quinta-feira, maio 28, 2009

Ser adulto

Não é fácil. Sobretudo quando somos aqueles que estão na linha da frente - quando já não há a rede de apoio de pais com saúde, quando as responsabilidades de todas as decisões são nossas, e a ponderação de todas as variáveis nos cai em cima.
Às vezes, invejo a minha filha, que ainda pode (e espero que possa por muito e bons anos) vir ter comigo para resolver os problemas. A mãe cola, cose, conserta, males materiais e da alma. Deve ser bom ser adulto e ter uma mãe assim. Eu não tive essa sorte...

terça-feira, maio 19, 2009

O caso da professora que em lugar de História leccionava não sei bem o quê

É isto mesmo o que penso, e já tardava ver alguém a dizê-lo.
Fiquei pasmada, ontem à noite, ao ouvir num dos telejornais do final do serão a gravação feita na aula. Pasmada pelo conteúdo. Pasmada pela existência de uma gravação e pelo facto de estar a ser difundida na comunicação social.

domingo, maio 17, 2009

(só mais 3...)

São só mais 3 semanas. Só 3. Depois de tantas, todas elas suadas, suspiradas, detestadas. Mas já só faltam 3. Quase posso suspirar de alívio. Não me interessa quanto trabalho vem a seguir - pelo menos não é este ritmo, este exílio, o que fiz todo o ano sem vontade, apenas por obrigação, orgulho, brio e teimosia.
São só mais 3 semanas. Só mais 3. E uma já começou.
Sinto-me uma prisioneira em contagem decrescente para sair da prisão.

"Em perigo por amor"

É mais ou menos este o título em destaque de uma revista das que têm muito sucesso hoje em dia, por trazerem as últimas revelações sobre os "famosos". E quem está, em perigo por amor? Sócrates, o nosso 1º, que por amor a Fernanda Câncio deixou o seu luxuoso e seguro apartamento e passou a ficar, quase todas as noites, no apartamento da namorada, numa edifício antigo em plena baixa pombalina; o casamento, assegura a revista, está para breve. A história é ilustrada com fotos de ambos (nunca juntos) a entrar e a sair do imóvel, bem como dos seguranças que acompanham o primeiro-ministro (com as caras desfocadas). Percebe-se que nenhuma delas foi tirada com conhecimento dos visados, mas sim à distância e furtivamente. Ainda não li nenhumas palavras enfurecidas da parte de nenhum dos protagonistas da história, nem ouvi dizer que houvesse algum processo judicial contra a publicação destas fotos não autorizadas. A mim, que nada tenho a ver com a vida privada deles, esta reportagem enojou-me.

quinta-feira, maio 14, 2009

(mais um)

(e já agora, será pedir demais que por meia dúzia de dias não haja olhos secos, nem doridos, nem inchados, nem vermelhos, nem a arder, nem a doer, nem a não conseguir fixar a vista no computador ou em livros?)

(desabafo baixinho)

(São umas a seguir às outras, porra... Cada tiro, cada melro. E eu farta, farta, farta.)

Preservativos distribuídos nas escolas? Não, obrigada!

De vez em quando, dou com notícias que me deixam perplexa. Anda-se, pelos vistos, a pensar em distribuir preservativos nas escolas. A que propósito? Também distribuem analgésicos, betadine, pensos rápidos, pensos higiénicos? Se um aluno se magoar, com certeza que sim; se uma aluna for apanhada desprevenida sem pensos higiénicos, não sei se encontra alguns à sua disposição na escola, mas devia encontrar. Agora os preservativos para que é que são distribuídos numa escola? É lá que precisam deles?
Que haja educação sexual nas escolas, acho muito bem. Que os adolescentes estejam informados sobre os locais onde podem ter informação sobre preservativos e outros métodos contraceptivos e acesso a eles, de modo gratuito, sobre consultas de planeamento familiar, etc, etc, igualmente. Agora que seja função da escola distribuir preservativos, a que propósito?

segunda-feira, maio 11, 2009

O que faz um bom médico...

... não é ser o mais sábio sobre a sua especialidade. É ser competente, claro; mas é também ser humano, saber inspirar confiança no doente, perceber que um doente é alguém fragilizado que não se pode tratar com arrogância ou impaciência. É por isso que não vou voltar ao meu reumatologista e volto, sempre, à minha doce e calma médica de medicina interna.

quinta-feira, maio 07, 2009

Pela estrada fora

Vão sozinhos, dois a dois ou em grupos grandes. Usam, quase todos, coletes reflectores. Transpiram sob o sol quente da tarde. Há postos da Cruz Vermelha de tempos a tempos, para os ajudar. Passo por eles de carro com todo o cuidado, que a berma da estrada é estreita e eles vêm à conversa, sem grandes cuidados. Move-os uma fé que eu não consigo perceber: não vejo que vantagem há em dar cabo de pés, e pernas para pagar uma promessa. Preferia ver promessas cujo pagamento tivesse consequências benéficas, como prometer ajudar quem precisa, fazer as pazes, procurar ser melhor. Mas essa é a minha fé, se calhar demasiado racionalizada, demasiado intelectualizada; outra é a deles. Comovem-me estes peregrinos, caminhando sob o calor, cansados mas tenazes, aproximando-se de Fátima e da imagem da Virgem a quem prometeram pagar, com o seu sacrifício, as preces atendidas.
Fátima, para mim, estará sempre associada à minha avó, que assistia com fervor às cerimónias do 13 de Maio transmitidas na televisão. A minha avó, que morreu faz amanhã vinte anos, e de quem só guardo boas recordações e uma imensa saudade.

terça-feira, maio 05, 2009

segunda-feira, abril 27, 2009

Sobre cães

Como já aqui disse, é bom ter um cão quentinho deitado aos meus pés. Aliás, é bom ter um cão - ponto final. Muito melhor do que alguma vez tinha pensado. E o lugar que ele ocupa na família é, também, maior do que eu podia imaginar.
Trabalhar quando a cabeça anda a pairar por outras paragens é complicado. Sobretudo quando o trabalho implica reflectir, concentrar-me, escrever.

terça-feira, abril 21, 2009

Ditados certeiros

"O homem põe e Deus dispõe."
Mas às vezes não sei se é Deus. Deus tal como O concebo (e fui ensinada a conceber), como o supremo Bem, como Aquele que nos ama. Se o é, de vez em quando tem umas formas muito estranhas de o demonstrar. Bem sei que não sou Deus, mas a quem eu amo, o que mais quero é dar o melhor de tudo. Não me divirto a trocar-lhe as voltas e a colocar obstáculos no caminho só porque sim.
Se Deus não é sádico, então Ele não tem mesmo nada a ver com isto.

quinta-feira, abril 16, 2009

Uma coisa completamente diferente

Ter de ler um guia de estilo de 96 páginas para publicar um artigo de 10 parece um exagero... e uma espécie de tortura sádica por parte do editor.

quarta-feira, abril 15, 2009

Falando com os meus botões

Não é nada agradável uma pessoa ganhar consciência de que é susceptível de ter doenças. Não gripes ou faringites, não uma apendicite aguda ou uma perna partida.Refiro-me a doenças-doenças, crónicas, capazes de pôr em risco a nossa qualidade de vida, se não mesmo a própria vida. Recordo demasiado bem o susto que apanhei na altura em que o meu coração resolveu bater à doida, e eu ter percebido que sou vulnerável, que a minha saúde não é um dado adquirido e que nem sempre se dá a volta por cima ou os sustos não resultam em "afinal não era nada". A ideia de perder capacidades, sejam elas físicas ou intelectuais, assusta-me imenso.

Corrigenda

Afinal, se calhar é mesmo importante saber dar os nomes às coisas e tratá-las com os medicamentos apropriados. A diferença entre ontem e hoje é enorme, felizmente. Já não me sinto prestes a ter de pedir reforma antecipada por invalidez.

terça-feira, abril 14, 2009

Da importância dos nomes das coisas

Saber que tenho uma periartrite nos joelhos, o que provoca uma tendinite e uma bursite (se bem entendi o que o médico explicou) é exactamente igual a não saber qual o mal dos meus joelhos. Doem da mesma maneira. E a porcaria das droguinhas que estou a tomar exactamente para aquilo que tenho fazem tanto efeito como as mezinhas mais de farmácia caseira de que me andava a socorrer antes de ir a um especialista, ou seja, muito próximo de zero. O que vai dando algum alívio é mesmo o descanso, o saco de água quente, uma manta sobre os joelhos.

Adenda

Miminho de filha também faz muito bem. Sobretudo quando se tem uma tendinite a quase impedir-nos de andar e a fazer os joelhos doer permanentemente.

Mozart

Há algo de apaziguador, de redentor, de colo materno na música de Mozart.