais do que nunca, um cachorro de peluche - só que sempre foi um peluche com pilhas duracell, e agora está um peluche sem pilhas.
Depressa, bichinho, põe-te bom! Quero-te a correr que nem doido casa fora, a fugir com um chinelo ou umas meias na boca; ou literalmente a voar até aterrares em cima do meu estômago; ou a ser quase impossível pôr-te a trela para ires à rua, de tantos saltos que dás. Volta a ser tu depressa, está bem? Nenhum dos teus donos gosta de te ver assim
sábado, outubro 31, 2009
Pedido de informação
Se passar por aqui alguém que conheça um hotel em Londres, bem situado (ou seja, junto de estações de metro e em zona central; perto de Russell Square seria o ideal), bonzinho e não tipo espelunca, mas também não caro como o raio, pede-se o favor de dar informações. Promete-se trazer recordação de Londres (se o hotel agradar, claro está).
quinta-feira, outubro 29, 2009
Gripe A
Pois é, o miúdo morreu por ter uma cardiopatia congénita. Mas não teria morrido sem a gripe A, e teria continuado a ignorar que sofria desse mal durante muitos anos. É isto que me assusta com esta gripe. Sei eu lá se sofro, ou se algum dos meus sofre, de um mal escondido que se pode revelar, fatalmente, com o virus da gripe A?
terça-feira, outubro 27, 2009
Chocolate amargo / café
Estou a desconfiar que o chocolate amargo anda a ter sobre mim efeitos semelhantes aos do café. O que é grave, muito grave. Sem café eu consigo passar. Sem chocolate, de vez em quando, duvido. E lá dentro está um bolo de chocolate tentador, em que é melhor não pôr sequer os olhos, ou é o cabo dos trabalhos para conseguir dormir logo à noite e fico com taquicardia.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Boletim clínico
Tosse, garganta a arranhar, quase sem voz, com a cabeça pesada. O termómetro diz-me que não tenho febre, mas não estou muito confiante nele, porque me sinto quente. Basicamente , sinto-me miserável. Espero que amanhã esteja diferente, e que isto não degenere em nenhum tipo de gripe, A, B ou XYZ. Não só porque detesto estar doente, mas porque tenho demasiadas coisas para fazer, e com a cabeça assim o trabalho rende menos do que pouco.
sábado, outubro 17, 2009
Outono
Apesar das temperaturas demasiado altas, o Outono faz-se sentir. As folhas das árvores vão amarelecendo ou ficando daquele tom vermelho de que tanto gosto, e começam a atapetar o chão. Os verdes tornam-se menos exuberantes. O pôr do sol ganha tonalidades novas. Hoje, vi quer o nascer do sol, quer o seu ocaso - ambos lindos, anunciadores de dias solarengos. Anseio pelo chegar do frio e pela chuva, não porque goste dela, mas porque é muito precisa; do frio gosto, e apetecem-me camisolas quentinhas, botas, cachecóis.
Entretanto, aproveito estes últimos dias de bom tempo. Passeio o cão ao entardecer, e demoro no caminho, deixando-o cheirar todos os recantos e deixando-me olhar para o céu, para as árvores do jardim, sem pressa. Sabe bem, mas ao mesmo tempo é melancólico. O Outono é melancólico, para mim. Mesmo sendo belo. Ou talvez seja mais belo pela sua melancolia?
Entretanto, aproveito estes últimos dias de bom tempo. Passeio o cão ao entardecer, e demoro no caminho, deixando-o cheirar todos os recantos e deixando-me olhar para o céu, para as árvores do jardim, sem pressa. Sabe bem, mas ao mesmo tempo é melancólico. O Outono é melancólico, para mim. Mesmo sendo belo. Ou talvez seja mais belo pela sua melancolia?
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