quinta-feira, julho 02, 2009
Orgulhos
Falo agora com o meu pai como não falava há muito. Falo pensando, e tenho a certeza de que, lá onde estiver, ele me ouve, como não me conseguia ouvir quando ainda cá estava. E, sem dúvida, está neste momento orgulhoso da sua neta mais velha - a minha filha. Tanto como eu, pelo menos; ou mais ainda, porque, com a sua sabedoria de muitos anos, a sua visão é diferente (não mais neutra, porque de avô babado).
Viu-a, no dia do funeral, a cuidar da mãe, com um carinho extremo. A limpar-lhe lágrimas teimosas que insistiam, de vez em quando, em rolar pela cara abaixo. A abraçá-la e dar-lhe a mão. A enchê-la de beijos. A desistir dos planos que já tinha feito para ficar ao seu lado. De lá de onde está, o avô orgulhou-se dela e sorriu, com aquele sorriso bonito que tantas vezes dirigiu a essa neta, a primeira que segurou nos braços, com infinita ternura.
Está, de certeza, agora, a sorrir de novo, com o sorriso que tantas vezes lhe vi quando eu tinha boas notas, porque ela foi, de novo, a melhor aluna da turma, proposta para o prémio de mérito da escola.
Se fosses vivo, pai, eu ia contar-te estas coisas todas, dando-te a mão, dando-te um beijo. Tu ias ter muita dificuldade em manifestar que tinhas compreendido e que estavas feliz. Agora já não há essas barreiras entre nós; só me custa não te poder beijar nem acariciar a tua mão...
Viu-a, no dia do funeral, a cuidar da mãe, com um carinho extremo. A limpar-lhe lágrimas teimosas que insistiam, de vez em quando, em rolar pela cara abaixo. A abraçá-la e dar-lhe a mão. A enchê-la de beijos. A desistir dos planos que já tinha feito para ficar ao seu lado. De lá de onde está, o avô orgulhou-se dela e sorriu, com aquele sorriso bonito que tantas vezes dirigiu a essa neta, a primeira que segurou nos braços, com infinita ternura.
Está, de certeza, agora, a sorrir de novo, com o sorriso que tantas vezes lhe vi quando eu tinha boas notas, porque ela foi, de novo, a melhor aluna da turma, proposta para o prémio de mérito da escola.
Se fosses vivo, pai, eu ia contar-te estas coisas todas, dando-te a mão, dando-te um beijo. Tu ias ter muita dificuldade em manifestar que tinhas compreendido e que estavas feliz. Agora já não há essas barreiras entre nós; só me custa não te poder beijar nem acariciar a tua mão...
segunda-feira, junho 29, 2009
Os dias seguintes
São dias estranhos, estes que tenho vivido. Dias de dor, mas também de tomadas de decisões muito pragmáticas. Não me parece verdade ter escolhido um caixão ou flores para o funeral. Menos ainda ter ido à morgue fazer o reconhecimento daquele corpo tão amado, e de repente tão frio, tão vazio de tudo o que torna um corpo vivo. Tive de fazer de "mestre de cerimónias". Ganhei, de certeza, um ror de cabelos brancos. Envelheci um pouco mais.
O que ainda não fiz, verdadeiramente, foi chorar pelo meu pai. Se calhar, vim a fazê-lo ao longo dos últimos 9 anos... e agora consigo encarar a sua morte, mais do que como uma perda, como uma libertação. O rosto tranquilo, pacífico, quase rejuvenescido com que adormeceu para sempre ajuda-me. Dá-me a certeza de que, finalmente, está em paz, de novo ele próprio, livre do corpo doente que lhe aprisionava a alma.
E agora é tempo de outras decisões pragmáticas, de desfazer a casa do meu pai. Nessa tarefa ingente (por causa, sobretudo, dos milhares de livros que deixou) têm passado os últimos dias. Amanhã (hoje, aliás, já passa da meia-noite) vêm homens de uma empresa fazer as mudanças. A minha casa vai ficar irreconhecível. Vale-me não ser a casa em que moro habitualmente, e sim a outra, onde só esporadicamente estou desde que me casei, mas que mantenho. A casa do meu pai vai-se transplantar para aqui, e na minha sala vou passar a ter os móveis dos meus avós, e um outro quarto será ocupado pelo escritório do meu pai. Vai passar a haver mais fantasmas nesta casa. Fantasmas feitos, sobretudo, de objectos, cheiros, sons que trazem recordações. Não são fantasmas indesejados. São o que faz de mim quem sou; mas nem por isso deixam de poder entristecer-me.
Obrigada a quantos, em comentários ou por outra via, me expressaram os sentimentos. Consola sentir que a nossa tristeza toca a outrem, que não estamos a vivê-la sozinhos . Afinal, esta é uma tristeza que um dia cabe a todos, pois todos perdemos entes queridos e, pela lei da natureza, são os filhos que vêem os pais partir.
Eu, de alguma forma, voltando ao que acima disse, e por mais paradoxal que possa parecer, não me limitei a perder o meu pai; de algum modo, recuperei-o. Não é o seu rosto doente que vejo agora, mas a sua cara feliz pegando na minha filha recém-nascida, como se vê na foto que tenho aqui ao lado; ou noutra, que fui buscar ao meu álbum de estudante, tirada no dia da bênção das pastas, em que o meu pai sorri com um ar muito orgulhoso por a filha estar a terminar o seu curso. Antes, com ele doente a mostrar-me, constantemente, a realidade deste duro e prolongado final de vida, não conseguia recordar as suas feições saudáveis. Agora, são elas que me preenchem as lembranças.
O que ainda não fiz, verdadeiramente, foi chorar pelo meu pai. Se calhar, vim a fazê-lo ao longo dos últimos 9 anos... e agora consigo encarar a sua morte, mais do que como uma perda, como uma libertação. O rosto tranquilo, pacífico, quase rejuvenescido com que adormeceu para sempre ajuda-me. Dá-me a certeza de que, finalmente, está em paz, de novo ele próprio, livre do corpo doente que lhe aprisionava a alma.
E agora é tempo de outras decisões pragmáticas, de desfazer a casa do meu pai. Nessa tarefa ingente (por causa, sobretudo, dos milhares de livros que deixou) têm passado os últimos dias. Amanhã (hoje, aliás, já passa da meia-noite) vêm homens de uma empresa fazer as mudanças. A minha casa vai ficar irreconhecível. Vale-me não ser a casa em que moro habitualmente, e sim a outra, onde só esporadicamente estou desde que me casei, mas que mantenho. A casa do meu pai vai-se transplantar para aqui, e na minha sala vou passar a ter os móveis dos meus avós, e um outro quarto será ocupado pelo escritório do meu pai. Vai passar a haver mais fantasmas nesta casa. Fantasmas feitos, sobretudo, de objectos, cheiros, sons que trazem recordações. Não são fantasmas indesejados. São o que faz de mim quem sou; mas nem por isso deixam de poder entristecer-me.
Obrigada a quantos, em comentários ou por outra via, me expressaram os sentimentos. Consola sentir que a nossa tristeza toca a outrem, que não estamos a vivê-la sozinhos . Afinal, esta é uma tristeza que um dia cabe a todos, pois todos perdemos entes queridos e, pela lei da natureza, são os filhos que vêem os pais partir.
Eu, de alguma forma, voltando ao que acima disse, e por mais paradoxal que possa parecer, não me limitei a perder o meu pai; de algum modo, recuperei-o. Não é o seu rosto doente que vejo agora, mas a sua cara feliz pegando na minha filha recém-nascida, como se vê na foto que tenho aqui ao lado; ou noutra, que fui buscar ao meu álbum de estudante, tirada no dia da bênção das pastas, em que o meu pai sorri com um ar muito orgulhoso por a filha estar a terminar o seu curso. Antes, com ele doente a mostrar-me, constantemente, a realidade deste duro e prolongado final de vida, não conseguia recordar as suas feições saudáveis. Agora, são elas que me preenchem as lembranças.
domingo, junho 21, 2009
segunda-feira, junho 15, 2009
Pai
Repetido cem, mil, milhares de vezes. É a palavra que não me sai da cabeça. Porque o meu pai está gravemente doente, provavelmente nos últimos dias da sua existência terrena. E não importa saber que esta é uma morte anunciada e há muito adiada. Custa na mesma, porque ele é o meu pai - o homem que me deu a vida, que me embalou nos braços, que me contou histórias para dormir, que pescava peixinhos na praia comigo, que se orgulhava das minhas notas e dos meus sucessos, com quem era difícil conviver, mas que eu amo, muito, sempre, com todas as fibras do meu coração de filha. Nunca se é suficientemente crescido para se estar preparado para perder um pai, ou para o ver numa cama de hospital, ligado a máquinas, entubado... Tudo deixa de fazer sentido, de ter importância, e se reduz àquele ser tão frágil que me é tão querido...
terça-feira, junho 09, 2009
E os dias correm
E vieram as eleições, e passaram as eleições, e o alívio de ver o PS derrotado não foi tão grande como a aflição de outras notícias, privadas essas, preocupantes. E enquanto por esse lado as coisas não sossegavam, não houve cabeça para comentar eleições, ou escrever posts, ou sequer saborear o descanso finalmente conquistado. Porque o meu pai, de novo, nos pregava um valente susto, com direito a hospital e tudo.
Mas agora está melhor, está em casa, e o processo de cura continuará, assim o espero, da melhor forma. E não foi preciso adiar os planos, e amanhã rumamos daqui para fora, para a praia, esteja o tempo bom ou nem por isso, o que importa mesmo é mudar de ares e respirar fundo e férias até domingo . Porque precisamos disso, e muito, os três.
Portanto, bons feriados, boa semana, até ao meu regresso!
Portanto, bons feriados, boa semana, até ao meu regresso!
sexta-feira, junho 05, 2009
Missão cumprida
Faltavam 3 semanas, agora já não falta nenhuma. Ainda não senti a diferença; ou melhor, se calhar já a sinto, quando me sobressalto a pensar que tenho de ..., e de ... - para depois me deliciar ao tomar consciência de que não, não tenho de ... nada disso. Tenho muitas, muitas coisas para fazer, mas não aquilo que, ao longo de demasiados meses tanto me custou.
Lembro-me de escrever aqui que estava a ser forçada a fazer uma espécie de teste de resistência, e com medo de não o aguentar até ao fim. Tinha razão para isso - o "burro" quase soçobrou sob o peso. Mas cá cheguei, ao que já posso considerar o final da jornada, sem demasiadas mazelas. Podendo respirar uns dias de alívio e deixando, por uns meses, de andar com a corda ao pescoço.
quinta-feira, maio 28, 2009
Ser adulto
Não é fácil. Sobretudo quando somos aqueles que estão na linha da frente - quando já não há a rede de apoio de pais com saúde, quando as responsabilidades de todas as decisões são nossas, e a ponderação de todas as variáveis nos cai em cima.
Às vezes, invejo a minha filha, que ainda pode (e espero que possa por muito e bons anos) vir ter comigo para resolver os problemas. A mãe cola, cose, conserta, males materiais e da alma. Deve ser bom ser adulto e ter uma mãe assim. Eu não tive essa sorte...
Às vezes, invejo a minha filha, que ainda pode (e espero que possa por muito e bons anos) vir ter comigo para resolver os problemas. A mãe cola, cose, conserta, males materiais e da alma. Deve ser bom ser adulto e ter uma mãe assim. Eu não tive essa sorte...
terça-feira, maio 19, 2009
O caso da professora que em lugar de História leccionava não sei bem o quê
É isto mesmo o que penso, e já tardava ver alguém a dizê-lo.
Fiquei pasmada, ontem à noite, ao ouvir num dos telejornais do final do serão a gravação feita na aula. Pasmada pelo conteúdo. Pasmada pela existência de uma gravação e pelo facto de estar a ser difundida na comunicação social.
domingo, maio 17, 2009
(só mais 3...)
São só mais 3 semanas. Só 3. Depois de tantas, todas elas suadas, suspiradas, detestadas. Mas já só faltam 3. Quase posso suspirar de alívio. Não me interessa quanto trabalho vem a seguir - pelo menos não é este ritmo, este exílio, o que fiz todo o ano sem vontade, apenas por obrigação, orgulho, brio e teimosia.
São só mais 3 semanas. Só mais 3. E uma já começou.
Sinto-me uma prisioneira em contagem decrescente para sair da prisão.
São só mais 3 semanas. Só mais 3. E uma já começou.
Sinto-me uma prisioneira em contagem decrescente para sair da prisão.
"Em perigo por amor"
É mais ou menos este o título em destaque de uma revista das que têm muito sucesso hoje em dia, por trazerem as últimas revelações sobre os "famosos". E quem está, em perigo por amor? Sócrates, o nosso 1º, que por amor a Fernanda Câncio deixou o seu luxuoso e seguro apartamento e passou a ficar, quase todas as noites, no apartamento da namorada, numa edifício antigo em plena baixa pombalina; o casamento, assegura a revista, está para breve. A história é ilustrada com fotos de ambos (nunca juntos) a entrar e a sair do imóvel, bem como dos seguranças que acompanham o primeiro-ministro (com as caras desfocadas). Percebe-se que nenhuma delas foi tirada com conhecimento dos visados, mas sim à distância e furtivamente. Ainda não li nenhumas palavras enfurecidas da parte de nenhum dos protagonistas da história, nem ouvi dizer que houvesse algum processo judicial contra a publicação destas fotos não autorizadas. A mim, que nada tenho a ver com a vida privada deles, esta reportagem enojou-me.
quinta-feira, maio 14, 2009
(mais um)
(e já agora, será pedir demais que por meia dúzia de dias não haja olhos secos, nem doridos, nem inchados, nem vermelhos, nem a arder, nem a doer, nem a não conseguir fixar a vista no computador ou em livros?)
(desabafo baixinho)
(São umas a seguir às outras, porra... Cada tiro, cada melro. E eu farta, farta, farta.)
Preservativos distribuídos nas escolas? Não, obrigada!
De vez em quando, dou com notícias que me deixam perplexa. Anda-se, pelos vistos, a pensar em distribuir preservativos nas escolas. A que propósito? Também distribuem analgésicos, betadine, pensos rápidos, pensos higiénicos? Se um aluno se magoar, com certeza que sim; se uma aluna for apanhada desprevenida sem pensos higiénicos, não sei se encontra alguns à sua disposição na escola, mas devia encontrar. Agora os preservativos para que é que são distribuídos numa escola? É lá que precisam deles?
Que haja educação sexual nas escolas, acho muito bem. Que os adolescentes estejam informados sobre os locais onde podem ter informação sobre preservativos e outros métodos contraceptivos e acesso a eles, de modo gratuito, sobre consultas de planeamento familiar, etc, etc, igualmente. Agora que seja função da escola distribuir preservativos, a que propósito?
Que haja educação sexual nas escolas, acho muito bem. Que os adolescentes estejam informados sobre os locais onde podem ter informação sobre preservativos e outros métodos contraceptivos e acesso a eles, de modo gratuito, sobre consultas de planeamento familiar, etc, etc, igualmente. Agora que seja função da escola distribuir preservativos, a que propósito?
segunda-feira, maio 11, 2009
O que faz um bom médico...
... não é ser o mais sábio sobre a sua especialidade. É ser competente, claro; mas é também ser humano, saber inspirar confiança no doente, perceber que um doente é alguém fragilizado que não se pode tratar com arrogância ou impaciência. É por isso que não vou voltar ao meu reumatologista e volto, sempre, à minha doce e calma médica de medicina interna.
domingo, maio 10, 2009
quinta-feira, maio 07, 2009
Pela estrada fora
Vão sozinhos, dois a dois ou em grupos grandes. Usam, quase todos, coletes reflectores. Transpiram sob o sol quente da tarde. Há postos da Cruz Vermelha de tempos a tempos, para os ajudar. Passo por eles de carro com todo o cuidado, que a berma da estrada é estreita e eles vêm à conversa, sem grandes cuidados. Move-os uma fé que eu não consigo perceber: não vejo que vantagem há em dar cabo de pés, e pernas para pagar uma promessa. Preferia ver promessas cujo pagamento tivesse consequências benéficas, como prometer ajudar quem precisa, fazer as pazes, procurar ser melhor. Mas essa é a minha fé, se calhar demasiado racionalizada, demasiado intelectualizada; outra é a deles. Comovem-me estes peregrinos, caminhando sob o calor, cansados mas tenazes, aproximando-se de Fátima e da imagem da Virgem a quem prometeram pagar, com o seu sacrifício, as preces atendidas.
Fátima, para mim, estará sempre associada à minha avó, que assistia com fervor às cerimónias do 13 de Maio transmitidas na televisão. A minha avó, que morreu faz amanhã vinte anos, e de quem só guardo boas recordações e uma imensa saudade.
Fátima, para mim, estará sempre associada à minha avó, que assistia com fervor às cerimónias do 13 de Maio transmitidas na televisão. A minha avó, que morreu faz amanhã vinte anos, e de quem só guardo boas recordações e uma imensa saudade.
terça-feira, maio 05, 2009
segunda-feira, abril 27, 2009
Sobre cães
Como já aqui disse, é bom ter um cão quentinho deitado aos meus pés. Aliás, é bom ter um cão - ponto final. Muito melhor do que alguma vez tinha pensado. E o lugar que ele ocupa na família é, também, maior do que eu podia imaginar.
terça-feira, abril 21, 2009
Ditados certeiros
"O homem põe e Deus dispõe."
Mas às vezes não sei se é Deus. Deus tal como O concebo (e fui ensinada a conceber), como o supremo Bem, como Aquele que nos ama. Se o é, de vez em quando tem umas formas muito estranhas de o demonstrar. Bem sei que não sou Deus, mas a quem eu amo, o que mais quero é dar o melhor de tudo. Não me divirto a trocar-lhe as voltas e a colocar obstáculos no caminho só porque sim.
Se Deus não é sádico, então Ele não tem mesmo nada a ver com isto.
quinta-feira, abril 16, 2009
Uma coisa completamente diferente
Ter de ler um guia de estilo de 96 páginas para publicar um artigo de 10 parece um exagero... e uma espécie de tortura sádica por parte do editor.
quarta-feira, abril 15, 2009
Falando com os meus botões
Não é nada agradável uma pessoa ganhar consciência de que é susceptível de ter doenças. Não gripes ou faringites, não uma apendicite aguda ou uma perna partida.Refiro-me a doenças-doenças, crónicas, capazes de pôr em risco a nossa qualidade de vida, se não mesmo a própria vida. Recordo demasiado bem o susto que apanhei na altura em que o meu coração resolveu bater à doida, e eu ter percebido que sou vulnerável, que a minha saúde não é um dado adquirido e que nem sempre se dá a volta por cima ou os sustos não resultam em "afinal não era nada". A ideia de perder capacidades, sejam elas físicas ou intelectuais, assusta-me imenso.
Corrigenda
Afinal, se calhar é mesmo importante saber dar os nomes às coisas e tratá-las com os medicamentos apropriados. A diferença entre ontem e hoje é enorme, felizmente. Já não me sinto prestes a ter de pedir reforma antecipada por invalidez.
terça-feira, abril 14, 2009
Da importância dos nomes das coisas
Saber que tenho uma periartrite nos joelhos, o que provoca uma tendinite e uma bursite (se bem entendi o que o médico explicou) é exactamente igual a não saber qual o mal dos meus joelhos. Doem da mesma maneira. E a porcaria das droguinhas que estou a tomar exactamente para aquilo que tenho fazem tanto efeito como as mezinhas mais de farmácia caseira de que me andava a socorrer antes de ir a um especialista, ou seja, muito próximo de zero. O que vai dando algum alívio é mesmo o descanso, o saco de água quente, uma manta sobre os joelhos.
Adenda
Miminho de filha também faz muito bem. Sobretudo quando se tem uma tendinite a quase impedir-nos de andar e a fazer os joelhos doer permanentemente.
sexta-feira, abril 10, 2009
quarta-feira, abril 08, 2009
Boa Páscoa!
Aqui ficam os meus votos para quantos por aqui passam - uma Páscoa feliz, tranquila, sem dores de dentes nem bichinhos no frigorífico, com paz, saúde e alegria, ao lado dos que amamos.
terça-feira, março 31, 2009
Era o que me faltava
Abro o frigorífico e vejo uns bichinhos a olhar-me. Parecem umas pequenas aranhas. Suspeito que vêm de uma alface que ninguém deu por estar a apodrecer. Agora, num dia em que estou a trabalhar pelos cabelos, com vontade de largar tudo e partir no primeiro avião que me leve daqui para fora, tenho de limpar o frigorífico de alto a baixo. Estas coisas só acontecem, claro, quando a empregada não está.
domingo, março 29, 2009
quinta-feira, março 26, 2009
Dor de dentes, paga-se para a levarem daqui para fora
O que não era dor tornou-se dor, e daquelas de fazer acordar uma pobre alma às 4 da manhã e praticamente não voltar a pregar olho, e de fazer chorar de dor à primeira tentativa de anestesia para o desvitalizar. E esta porra não está a ceder a anti-inflamatórios e faz-me doer toda a metade direita da cabeça.
Continuo a achar que devíamos ser desdentados como as galinhas. Ou que os nossos dentes deviam ser como peças de Lego. Pelo menos, que não tivessem nervos, que não pudessem doer!
Continuo a achar que devíamos ser desdentados como as galinhas. Ou que os nossos dentes deviam ser como peças de Lego. Pelo menos, que não tivessem nervos, que não pudessem doer!
quarta-feira, março 25, 2009
Reciclagem
Às vezes apetecia-me poder reciclar-me. Assim como se lava uma camisola suja e deformada, se lhe tira o borboto e se obtém uma camisola que parece novinha em folha. Neste preciso momento, mandava fora um dente estúpido que teima em se fazer sentir (não é doer), os joelhos que resolveram ter reumatismo, os olhos que andam em greve de produção de lágrimas, e, já que estava com a mão na massa, e porque faria bem ao meu ego, todos os quilos que tenho a mais.
segunda-feira, março 23, 2009
Critérios jornalísticos
A notícia de abertura do Jornal da Noite da SIC Notícias foi o penalti que não existiu na final da Taça da Liga. Durante pelo menos 20 minutos (o tempo que eu ouvi) de nada mais se falou neste noticiário - no mesmo dia em que os incêndios não param no Parque da Peneda-Gerês. Sou eu uma espécie de extra-terrestre, ou mais gente se espanta com estes critérios de prioridade jornalística? É que até na SIC Notícias isto acontece, caramba! Será mais importante um erro de arbitragem e a birra que o Sporting está a fazer à custa disto (como se fosse líquido que tivessem ganho se não fosse esse erro - que eu saiba, perderam na marcação de grandes penalidades), ou a desgraça dos incêndios que, em Março, estão a consumir um dos nossos mais importantes parques naturais?
Boas notícias
Ando a precisar de saber de notícias boas. Coisas alegres, positivas, que dêem esperança a estes tempos cinzentos e deprimidos.
quarta-feira, março 18, 2009
Post politicamente incorrecto
Todos se juntam em coro quanto à turma especial de ciganos numa escola de Barcelos. Quantos quereriam ter os seus filhos em turmas onde houvesse alunos ciganos? Pois é... É muito fácil falar quando não é connosco, quando não nos toca a nós ou aos nossos filhos.
Não sou a favor de uma escola inclusiva se isso significar juntar tudo no mesmo saco e achar que todos são iguais - há os que são, efectivamente, diferentes, e têm direito a tratamento diferenciado. Obviamente, o tratamento diferenciado não pode passar por contentores para uns / salas normais para outros. Mas este não é, decerto, o único caso de contentores a servir de sala de aulas, pois não? Recordo-me de saber de outros casos, em que se recorria a eles enquanto se faziam obras em escolas. E entre um contentor devidamente adaptado e um pré-fabricado gélido e esburacado como aqueles em que fiz o ciclo preparatório, não sei qual será melhor...
Não sou a favor de uma escola inclusiva se isso significar juntar tudo no mesmo saco e achar que todos são iguais - há os que são, efectivamente, diferentes, e têm direito a tratamento diferenciado. Obviamente, o tratamento diferenciado não pode passar por contentores para uns / salas normais para outros. Mas este não é, decerto, o único caso de contentores a servir de sala de aulas, pois não? Recordo-me de saber de outros casos, em que se recorria a eles enquanto se faziam obras em escolas. E entre um contentor devidamente adaptado e um pré-fabricado gélido e esburacado como aqueles em que fiz o ciclo preparatório, não sei qual será melhor...
Jornalismo de qualidade
"Incêndio na Serra do Marão será reforçado com mais um helicóptero pesado", noticia o Público. E eu que pensava que os helicópteros serviam para combater os fogos, e não para os reforçar...
terça-feira, março 17, 2009
Pobre país, o nosso*
Onde, com duas semanas de tempo quente, desatam a lavrar incêndios, alguns dos quais ganham grandes dimensões e não se conseguem circunscrever. Ainda estamos no Inverno. O que será no Verão? Será mesmo o fogo uma fatalidade das nossas florestas?
* Copyright do Abrupto.
* Copyright do Abrupto.
sábado, março 14, 2009
Enviados especiais
Por que carga de água é que a RTP mandou para a Alemanha a Sandra Felgueiras, para fazer reportagens em directo sobre a tragédia ocorrida na escola? Que necessidade existe de haver essas reportagens, entrevistando quem devia ser deixado no recato da sua dor? Ainda por cima, feitas com o tom alarmista/sensacionalista/iluminado desta jornalista, que me faz duvidar sobre se estou a ver o telejornal da RTP ou o da TVI?
quinta-feira, março 12, 2009
Ainda as cegonhas
Já viram isto? É uma delícia. Lá estou eu de novo a sorrir, a olhar para as cegonhas a alisarem as penas com os seus longos bicos.
quarta-feira, março 11, 2009
Cegonhas
Vi-as hoje, muitas, empoleiradas nos postes de alta tensão e a voar, com as suas grandes asas abertas, pairando num céu azul que anuncia a Primavera. Surpreenderam-me, pois eu não estava no Alentejo, mas num comboio na linha do Norte. Fiquei a vê-las e a sorrir. Acho-as lindas.
sexta-feira, março 06, 2009
Afonso Tiago
Chocou-me o seu desaparecimento sem deixar rasto. Mesmo sabendo que o mais provável era ter morrido, chocou-me também a notícia do aparecimento do seu corpo, hoje, nas águas do Spree. As mais sentidas condolências aos familiares e aos amigos deste rapaz de sorriso franco e cara alegre; em especial, um abraço para ti, Zé.
quinta-feira, março 05, 2009
Mais coisas que eu não entendo
Andaram a vender-nos o "peixe" da situação difícil da EDP. Do preço excessivamente baixo a que pagávamos a electricidade. Da necessidade imperiosa de subir os preços para valores mais próximos dos reais custos da energia eléctrica. Na minha conta de luz nota-se, e de que maneira, a diferença - e não foram os meus hábitos que mudaram, antes pelo contrário. Agora ficamos a saber que a EDP teve no ano passado o melhor ano de sempre, com um crescimento de 28% face ao ano anterior. É impressão / ignorância minha, ou boa parte disto foi obtido à custa do bolso do consumidor? Será que era mesmo necessário subir da forma como subiu o preço que pagamos por ter um bem essencial como a electricidade em casa?
terça-feira, março 03, 2009
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Segredo de justiça?
Se há coisa de que eu não entendo é nada é de leis. Muito menos de segredos de justiça, o que é que está obrigado a ele, o que não está. Por isso, quando leio que o procurador geral da república pede o fim do segredo de justiça para o caso Freeport, pergunto,-me: é possível abolir o segredo de justiça de acordo com a vontade de juízes ou da polícia, ou de quem manda nessas coisas? Ainda por cima, alegando que essa será a forma de acabar com as fugas de informação permanentes? Então o que se deveria fazer não era dar com essas fugas e impedir que se repitam?
Mas estas são dúvidas, certamente, só minhas, de perfeita ignorante do mundo admirável das leis, da justiça e da investigação criminal.
Mas estas são dúvidas, certamente, só minhas, de perfeita ignorante do mundo admirável das leis, da justiça e da investigação criminal.
Sugestão para o nome do cão dos Obama
Agora que já se sabe que a raça escolhida foi mesmo o cão de água português, e que ainda não foi encontrado o nome ideal para o bicho, aqui fica a minha sugestão, lembrando o Jardim da Celeste, um dos melhores programas infantis que a RTP já produziu. Nome para o cão: Sócrates. What else?
Quem não sabe quem é o Sócrates do Jardim da Celeste pode ficar a conhecê-lo vendo o video:
Quem não sabe quem é o Sócrates do Jardim da Celeste pode ficar a conhecê-lo vendo o video:
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Pornografias
Muito mais do que o quadro de Courbet que deu origem a escandalosas queixas e à apreensão de livros em Braga que constituíram, com a censura ao "Magalhães" em Torres Vedras, as piadas carnavalescas do ano, eu acho que os pais preocupados com o que está ao alcance da vista dos seus filhos deviam indignar-se com os programas de tv que lhes são destinados. Como aquela coisa inenarrável em que a Luciana Abreu se passeia semi-nua.
Carnaval
Sem uma serpentina, uma fantasia, um samba. Juntos à beira- mar, com um cão doido de alegria a correr pela areia fora, num dia de sol estupendo.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Oscares
Era 1h da manhã e eu acordada, a ler este livro. Nem me lembrei dos Oscares. De manhã, quando o meu marido me anunciou os vencedores, tive dificuldade em me situar: a minha cabeça estava cheia de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist. O segundo volume da trilogia não defraudou as minhas expectativas, antes pelo contrário.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Leiam e assinem, por favor
O Afonso Tiago continua desaparecido, não se sabendo do seu paradeiro há mais de um mês. Eu não conheço o Afonso Tiago. Mas conheço o Zé, seu primo. E isto dá uma outra proximidade a esta tragédia, torna-a mais real e dolorosa. Não imagino, não quero imaginar, o que será não saber onde está quem nos é mais querido. Nem o desespero que dá o inevitável "arrefecimento" do interesse por este caso que não pode ficar por deslindar.
A próxima visita de Cavaco Silva à Alemanha poderá constituir uma oportunidade para voltar a dar visibilidade a esta situação dramática, se houver um empenho político da parte da Presidência da República no sentido de continuarem e aprofundarem ainda mais as investigações para o encontrar. Por isso, a família está a lançar uma petição, que pode ser assinada aqui. Para que o Afonso seja encontrado.
A próxima visita de Cavaco Silva à Alemanha poderá constituir uma oportunidade para voltar a dar visibilidade a esta situação dramática, se houver um empenho político da parte da Presidência da República no sentido de continuarem e aprofundarem ainda mais as investigações para o encontrar. Por isso, a família está a lançar uma petição, que pode ser assinada aqui. Para que o Afonso seja encontrado.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Post scriptum
Momento mais chocante do Prós e Contras de ontem: umas certas e horrorosas meias azuis combinadas com um casaco amarelo.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
E para acabar os posts sérios
Sobre outra questão que se quer discutir e, assim, fazer esquecer o desemprego crescente, a falta de soluções para a crise, etc, etc: a eutanásia. O que eu penso é exactamente o que escreve o Vasco Campilho no 31 da Armada. Vão lê-lo lá, vale a pena; e leiam já agora outros posts, do João Moreira Pinto, partindo do caso de Eluana (linko o primeiro, os outros vêm a seguir a este).
Acrescento: não levei a minha mãe para morrer uns dias mais tarde, mas inevitavelmente, nas urgências do hospital; morreu na sua cama, nos meus braços. O mesmo fez ela, anos antes, com a minha avó, que faleceu ao lado dos que amava. Tratadas ambas, é claro, com tudo o que era possível levar a casa, transformando-a numa espécie de unidade de cuidados intensivos que minorassem a sua agonia, mas não procurando prolongar-lhes a vida para além de tudo o que era razoável, porque estavam em estado terminal.
Mas isso não é eutanásia; e eu sou contra a eutanásia.
E pronto, terminam aqui as minhas declarações políticas e sobre temas fracturantes dos próximos meses.
Acrescento: não levei a minha mãe para morrer uns dias mais tarde, mas inevitavelmente, nas urgências do hospital; morreu na sua cama, nos meus braços. O mesmo fez ela, anos antes, com a minha avó, que faleceu ao lado dos que amava. Tratadas ambas, é claro, com tudo o que era possível levar a casa, transformando-a numa espécie de unidade de cuidados intensivos que minorassem a sua agonia, mas não procurando prolongar-lhes a vida para além de tudo o que era razoável, porque estavam em estado terminal.
Mas isso não é eutanásia; e eu sou contra a eutanásia.
E pronto, terminam aqui as minhas declarações políticas e sobre temas fracturantes dos próximos meses.
Casamentos entre homossexuais
1) A homossexualidade, já o escrevi no Um pouco mais de azul um dia, faz-me confusão, entendo-a mal - mas respeito-a, é com cada um e eu não tenho nada com isso. Compreendo o desejo de os homossexuais verem a sua relação reconhecida por lei, para além de uma simples união de facto. Se se pode chamar ou não casamento, não sou jurista, mas porque não? Não é um contrato de vida em comum, no respeito de ambas as partes, prometendo lealdade, assistência, e todas as demais coisas que fazem um casamento?
2) Posto isto, acho a atitude de Sócrates de acenar com o casamento entre homossexuais como bandeira para o seu novo mandato como manda-chuva do PS e como candidato a primeiro-ministro uma pouca-vergonha. Está, com isso, como com a questão da discussão da eutanásia e da regionalização, a querer tapar o sol com a peneira, sendo que o sol que pretende encobrir é pouco radioso, é o da grave crise em que estamos e das respostas que não deu às trapalhadas de Freeports e outros assuntos não deslindados e pouco abonatórios da sua pessoa.
3) Se o que Sócrates / PS / governo quisessem mesmo, acima de tudo, fosse resolver o problema de discriminação dos homossexuais face ao casamento, porque é que não votaram o projecto apresentado pelo BE ao Parlamento? Porque isso ia render dividendos ao BE, não é? E agora dá jeito, porque tentam com esta bandeira roubar votos que poderiam ir para o Bloco. Ou seja, são uns oportunistas do caraças, e também se dedicariam à defesa da causa dos ouriços cacheiros caso percebessem que isso ia render votos. E os homossexuais em si mesmos interessam-lhes tanto como interessariam, nesse caso, os ouriços.
2) Posto isto, acho a atitude de Sócrates de acenar com o casamento entre homossexuais como bandeira para o seu novo mandato como manda-chuva do PS e como candidato a primeiro-ministro uma pouca-vergonha. Está, com isso, como com a questão da discussão da eutanásia e da regionalização, a querer tapar o sol com a peneira, sendo que o sol que pretende encobrir é pouco radioso, é o da grave crise em que estamos e das respostas que não deu às trapalhadas de Freeports e outros assuntos não deslindados e pouco abonatórios da sua pessoa.
3) Se o que Sócrates / PS / governo quisessem mesmo, acima de tudo, fosse resolver o problema de discriminação dos homossexuais face ao casamento, porque é que não votaram o projecto apresentado pelo BE ao Parlamento? Porque isso ia render dividendos ao BE, não é? E agora dá jeito, porque tentam com esta bandeira roubar votos que poderiam ir para o Bloco. Ou seja, são uns oportunistas do caraças, e também se dedicariam à defesa da causa dos ouriços cacheiros caso percebessem que isso ia render votos. E os homossexuais em si mesmos interessam-lhes tanto como interessariam, nesse caso, os ouriços.
Primeiros sinais
Pequenas flores brancas nascem por entre os ramos escuros dos arbustos. Quase não se vêem. Mas estão lá, e anunciam, juntamente com a luminosidade do dia, o aproximar da Primavera.
Da próxima vez que for passear o cão, tenho de levar comigo a máquina fotográfica.
Ele há coisas que eu não percebo lá muito bem
Título alternativo: há sempre razões para nos espantarmos nesta vida.
Como ler que Saramago ficou muito comovido por um ex-refém das FARC ter referido o seu Ensaio sobre a Cegueira. Caramba, então as FARC não são uns gajos porreiros que lutam pelo triunfo da revolução, velhos e bons amigos do PCP, que aprisionam apenas os que se opõem à chegada dos amanhãs que cantam ou coisa que o valha?
E já agora, como as falhas de memória de Dias Loureiro, que não se lembra de nadinha da sua participação num negócio de milhões que redundou num fracasso. Que diabo, quem vai prestar declarações perante uma comissão de inquérito faz o trabalho de casa e revê as matérias sobre as quais vai ser interrogado, acho eu; sobretudo se sofre de má memória.
Mas isto da falta de memória parece ser uma doença que grassa na classe política portuguesa. Há umas semanas, era Sócrates quem não se lembrava de uma série de coisas quanto ao caso Freeport. Estes senhores deviam tomar uns remédiozitos para melhorar o funcionamento cerebral.
Mas isto da falta de memória parece ser uma doença que grassa na classe política portuguesa. Há umas semanas, era Sócrates quem não se lembrava de uma série de coisas quanto ao caso Freeport. Estes senhores deviam tomar uns remédiozitos para melhorar o funcionamento cerebral.
(ó pra mim a escrever posts políticos - é o que dá sentir, cada vez mais, uma enorme desconfiança relativamente aos senhores que nos deviam governar, e uma vontade de me pôr a milhas daqui)
sábado, fevereiro 14, 2009
Dia dos namorados
Nunca liguei a este dia, nunca o comemorei, mas namorar tem um significado especial desde que entraste na minha vida. Se no dia 1 comemorei a melhor prenda que alguma vez recebi, pode servir o dia 14 para celebrar outro presente fantástico, outro milagre da minha vida: tu, meu namorado, meu marido, meu companheiro, meu amor.
(E pronto, isto saiu piroso à brava, mas é exactamente o que sinto e quero deixar aqui a assinalar este dia, mais um dos que vivemos juntos, mais um dos que quero viver ao teu lado até sermos muito, muito velhinhos e continuarmos a passear de mãos dadas).
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Charles Darwin
Faz hoje 200 anos que nasceu. Podem ver aqui as iniciativas existentes em Portugal para assinalar a data. E aqui um blog sobre a exposição que hoje abriu na Gulbenkian e vai valer a pena visitar.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Feeling blue
Há dias em que a nostalgia nos invade. Por causa de uma música, de uma conversa, de uma discussão pateta, de algo que nos vem à memória, por tudo isso e por nada, apenas porque sim, ou por apetecer estar na rua a gozar este bendito sol com que S. Pedro hoje nos brindou e, ao invés, estar dentro de portas a trabalhar.
Há dias em que a nostalgia nos invade - nessas alturas, não é boa ideia ouvir a banda sonora do Era uma vez na América, por muito que se goste dela. Deixa cá mudar o cd para qualquer coisa com tons menos sépia.
Há dias em que a nostalgia nos invade - nessas alturas, não é boa ideia ouvir a banda sonora do Era uma vez na América, por muito que se goste dela. Deixa cá mudar o cd para qualquer coisa com tons menos sépia.
sábado, fevereiro 07, 2009
"Hospitais sem meios para tratar cancros rastreados"
Notícias destas chocam-me, deixam-me preocupada e envergonhada.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Sugestões de leitura
Querem um livro daqueles que não apetece parar de ler e que nos custa a deixar quando chega ao fim? Viciante, bem escrito, e com uma história interessantíssima?
Já ouviram falar de Stieg Larsson e do Millenium (que não é um banco, mas uma revista)? Têm informações na Biblioteca de Babel e no Ciberescritas. Foi por aí que eu fiquei com vontade de conhecer a obra de Larsson, cuja história, aliás, seria digna de uma personagem destes livros. Comprei Os homens que odeiam as mulheres na segunda-feira à tarde, não sosseguei antes de chegar ao fim das suas cerca de 500 páginas, e ainda estou meio mergulhada na história e a pensar no Mikael e na Lisbeth, os pouco convencionais heróis do livro.
Só não percebi porque é que mudaram o título na edição portuguesa, não lhe tendo chamado A rapariga com a tatuagem de dragão; por muito que o nome que lhe foi dado faça sentido face ao conteúdo da obra.
Agora, o problema vai ser manter-me longe de livrarias para não ceder à enorme tentação de comprar o segundo volume... O terceiro só sai para o Verão.
Só não percebi porque é que mudaram o título na edição portuguesa, não lhe tendo chamado A rapariga com a tatuagem de dragão; por muito que o nome que lhe foi dado faça sentido face ao conteúdo da obra.
Agora, o problema vai ser manter-me longe de livrarias para não ceder à enorme tentação de comprar o segundo volume... O terceiro só sai para o Verão.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
domingo, fevereiro 01, 2009
14 anos
Faz hoje 14 anos que vi pela primeira vez a sua carinha linda, que o meu dedo ficou preso na sua mãozinha minúscula, e me apaixonei perdida e irremediavelmente por esse pedacinho de gente que era, então, a minha filha, hoje mais alta do que eu, mas sempre, sempre, o meu amor pequenino, a melhor prenda que a vida me deu.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Final de dia
De dia triste, cinzento, daquela chuva miúda e invasiva que odeio. Não sei se saberia viver num país sem sol, escuro a partir das três da tarde - dias como o de hoje deixam-me tão neura, o que faria se fossem meses assim?
A música que pus aqui em baixo não ajudou. É lindíssima, mas de uma imensa melancolia que me faz voltar à tristeza impossível de dominar ao ver o filme.
Um dia triste e cinzento, pois, ainda por cima passado, inteirinho, sentada à secretária a fazer coisas de que não gosto, de empreitada, para acabar mais depressa.
Vou é fazer o jantar e, com os cheiros e o calor da cozinha, espantar a neura.
A música que pus aqui em baixo não ajudou. É lindíssima, mas de uma imensa melancolia que me faz voltar à tristeza impossível de dominar ao ver o filme.
Um dia triste e cinzento, pois, ainda por cima passado, inteirinho, sentada à secretária a fazer coisas de que não gosto, de empreitada, para acabar mais depressa.
Vou é fazer o jantar e, com os cheiros e o calor da cozinha, espantar a neura.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
A troca
Gostei do filme, muito - e da música. Felizmente, não levei a minha filha. É duro, pesado, angustiante; não sei porque é que tem uma classificação para maiores de 12 anos - por não haver cenas de sexo, por certo. Mas há outras, muito mais chocantes para olhos de miúdos. A mim, provocou uma enorme angústia, uma sensação de opressão e uma vontade enorme de esmurrar a cara de várias personagens daquela história kafkiana.
terça-feira, janeiro 20, 2009
domingo, janeiro 18, 2009
O diário de Bridget Jones
Gosto imenso dos livros, em especial do primeiro. Detesto o filme (que está a dar neste momento no Canal Hollywood). Transformaram uma história engraçadíssima numa idiotice pegada, com um monte de cenas disparatadas e o Mark Darcy a fazer uma figura de parvo impossível.
Fico sempre danada quando estragam um bom livro ao adaptá-lo ao cinema.
Fico sempre danada quando estragam um bom livro ao adaptá-lo ao cinema.
terça-feira, janeiro 13, 2009
Contumaz
Anda mal disposto desde domingo: apanhou um lenço de papel a jeito e zás, papou metade dele, deixando o resto estraçalhado no meio do chão. Depois vomitou, perdeu o apetite, ficou com prisão de ventre. Nem saltava para um biscoito como é habitual. Passei ainda ontem umas horas com ele deitado no meu colo, depois de ter vomitado uma vez mais.
Ontem ao final do dia começou a melhorar. Já dava saltos a pedir para ir à rua, conseguiu fazer umas caganitas, voltou a comer com apetite e a mostrar-se o cãozinho enérgico que costuma ser. E não é que, há pouco, o vejo a enfiar o focinho no cesto dos papéis e a fugir deliciado com um guardanapo de papel usado?
Ontem ao final do dia começou a melhorar. Já dava saltos a pedir para ir à rua, conseguiu fazer umas caganitas, voltou a comer com apetite e a mostrar-se o cãozinho enérgico que costuma ser. E não é que, há pouco, o vejo a enfiar o focinho no cesto dos papéis e a fugir deliciado com um guardanapo de papel usado?
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Muito trabalho
"Cozinhando" um "banquete" com "restos" e mais umas coisitas encontradas na "despensa". Leia-se restos da tese e base de dados construída para ela. Há quanto tempo eu não falava de semelhante coisa! Neste blog, creio que é uma estreia.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Esmeralda
Leio que a menina foi definitivamente entregue ao pai. Penso que isso deve ser o fim de um pesadelo para todas as partes envolvidas. Espero que haja mais bom senso agora do que houve antes. E não deixo de pensar no que andará na cabeça daquela garotinha que não tem culpa de nada e apanhou por tabela por causa de adultos sem juízo que, a meu ver, não tiveram como objectivo máximo o interesse supremo dela.
Muitas vezes pensei que o ideal seria que os pais biológicos e o casal que a criou engolissem as mágoas e o que achavam ser direito seus e procurassem dar à menina quatro colos que não tivessem de se excluir uns aos outros para poderem ser usufruídos por ela. Será que isso ainda será possível? Com o tempo, talvez. O tempo cura tanta coisa...
Muitas vezes pensei que o ideal seria que os pais biológicos e o casal que a criou engolissem as mágoas e o que achavam ser direito seus e procurassem dar à menina quatro colos que não tivessem de se excluir uns aos outros para poderem ser usufruídos por ela. Será que isso ainda será possível? Com o tempo, talvez. O tempo cura tanta coisa...
Esta manhã
Os carros aqui na rua estavam cobertos de gelo. Foi a primeira vez que os vi assim em Lisboa.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Olhó blog paradinho!
Se calhar congelou com o frio. Ou se calhar é a dona dele que tem demasiado trabalho e está sem tempo para blogar. Apesar do frio - de que, devo dizer, gosto. Prefiro temperaturas baixas a mais de 40º; e vivam os cachecóis, as luvas, os carapuços, os casacos quentinhos, as meias de lã, as mantas nas pernas e uma casa com aquecimento e vidros duplos nas janelas!
quinta-feira, janeiro 01, 2009
A culpa é do mau tempo
Dia 1 de Janeiro totalmente caseiro. Não apetece sair com este tempo. Apetece, isso sim, a casa quentinha, o conforto de não ter de ir para lado nenhum.
Dispensava o estar a trabalhar... Tenho de terminar uma coisa com a máxima urgência - e antes aproveitar o dia feio de hoje para isso do que desperdiçar um dia sem chuva. Por isso aqui estou, agarrada ao computador. Aliás, estamos os três no mesmo. Ele põe papelada em ordem, ela visita os seus sites favoritos, eu trabalho. O cão divide-se entre os três, e também ele se queixa do tempo; não gosta de ir à rua debaixo de chuva, nem de usar uma casa de banho feita de erva molhada.
Dispensava o estar a trabalhar... Tenho de terminar uma coisa com a máxima urgência - e antes aproveitar o dia feio de hoje para isso do que desperdiçar um dia sem chuva. Por isso aqui estou, agarrada ao computador. Aliás, estamos os três no mesmo. Ele põe papelada em ordem, ela visita os seus sites favoritos, eu trabalho. O cão divide-se entre os três, e também ele se queixa do tempo; não gosta de ir à rua debaixo de chuva, nem de usar uma casa de banho feita de erva molhada.
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Até para o ano!
domingo, dezembro 28, 2008
Perplexidades
Há muitas coisas que não entendo. Aqui vão duas, a propósito das notícias que têm vindo a lume:
1) Quem espera de mais de 20 h nas urgências hospitalares por causa de uma gripe? Quando uma pessoa tem gripe mete-se na cama, não passa um dia inteiro, sem comer, nem dormir , numa sala carregada de pessoas doentes.
2) Porque é que perguntam às pessoas a razão por que vão aos saldos? Não é óbvio que é porque os preços das coisas estão mais baixos?
Perplexidades de Inverno, nestes dias pós-Natal frios e chuvosos em que apetece ficar em casa no quentinho. E em que não apetece nada, mas mesmo nada, preocupar-me com mais uma escalada de violência no Médio Oriente. Essas são outras perplexidades: as da impossibilidade de palestinianos e israelitas encontrarem uma solução pacífica para as suas vidas. Quantas mais pessoas terão de morrer nessas terras bíblicas até que chegue a paz?
2) Porque é que perguntam às pessoas a razão por que vão aos saldos? Não é óbvio que é porque os preços das coisas estão mais baixos?
Perplexidades de Inverno, nestes dias pós-Natal frios e chuvosos em que apetece ficar em casa no quentinho. E em que não apetece nada, mas mesmo nada, preocupar-me com mais uma escalada de violência no Médio Oriente. Essas são outras perplexidades: as da impossibilidade de palestinianos e israelitas encontrarem uma solução pacífica para as suas vidas. Quantas mais pessoas terão de morrer nessas terras bíblicas até que chegue a paz?
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Feliz Natal!
Quando eu tinha a idade da Miosótis, os preparativos para o Natal começavam apenas depois do dia dos meus anos e da passagem lá por casa de um bando de pequenos terroristas - como eu compreendo bem, agora, a cautela dos meus pais, que não queriam ver estragado o velho e enorme presépio que, todos os anos, vinha enfeitar um canto da sala. Num recanto estreito, com a ajuda primeiro de bancos, caixotes e montes de revistas, depois de umas muito funcionais placas de esferovite cortadas à medida, o meu pai instalava a estrutura do presépio. Essa estrutura era depois toda coberta com plástico e por cima dele era colocado um tapete de musgo, que iamos comprar ao mercado. Cheirava tão bem! Trazia por vezes uns pedaços de líquenes agarrados, que eu guardava para pôr bem juntinho ao Menino Jesus, por os achar especialmente bonitos. As figuras do presépio ficavam, de ano para ano, numa enorme caixa, no sótão, e só o meu pai tinha força e braços suficientemente grandes para a trazer cá para baixo (hoje a caixa parece pequena, até...). A minha irmã e eu desembrulhávamos as figuras, colocávamo-las no presépio. Eu gostava especialmente de dispor o imenso rebanho de ovelhas que tinhamos - todos os anos acrescentado com mais umas que o meu pai comprava, e, acima de tudo, arranjar o interior da cabana onde ficavam as imagens da Sagrada Família. Com todo o cuidado, arranjava lugar para Maria, José, a vaca, o burro, a manjedoura de palhinhas com o Menino deitado, e ao lado dele os cordeirinhos mais pequeninos, que me encantavam, e que eu queria que fizessem companhia a Jesus.
Durante todo o tempo que demorava a construção do presépio, eu cantava canções de Natal. O meu pai tinha um belíssimo disco com as mais conhecidas, cantadas por um coro inglês, e eu sabia a letra de todas, interpretando muitas vezes à minha maneira as palavras de uma língua que estava a começar a aprender. A essas juntava todas as outras, portuguesas, que conhecia, e ainda mais umas quantas cá da minha lavra.
Lembrar-me do Natal da minha infância é recordar o cheiro do musgo, a minha eterna cantoria, o fazer do presépio, as árvores de Natal que durante muitos anos foram pinheiros verdadeiros que por vezes caíam, apesar de todos os cuidados em fixá-los bem dentro de um vaso, e cujas agulhas picavam enquanto lhes prendíamos as bolas, com muito cuidado, porque se partiam.(repost daqui)
Quando escrevi este post, há quatro anos, os meus Natais tinham demasiados fantasmas e ausências. Agora, apesar dos fantasmas e das ausências, são felizes de novo, rodeados de paz, de harmonia, de calor humano. É isso que eu desejo a todos quantos por aqui passarem: um Natal em paz, com saúde, junto dos que mais amam.
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Uma prenda para muita gente
Em qualquer ocasião, uma notícia destas seria fantástica. É-o ainda mais na altura do Natal. Poderá não parecer muito importante para quem não tem problemas de visão, mas quem vê mal percebe imediatamente porque é que estes óculos fazem sorrir.
domingo, dezembro 21, 2008
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Post pouco próprio para épocas natalicias
Odeio vizinhos que não respeitam o direito ao sossego de quem tem o azar de partilhar com eles um prédio. Odeio, acima de tudo, os seus risos alarves, o berreiro que fazem a qualquer hora sem se importarem com o que possam incomodar os outros. Se eu soubesse como, inventava uma espécie de raio que entrasse por baixo da porta deles e que lhes retirasse a capacidade de emitir sons. A eles e à absurdamente potente aparelhagem que têm.
(Felizmente estou nesta casa poucas vezes.)
Alguém sabe como avariar uma aparelhagem por telepatia?
(Felizmente estou nesta casa poucas vezes.)
Alguém sabe como avariar uma aparelhagem por telepatia?
terça-feira, dezembro 16, 2008
E mais Roma (1)
Gosto muito desta, na esquina entre o Campo de' Fiori e a rua que dá acesso à praça onde fica a École Française de Rome. Fotografei-a há 4 anos, da esplanada em que estava sentada. Agora foi a minha filha quem se encantou com ela.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
9 anos
Com o correr dos anos atenuou-se a dor das memórias tristes. Aprendi a viver com elas e, acima de tudo, com a ausência. Mas nem por isso deixo de sentir saudades, ou de pensar que tanta coisa teria sido diferente se a vida não te tivesse pregado esta partida. Nem deixo de sentir a falta de poder ser pequenina como só sabia ser no teu colo, querida Mãe.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Vacanze romane (2)
terça-feira, dezembro 09, 2008
Fotos
Dantes, eu era a fotógrafa de serviço. Agora, só tiro fotografias quando a fotógrafa quer aparecer na imagem. É estranho descarregar o cartão da máquina para o computador e quase todas as fotografias serem novidade.
sábado, dezembro 06, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Vergonhas
A estação de Coimbra B é uma verdadeira vergonha. Para a CP e para a cidade. De certa forma, é uma imagem fiel de Coimbra, e isso é ainda pior.
sábado, novembro 29, 2008
sexta-feira, novembro 28, 2008
Como punir?
Sou contra a pena de morte. Mas diante dos crimes terroristas, do total desrespeito pela vida alheia, da desumanidade, pergunto-me se o mundo não fica mais limpo com o desaparecimento desta corja, ou se há outras formas de lutar contra o terrorismo que não passem pela aniquilação de quem o pratica.
quinta-feira, novembro 27, 2008
(parênteses)
Este blog (como o meu anterior) sempre rumou ao meu ritmo, não ao das notícias ou modas. Mas por vezes parece andar à revelia do mundo, alheio a ele. Não anda - ou melhor, não ando eu. Só que nem sempre me apetece, aqui, falar da realidade, ou não tenho tempo para o fazer. Ou, como é agora o caso, prefiro refugiar-me em Bach quando o mundo lá fora mostra as suas piores facetas, em Bombaim.
Tenho medo do terrorismo. Medo por mim e pelos meus - pela minha filha, sobretudo. Quando coisas destas ocorrem, sinto vontade de agarrar as mãos dos que amo e de ficarmos assim unidos, bem juntos, protegendo-nos.
Paraíso
Diz-se que a mulher de Bach afirmava que no céu tinha de haver música do marido, ou não seria um verdadeiro paraíso. Eu concordo com ela.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Trevos de quatro folhas
Às vezes acho que José Sócrates tem tanta sorte como o Gastão. Ascendeu à presidência do PS nas circunstâncias em que o fez, tornou-se primeiro-ministro com maioria absoluta em grande medida devido às desgraças do PSD, teve os problemas constantes deste partido a evitar-lhe uma oposição à altura, e agora o PSD continua a facilitar-lhe a vida, etc, etc. Neste momento em que a crise alastra, o desemprego cresce e a tensão com os professores está ao rubro, em que a "sociedade civil" já começa a irritar-se com este assunto, pois vê os filhos a serem impedidos de entrar em escolas fechadas e sob a ameaça de não haver notas para ninguém, tem o fim do silêncio de Manuela Ferreira Leite e a sua inabilidade comunicativa a jogar em seu favor. E é ver toda a gente a comentar, a opinar, a desviar a atenção dos problemas reais do país e a indignar-se com o que ela disse. Mas passa verdadeiramente pela cabeça de alguém que ela estivesse a defender reformas impostas durante períodos de suspensão da democracia? Tenham juízo.
Não há pachorra para este país. Às vezes, dá-me uma vontade tão grande, mas tão grande de emigrar...
Não há pachorra para este país. Às vezes, dá-me uma vontade tão grande, mas tão grande de emigrar...
terça-feira, novembro 18, 2008
À espera...
Deitado à porta, respira pela frincha, esperando que o dono chegue.
Eu estou quase como ele.
terça-feira, novembro 11, 2008
E agora o outro lado da questão
Este ano, entrou em vigor um novo regime de faltas dos alunos do ensino básico (não sei se abrange os do secundário também). Prevê, se não me engano, que os alunos que tenham atingido um número de faltas igual ao dobro dos tempos lectivos semanais de cada disciplina tenham de se submeter a provas de avaliação especiais, para verem se não estão atrasados na matéria. Isto é válido, note-se, mesmo no caso de faltas justificadas. Note-se que estou a "vender" isto como me foi explicado pela directora de turma da minha filha, que teve o cuidado de alertar os encarregados de educação para esta nova situação; posso estar a incorrer em algum erro sem querer, mas creio que fixei bem o que a professora explicou.
1ª pergunta: para que servem os testes que se fazem ao longo de cada período, se não para verificar o estado de conhecimentos do aluno? Não deve o professor ter o cuidado de verificar se o aluno está ou não a acompanhar a matéria, apesar das faltas, sem ser preciso fazer uma prova que parecerá sempre uma punição?
2ª pergunta: há disciplinas que os alunos têm uma só vez na semana, em blocos de 90 minutos que contam como duas aulas de 45 minutos cada. Se um aluno falta a essa aula, tem duas faltas. Se falta duas vezes, fica logo com quatro faltas e em situação, portanto, de fazer a dita prova. Faltou dois dias apenas, e, repito, por razões justificadas. Até pode ser uma vez no início do período e outra no final - porque, por exemplo, tinha uma consulta num médico que só atende nesse dia da semana. De acordo com o novo regulamento, terá de fazer essa prova. Faz sentido? Eu acho que não.
3ª pergunta: o que sucede se o limite de faltas for alcançado em disciplinas como Área de Projecto ou Estudo Acompanhado, que não são sujeitas ao mesmo tipo de avaliação que as outras? Faz algum sentido haver uma prova de Estudo Acompanhado? Ninguém no Ministério da Educação tinha pensado neste "pequeno" pormenor no início do ano escolar, pelos vistos.
Não sei se, entretanto, já terá havido alterações e/ou esclarecimentos face a este novo regulamento. Serve este exemplo, creio, para mostrar a facilidade com que o Ministério manda para as escolas regulamentação pouco pensada. Bem intencionada, decerto. Mas de boas intenções, como toda a gente sabe, está o inferno cheio. E eu sei que, para muitos professores, dos que dedicaram os melhores anos da sua vida e todas as suas energias ao ensino, exercer a sua profissão se tornou, nos últimos tempos, um inferno.
1ª pergunta: para que servem os testes que se fazem ao longo de cada período, se não para verificar o estado de conhecimentos do aluno? Não deve o professor ter o cuidado de verificar se o aluno está ou não a acompanhar a matéria, apesar das faltas, sem ser preciso fazer uma prova que parecerá sempre uma punição?
2ª pergunta: há disciplinas que os alunos têm uma só vez na semana, em blocos de 90 minutos que contam como duas aulas de 45 minutos cada. Se um aluno falta a essa aula, tem duas faltas. Se falta duas vezes, fica logo com quatro faltas e em situação, portanto, de fazer a dita prova. Faltou dois dias apenas, e, repito, por razões justificadas. Até pode ser uma vez no início do período e outra no final - porque, por exemplo, tinha uma consulta num médico que só atende nesse dia da semana. De acordo com o novo regulamento, terá de fazer essa prova. Faz sentido? Eu acho que não.
3ª pergunta: o que sucede se o limite de faltas for alcançado em disciplinas como Área de Projecto ou Estudo Acompanhado, que não são sujeitas ao mesmo tipo de avaliação que as outras? Faz algum sentido haver uma prova de Estudo Acompanhado? Ninguém no Ministério da Educação tinha pensado neste "pequeno" pormenor no início do ano escolar, pelos vistos.
Não sei se, entretanto, já terá havido alterações e/ou esclarecimentos face a este novo regulamento. Serve este exemplo, creio, para mostrar a facilidade com que o Ministério manda para as escolas regulamentação pouco pensada. Bem intencionada, decerto. Mas de boas intenções, como toda a gente sabe, está o inferno cheio. E eu sei que, para muitos professores, dos que dedicaram os melhores anos da sua vida e todas as suas energias ao ensino, exercer a sua profissão se tornou, nos últimos tempos, um inferno.
A luta dos professores
Tenho muita dificuldade em pronunciar-me sobre as razões concretas dos protestos dos professores. Não conheço as regras da avaliação em curso, ouço e leio notícias contraditórias. Impressiona-me, obviamente, o número de participantes na manifestação de sábado. Mas também me impressionam, num sentido bem diferente, as reportagens que vi sobre ela. As boçalidades proferidas por aqueles que têm como missão ensinar. A indignidade de muitos dos cartazes e dos gritos de ordem. Ao ver os telejornais, senti vergonha desta classe que já foi minha, e que foi a da minha mãe durante décadas. E a minha filha, a ver televisão ao meu lado, estava também espantada, e perdeu um pouco mais do respeito por aqueles que a ensinam.
Não me parece que seja assim que os professores fazem os pais dos seus alunos aderir à sua causa. Por muita razão que possam ter, não a sabem demonstrar. Como não a sabem demonstrar de cada vez que uma aula de substituição da minha filha é passada a jogarem ao jogo do galo, ou coisa parecida, com um professor que lhes diz claramente que está a fazer um frete ali. Já passaram dois ou três anos sobre a introdução das aulas de substituição - não teria já havido tempo para se programar o seu bom funcionamento? Só por má vontade é que isso não se faz, e só por má vontade também é que não se aceita que a existência de aulas de substituição é uma boa ideia. Uma das coisas que me parece, no meio de toda esta luta dos professores, é que há uma enorme má vontade. E a má vontade não costuma ser boa conselheira.
Não me parece que seja assim que os professores fazem os pais dos seus alunos aderir à sua causa. Por muita razão que possam ter, não a sabem demonstrar. Como não a sabem demonstrar de cada vez que uma aula de substituição da minha filha é passada a jogarem ao jogo do galo, ou coisa parecida, com um professor que lhes diz claramente que está a fazer um frete ali. Já passaram dois ou três anos sobre a introdução das aulas de substituição - não teria já havido tempo para se programar o seu bom funcionamento? Só por má vontade é que isso não se faz, e só por má vontade também é que não se aceita que a existência de aulas de substituição é uma boa ideia. Uma das coisas que me parece, no meio de toda esta luta dos professores, é que há uma enorme má vontade. E a má vontade não costuma ser boa conselheira.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Os desastres de Miosótis
Cenário: à mesa da cozinha, à hora do almoço, já um pouco tarde.
Em cima da mesa: um prato de sopa e outro com puré, bifes de perú e cogumelos.
Cena: Miosótis espreguiça-se vigorosamente (o que não é muito bonito, mas sabe bem), bate com a mão no vaso que está na prateleira por cima da mesa, o vaso cai, despejando terra e folhas de violetas por tudo quanto é sítio, incluindo o prato de sopa e o de comida.
Resultado: limpar chão e mesa, deitar toda a comida fora, preparar à pressa fettucinni à bolonhesa congelados que por acaso havia no congelador (porque era dia de acabar com restos e não estava mais nada feito), comer a toda a pressa porque a campainha da escola não deixa de tocar à hora certa lá por haver meninas desastradas.
Em cima da mesa: um prato de sopa e outro com puré, bifes de perú e cogumelos.
Cena: Miosótis espreguiça-se vigorosamente (o que não é muito bonito, mas sabe bem), bate com a mão no vaso que está na prateleira por cima da mesa, o vaso cai, despejando terra e folhas de violetas por tudo quanto é sítio, incluindo o prato de sopa e o de comida.
Resultado: limpar chão e mesa, deitar toda a comida fora, preparar à pressa fettucinni à bolonhesa congelados que por acaso havia no congelador (porque era dia de acabar com restos e não estava mais nada feito), comer a toda a pressa porque a campainha da escola não deixa de tocar à hora certa lá por haver meninas desastradas.
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