terça-feira, maio 27, 2008

Está certo

Folheando um velho livro, descubro que em tempos existiu um rio que os nossos antepassados, em latim deturpado, chamavam Caralio. E que hoje esse rio se chama Pau.

quarta-feira, maio 21, 2008

Amor é...


... ver jogos de futebol na tv, porque ele gosta.

(ou melhor, eu não vejo, mas estou aqui em frente à televisão, e portanto acabo por ir vendo... Deus tem sentido de humor, não duvido; nestes momentos, de certeza que está a rir, ou pelo menos a sorrir e a mandar-me uma piscadela de olhos - que eu retribuo)

Coisas que me irritam

Primeiro, toda a gente batia palmas ao ver a imagem da ministra da Defesa espanhola, grávida, a passar revista às tropas. Agora que o bebé nasceu, parece que só há críticas acerca da duração da licença de parto, se vai estar muito tempo afastada de funções, e até se fala do estado de saúde da ministra. Ela não está doente, teve um filho; e toda a gente, a começar por Zapatero, sabia que o ia ter. Ou seja, está com certeza prevista, desde o momento em que ela aceitou o cargo, a forma de conciliar a recuperação do parto e o acompanhamento do bebé com o exercício das funções ministeriais.
Toda a gente é muito pró-feminista, pró-igualdade de oportunidades, e o diabo a quatro; mas chegado o momento, não resistem à piadinha idiota e sexista. Só falta voltarem as vozes que queriam impedir o exercício de certos cargos por mulheres que não se comprometessem a não engravidar.

segunda-feira, maio 12, 2008

Humor?

O problema deve ser meu - se eu só achava piada a uma ínfima parte dos sketches dos Gato Fedorento, não achei nenhuma ao episódio dos Contemporâneos que vi. Li em vários blogs grandes elogios ao novo programa humorístico, que me fazem pasmar porque eu não gostei mesmo nada.

Para ti


Katie Melua, "If you were a sailboat"

If you're a cowboy I would trail you,
If you're a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you're a sailboat I would sail you to the shore.
If you're a river I would swim you,
If you're a house I would live in you all my days.
If you're a preacher I'd begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you'd spring me
If I was a telephone you'd ring me all day long
If was in pain I know you'd sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me
If I was in darkness you would lead me to the light
If I was a book I know you'd read me every night.

If you're a cowboy I would trail you,
If you're a piece of wood I'd nail you to the floor.
If you're a sailboat I would sail you to the shore.
If you're a sailboat I would sail you to the shore.

quinta-feira, maio 08, 2008

Blogs do Sapo

Ainda não compreendi o porquê da debandada de blogs para o Sapo. A mim nunca me passaria pela cabeça ter uma trabalheira com migração de ficheiros, mudanças de template, etc. etc (mas eu não ligo nenhuma a essas minudências e não me divirto nada a ir às "entranhas" do blog). Mas para além disso, qual é afinal a vantagem de mudar de "operador"? O que é que melhora? Na verdade, como leitora, a maior diferença que noto é que são raras as vezes em que consigo aceder à primeira a um blog do Sapo. Vem quase sempre uma mensagem de "não é possível encontrar o servidor" antes de a página se abrir. O que não me parece ser nenhuma vantagem...

segunda-feira, maio 05, 2008

25 de Abril e Peniche

Sugeriu Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, novas formas de comemorar a Revolução de 1974, associando as comemorações, por exemplo, ao restauro ou divulgação de património. Tenho uma sugestão a dar a esse propósito: restaurar o forte de Peniche. Praça-forte seiscentista, é um testemunho importante da arquitectura militar da nossa época moderna, que semeou fortalezas por vários pontos estratégicos da nossa costa marítima. Prisão de alta segurança para presos políticos durante o Estado Novo, aí esteve Álvaro Cunhal, e daí fugiu, juntamente com outros prisioneiros, protagonizando uma de entre outras espectaculares fugas que esta prisão conheceu. Parte do forte está transformado num museu, que não visitei; o resto está no estado lamentável que se pode ver nas fotografias...

Perspectiva geral do pátio; ao fundo, antiga capela que servia como isolamento

Pormenor da entrada na parte do isolamento

Janelas do bloco das celas

O antigo campanário

terça-feira, abril 29, 2008

Imperfeição

Não me recordo bem, mas sei que há uma qualquer história grega sobre a inveja dos deuses quando a felicidade humana é demasiada.

segunda-feira, abril 28, 2008

Instalado

Não dei por ele entrar. Senti algo húmido nas mãos, olhei e vi um focinho peludo e pedinchão a olhar para mim. Afastei ligeiramente a cadeira. Saltou, lambeu-me e instalou-se-me no colo. Aqui está há mais de um quarto de hora, imóvel.

Dias azuis

Cheios de sol, de luz, de mar. Cheios de tempo a passar devagarinho, de pôr do sol, ondas, gaivotas, fotografias, horas passadas a ler. Cheios de beijos, abraços, mãos enlaçadas e harmonia.

sexta-feira, abril 18, 2008

Não podes ausentar-te, amor

Sais por uns dias sem mim. E o que acontece enquanto não estás? O teu Benfica perde 5 a 3. O tempo torna-se um caos, com chuva intensa, vento e frio. O meu computador manda à vida o segundo carregador e vai para a assistência técnica. Luís Filipe Menezes demite-se. O fulano que apareceu para salvar o Boavista é levado por agentes da Polícia Judiciária. Não voltes a sair sem mim, meu amor. E ainda bem que já estás mesmo a chegar, ou sei lá que mais poderia acontecer.
PS - Aconteceu mais uma: juro que ouvi na rádio a criatura Ribau (como li algures, não me recordo onde) a dizer que os problemas da liderança do PSD tinham de ser resolvidos depressa, pois em Junho tinhamos de estar todos unidos a torcer pela selecção nacional no Europeu.

terça-feira, abril 15, 2008

Acordo?

Devo ser eu que não entendo, mas será que a principal diferença entre um texto escrito em português de Portugal e outro em português do Brasil é o "c" de acção ou o "¨" de linguiça? Ou será antes a forma de construção das frases, a utilização do gerúndio, uma série de palavras com sentido diferente e, mais do que tudo, a forma de incorporar na língua as palavras estrangeiras?
O que fará o acordo relativamente a palavras tão diferentes como "hormona" e "hormônio"? Tira-se o acento circunflexo e fica tudo resolvido? E quanto ao género de "trema", que nós dizemos no masculino e que tenho lido no feminino em textos brasileiros a propósito da queda desse sinal? Ao eliminar-se, deixa de se pôr a questão?
Tornará o acordo ortográfico utilizáveis por nós livros técnicos traduzidos no Brasil? Não seria muito mais útil procurar uniformizar a linguagem científico-técnica, tão diferente, que se usa de um e outro lado do Oceano do que palavras que não causam confusão nenhuma?
Será tornar uniforme escrever António e Antônio? Como ficará um documento oficial assinado entre ambos os países com essas palavras de grafias duplas? Basta que "acção" deixe de ter "c" e "linguiça" trema para tudo se resolver?
E para que é que andaram a tirar os acentos de "parámos" ou de "jóia"? Muda o som da palavra, e no primeiro caso o sentido. Se "joio" se lê "ô", como é que "joia" não se vai ler da mesma forma, a partir do momento em que o acento desaparece?

segunda-feira, abril 14, 2008

domingo, abril 13, 2008

Um dia, como será? (2)

A letra da canção dos Beatles vem a propósito do programa da Maria Elisa sobre os idosos. O tema toca-me muito, magoa-me demasiado. É um espinho. Vivo-o há uns 15 anos. Não deixará de magoar quando o meu pai, inválido, depois da minha mãe inválida, já cá não estiver. Incomodar-me-á sempre, picará pela memória e pelo medo. Não quero isso para mim nem para mais nenhum dos meus. Não quero a minha velhice assim nem para a minha filha, nem para o meu marido.

Um dia, como será?

When I get older losing my hair
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine
Birthday greetings, bottle of wine

If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four

You'll be older too
And if you say the word
I could stay with you

I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four

Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera Chuck & Dave

Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four.

terça-feira, abril 08, 2008

Declaração

Se o acordo ortográfico que uns iluminados doutores se lembraram de querer adoptar (às vezes acho os linguistas tão abstrusos como os investigadores em ciências da educação...) for avante, recuso-me a escrever uma série de palavras na nova ortografia.

quinta-feira, abril 03, 2008

Ingrid

Nos últimos dias, entre todas as notícias que leio, uma comove-me em especial. A de Ingrid Betancourt, em greve da fome e gravemente doente. A última imagem dela prisioneira, com um ar tão triste e tão digno, ficou-me gravada cá dentro. E agora não sou capaz de deixar de pensar nessa mulher à beira da morte, e a pedir aos céus que ela seja libertada e se salve.

quinta-feira, março 27, 2008

Sobre o que se passa nas salas de aula

Duas observações apenas. Haverá mais quando tiver tempo.

1) Gostava, sinceramente, de ver os que criticam severamente a actuação da professora e que, na maior parte dos casos, nunca devem ter dado uma aula na vida, a aturar, dia após dia, turmas de adolescentes. Gostava de os ver a agir sempre de cabeça fria, racionalmente, sem perderem a paciência e a saberem exactamente o que fazer em todas as circunstâncias. Depois, poderiam falar com conhecimento de causa.

2) Não sei em que escolas terão andado todos quantos dizem que no seu tempo nada de semelhante poderia ter acontecido. No tempo do meu pai, no Porto, há quase 70 anos, os alunos faziam trinta por uma linha com o professor de música. No liceu José Falcão, em Coimbra, há 25 ou 30 anos, lembro-me bem do mau comportamento da minha turma do 9º ano. De um colega que chegou a picar o professor de Matemática com o compasso, da risota com a professora de Inglês e os seus penteados, da professora de Química que faltava só para não aturar aquela turma tão difícil. Ah, e do ratinho branco que um colega levava para as aulas, e que passeava pelas carteiras de todos nós sem nenhum professor dar por ela.

terça-feira, março 18, 2008

Por um Tibete livre


Tirado daqui. Amanhã, a partir das 18h30, há uma manifestação frente à embaixada da China (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa).

quinta-feira, março 13, 2008

terça-feira, março 11, 2008

52


Já não há protagonistas que possam comemorar este dia. Mas eu lembro-me sempre do que ele significa. Com muita, imensa saudade.

segunda-feira, março 10, 2008

O país real

Ver aqui o calvário de quem não mora nas cidades do litoral e tem problemas de saúde.
Às vezes (tantas, demasiadas) tenho vergonha do meu país e até dos meus privilégios, que nada fiz para merecer - devo-os aos meus avós, vindos do interior para as cidades do litoral já lá vão muitas décadas.

domingo, março 09, 2008

Na primeira linha

Nos últimos tempos, duas pessoas de idade familiares de quem me é próximo faleceram. Octogenários de saúde frágil, ambos se foram apagando, a pouco e pouco. A sua partida deste mundo não era nada que não se esperasse. No entanto, porque é que a morte nos apanha sempre desprevenidos e nos custa tanto ver partir aqueles cujos cabelos, há tanto tempo brancos, nos deviam ter ido preparando para tal? Porque é que o seu desaparecimento mexe connosco, mesmo quando não estávamos ligados a elas por fortes laços de afecto nem participávamos do seu quotidiano?
É sempre um pouco da nossa vida que termina com eles. Não mais, em certos sítios, em certas circunstâncias, essa pessoa estará presente. Aos poucos, desaparecem os figurantes das nossas vidas, aqueles que há muito as enquadravam, que faziam parte do cenário. Deixam de lá estar e o nosso mundo transforma-se - e, nessa transformação, esvazia-se. Enche-se também, é claro: novos figurantes entram em cena; mas faltam aqueles outros que lá estavam. Um dia, também nós desapareceremos. Ficamos nós na linha da frente. Passamos a ocupar o lugar da geração que nos precedeu. Este não é um pensamento confortável.

quarta-feira, março 05, 2008

Assinado: Mãe

Gosto de assinar "Mãe" quando escrevo à minha filha. Em todos os outros mails, cartas e bilhetes, é o nome que escrevo no final, completo ou abreviado consoante o destinatário. Para ela, assino só "Mãe". E fico sempre a olhar para aquela assinatura, a que só ela tem direito. Faz-me sentir diferente - e orgulhosa. Como se assinar desta forma me investisse na maternidade, me desse uma consciência renovada de ser mãe, e do que isso significa e acarreta para mim.

terça-feira, março 04, 2008

Vamos?

De novo as Grenadines. E a vontade de largar uma vida de stress e procurar alternativas mais saudáveis, que me deixem tempo para respirar.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A (des)propósito de oscares e de homens bonitos


I've got my own George Clooney (mas a foto é a do outro).

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Gestos

Matinais. Maquinais. Não os penso. Executam-se sozinhos. Já se sabem de cor. E eu posso dormir um pouco mais, por dentro. Pernas, braços, mãos, pés estão despertos, mas eu não.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Projecto

É assim que nos quero, um dia, quando envelhecermos.


Não gosto do Dia dos Namorados, mas gosto desta música - e de ti.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O enjoo do trabalho continua. Como se mantém a vontade de ler - o que não tenha a ver com o trabalho, claro.
Toca a música de Rodrigo Leão. Ao contrário do habitual, não me ajuda a concentrar. Mas tenho tanto, tanto que fazer...
Não me apetece trabalhar. Tenho vontade de mergulhar num bom livro, de o levar para os bancos do jardim aqui ao lado, e aproveitar o sol que este estranho Inverno nos oferece.
Disse. Agora vou trabalhar.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

13 anos


Está do meu tamanho, ameaçando rapidamente ultrapassar-me. Calça o mesmo número que eu. Demora horas no banho e passa outras tantas diante do espelho. É um castigo fazê-la ir para a cama, outro para a arrancar dela a cada manhã (desde que não seja fim-de-semana: então é capaz de acordar alegremente às 8h). Deixou de brincar com bonecas, é fã do Dr. House e suspira pelo Johnny Depp. Dá respostas tortas e sabe ser terrivelmente sarcástica. Tem um espírito crítico desesperante e um sentido de humor imenso. É doce e meiga, e continua a ter os olhos e o sorriso mais lindos do mundo. Enche-me de orgulho com as notas que tem na escola. Vêm-me as lágrimas aos olhos quando a vejo dançar. É o meu amor maior que todos, presente no meu coração a cada segundo. Há 13 anos, tive-a pela primeira vez nos braços. Muitos parabéns, minha filha querida.

domingo, janeiro 27, 2008

Sobre o SNS (2)

Durante anos, foram várias as vezes em que tive de acompanhar às urgências ora a minha mãe, ora o meu pai, tanto no Centro Hospitalar de Coimbra como nos HUC. Em geral, iam lá com conhecimento do médico assistente deles; havia, portanto, um contacto, sabiam que iam encontrar uma cara amiga e conhecida que os acompanharia ou, pelo menos, os viria cumprimentar. Dado o estado de saúde de ambos, eu era autorizada a entrar com eles, para poder explicar o que se passava, pois eles não o podiam fazer. Por isso vi - e ficou gravado cá dentro, para sempre, tudo o que vi. Nos Covões, à época com urgências em péssimas instalações, tão deprimentes que fariam qualquer pessoa sentir-se pior. Nos HUC, espaços mais modernos, mas uma maior frieza humana. Macas pelos corredores fora. Velhinhos sem saberem onde estavam e sem ninguém que lhe desse uma palavra amiga. Auxiliares resmungões. Enfermeiros e médicos ocupados, sem tempo para darem atenção a quem, à espera, precisasse de ajuda. Horas passadas sem explicações. Horas de uma solidão agravada pelo medo da doença. Horas de dor que mandei para o fundo da minha memória, mas cuja recordação me ocorre agora, ao ver as notícias sobre o senhor que em Aveiro caiu da maca sem ninguém se aperceber, ou o outro que foi mandado nu para casa. Numa dessas minhas idas às urgências, uma velhinha completamente desorientada só não se atirou da maca abaixo porque a impedi de se levantar.
Faltam nos nossos hospitais, nas nossas urgências, calor humano e ternura.

sábado, janeiro 26, 2008

Sobre o SNS

Em tempo de contestação à política de saúde do governo, vou tentar deixar aqui o testemunho das minhas experiências no serviço nacional de saúde. São testemunhos de uma privilegiada, porque beneficiária de um subsistema de saúde que me permite fazer muitos exames comparticipados em serviços privados, e porque nunca recorri aos serviços dos médicos de família. E por aí posso começar - porque é que nunca fui à minha médica de família.
Pouco tempo depois de mudar de casa, há uns 15 anos, num mês de Agosto em que o meu médico (particular) habitual estava de férias, arranjei uma faringite. Era uma situação recorrente, e sabia que, pela forma como a coisa estava a avançar (com dores de garganta crescentes que já tinham chegado ao ponto de me impedir de engolir), teria de tomar um antibiótico. Como não quis automedicar-me, nem ir às urgências do hospital por não ser um caso muito grave, resolvi ir ao meu novo centro de saúde, inscrever-me nele e tentar arranjar uma consulta. Havia uma médica ainda com vagas que podia tornar-se a minha médica de família. Ela estava no centro, estava a acabar as consultas do dia, mas só me podia atender na semana seguinte. Note-se que eu só precisava de um médico que olhasse para a minha garganta e me receitasse o antibiótico necessário. Mas no meu centro não havia serviço de urgência, e a médica não tinha a obrigação de me atender, pelo que o não fez. Saí dali disposta a ir para o hospital; antes, porém, passei numa farmácia conhecida, olhando para a prateleira reconheci o nome do antibiótico que tinha já tomado para o mesmo mal uns meses antes, e a farmacêutica vendeu-mo, mesmo sem receita, depois de lhe ter contado o que se passara. A faringite passou. Eu não voltei a tentar marcar uma consulta com a minha médica de família e só fui ao centro de saúde por causa de vacinas.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Amor é...

... sentir-me em casa aconchegada nos braços de quem se sente em casa aconchegado nos meus.

(Respondendo ao desafio da Vague)

Para quebrar o silêncio

O Natal passou, o final do ano idem aspas, e o blog continua deixado ao abandono porque não há tempo para lhe dedicar. Muitos posts foram escritos mentalmente, mas não passaram da mente. Nas prendas de Natal não encontrei nenhum pacote cheio de tempo para blogar, e 2008 vai (já está a) ser um ano carregado de trabalho.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Feliz Natal



A imagem é bastante má, a música faz-me regressar aos tempos de infância, quando ouvia esta e outras cantigas de Natal enquanto fazia o presépio e colocava, junto às palhinhas do Menino Jesus, os cordeiros mais pequeninos do imenso rebanho de barro. Era uma das minhas músicas preferidas, e tem a imensa vantagem relativamente a outras de lembrar o que se comemora nestes dias: o nascimento de Jesus.
Um Feliz Natal para todos. Feliz, acima de tudo, nos nossos corações.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Mais cenas da vida com um cão

Entramos em casa. Vejo, na cozinha, o caixote de lixo aberto. No chão, três manchas e uns restos de ossos. Sobre o tapete da sala, outros vestígios de que algo inusitado se passara. No cesto do (único) suspeito, a prova do crime: um belo osso de anca de perú. Perante a acusação, o culpado não tentou desculpar-se e recolheu ao cesto, cabisbaixo. Nós escondemos a vontade de rir até ele cumprir o castigo.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Pequeno desabafo

Gostava de não me sentir tão cansada. De me sentar diante do computador e ser capaz de trabalhar, como tanto preciso de fazer, em lugar de os olhos se recusarem a fixar-se no écran e pedirem descanso.

terça-feira, novembro 20, 2007

Para ti

Hoje queria um dia azul, livre, só para estar contigo. Não tenho o dia livre, não está um céu azul, não estou só contigo. Mas o dia é teu, na mesma. Como todos os meus dias passaram a ser teus, e os teus passaram a ser meus. Este em especial: muitos parabéns.

sexta-feira, novembro 16, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Justiça árabe

Ler esta notícia revoltou-me até às entranhas.
O caso pode-se resumir a isto: uma mulher saudita foi violada por um grupo de assaltantes que se aproximou do carro onde ela estava com um homem. A vítima foi condenada a 90 vergastadas por estar num carro sozinha com um homem com quem não era casada. Tendo apelado da sentença, viu-a agravada, acabando condenada a 6 meses de prisão e a 200 chicotadas.
Não, não me peçam respeito pela cultura, tradição e sei lá que mais de um povo que julga assim uma mulher.

segunda-feira, novembro 05, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

Blogs solidários


Quebro sempre correntes que me cheguem por mail, blog ou outra via. Refiro esta apenas para agradecer ao Cap a minha nomeação como blogger solidária. Mas, fiel à minha embirração por cadeias, não nomeio outros blogs - passo o testemunho remetendo para Mumemo, de novo (como mais alguém já fez, aliás; obrigada pela divulgação!). Mais informações que me chegaram entretanto dizem-me que a Irmã Susana integrou na creche muitas crianças novas que ainda não têm padrinhos, e precisam de apoio, pois são meninos órfãos ou cujas famílias vivem com imensas dificuldades.
Ser padrinho custa pouco. Bastam 130€ por ano (dedutíveis para efeitos de IRS) para garantir a comida e o vestuário de um menino de Mumemo, e até o seu alojamento se for necessário. Podem associar-se várias pessoas para apadrinhar uma mesma criança, dividindo-se assim a despesa. Veja como fazê-lo aqui.

domingo, outubro 21, 2007

Notícias de Mumemo

Nestes anos de blogosfera, houve muitos momentos fortes e tocantes. Um dos mais especiais foi um projecto de solidariedade, o Proximizade, que me deu a conhecer a Apoiar e Mumemo.
O Proximizade acabou, mas as necessidades de Mumemo não. Por isso, deixo aqui as notícias e as fotos que acabam de me chegar desse cantinho de Moçambique.



Foi em 2005 que tomei conhecimento desta instituição. Desde então, o centro infantil Madre Maria Clara aumentou o número de crianças que acolhe de 110 para 350, e, como as fotografias mostram, já não se vêem barrigas inchadas e olhos tristes, mas caras alegres e saudáveis de meninos bem alimentados. 200 deles frequentam as aulas na creche e os 150 mais velhos andam na escola primária do ensino oficial. A creche dá de comer a todos e conta agora com 12 educadoras, 1 senhora para limpeza, 1 cozinheira e 1 ajudante.
O dinheiro enviado pelos padrinhos cobre as despesas de alimentação, vestuário e fardas das crianças e o pagamento de ordenados do pessoal, dando também para sustentar o lar de órfãos recentemente inaugurado, onde já habitam 45 crianças.
Os links estão no post, sigam-nos e colaborem. Há crianças que agradecem.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Fourty something

Com os 40, as maleitas aparecem mesmo. Ele é o colesterol que nunca se tinha manifestado, as varizes que surgem que nem cogumelos depois da chuva, as noitadas que deixam sequelas, as digestões difíceis do que dantes nem se dava por se ter comido, as costas que doem, a coluna que entorta... Se calhar, é a maneira de o nosso corpo nos obrigar a dar-lhe atenção e a diminuir a quantidade de parvoeiras que exigimos dele anos a fio. Mas não tem piada, seja como for. Custa sentir que se está a deixar de ser jovem. (Assim, "está a deixar"; porque "deixou" faz sentir ainda pior; mesmo não tendo eu nem metade das mazelas acima indicadas).

quinta-feira, outubro 04, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

Duas notícias

Nos últimos dias, duas notícias chocaram-me especialmente. A total falta de tempo adiou a referência a elas; aqui ficam agora.

Uma, a de uma bomba que explodiu no exacto sítio onde estive menos de um mês antes, no Parque do Sultão, na capital das Maldivas, ferindo turistas que ali estavam como nós estivemos, felizes e despreocupados numas férias que prometiam ser paradisíacas - as nossas foram-no, as deles ficaram ensanguentadas por um atentado bombista. Um casal inglês em lua-de-mel ficou com queimaduras em grande parte do corpo. Podiamos ter sido nós.

A outra, a do que se passa na Birmânia. A força de um exército contra manifestantes pacíficos, a suspeita da morte de mais um milhar de pessoas, sobretudo monges. Mas a Birmânia fica longe, não está no centro das atenções, nem creio que tenha petróleo ou outros recursos que importem...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Notável

Consegui chegar até hoje sem ouvir nenhum dos candidatos à liderança do PSD dizer o que quer que seja.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Erros imperdoáveis

Costumo ler o DN e o Público on-line. Os pontapés à ortografia e as gralhas acumulam-se de uma forma espantosa. Hoje, na notícia do DN (não assinada) sobre a fotografia de uma menina loura em Marrocos que a Interpol está a analisar, por duas vezes se confunde "à" com "há".

terça-feira, setembro 25, 2007

Annie's song

You fill up my senses like a night in a forest
Like the mountains in springtime, like a walk in the rain
Like a storm in the desert, like a sleepy blue ocean
You fill up my senses, come fill me again.

Come let me love you, let me give my life to you
Let me drown in your laughter, let me die in your arms
Let me lay down beside you, let me always be with you
Come let me love you, come love me again.

You fill up my senses like a night in a forest
Like the mountains in springtime, like a walk in the rain
Like a storm in the desert, like a sleepy blue ocean
You fill up my senses, come fill me again.

John Denver

sábado, setembro 22, 2007

Reflexões ao final de uma tarde de sol

É curioso como bastam certos sons ou cheiros para o passado se fazer presente. Os risos, gritos e sons de bolas a bater nas balizas que entram pela varanda aberta evocam as imensas horas de trabalho sentada a esta secretária, nesta casa que deixou de ser o meu lar e onde só volto de passagem. Engraçado: são recordações felizes, apesar de esses tempos não poderem ser considerados como tal. O crivo da memória guardou apenas o lado bom? Talvez, mas não só. Acho que passa pela reconciliação com o passado, que permite voltar a ele sem mágoa e ver o melhor que teve; olhar para o passado sem filtros nem cor-de-rosa, nem negros.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Pontes de Paris


(foto daqui)

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure...

G. Apollinaire, Alcools (1912)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Fotos de férias (3)

Mar habitado por golfinhos que brincam às escondidas com a máquina fotográfica.

sábado, setembro 15, 2007

Fotos de férias (2)


Outro mar, noutras paragens.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Fotos de férias (1)




O mar, algures numa praia algarvia quase deserta, num final de tarde de Agosto.

sábado, setembro 08, 2007

sábado, agosto 25, 2007

quinta-feira, julho 26, 2007

Políticas de incentivo à natalidade

Cálculo do que vou gastar em livros escolares no próximo ano lectivo: 200€. Fora cadernos, lápis, esferográficas, borrachas, afiadeiras, etc, etc, etc.

sexta-feira, julho 20, 2007

Para mais tarde recordar

Os três e o cão no campo de jogos. Ele na trotinete, com o cão atrás. Elas nos patins, a amiga a ensinar a minha filha a andar sobre rodas. Equipada com joelheiras, cotoveleiras e capacete (mas sem protecção traseira, que faz falta), ainda se desequilibra, mas está feliz a aprender. Os trambolhões de ontem não a fizeram desistir. Ouço os gritos contentes que me chegam pela janela aberta. Sorrio e penso no tempo que já passou desde os primeiros "momentos Kodak" que deixei registados em blog.

quarta-feira, julho 11, 2007

Coisas que a gente aprende...

... ao consultar a cronologia dos reis de Portugal nas Páginas Oficiais da Casa Real Portuguesa.
Nunca soube os cognomes dos reis da 4ª Dinastia. Fiquei a saber que o D. Pedro II foi "o pacífico", D. Pedro IV "o rei soldado", D. Miguel "o tradicionalista", D. Carlos "o martirizado", e que o pobre D. Manuel II, não lhe bastasse já ter sido deposto e mandado para o exílio, levou com a piroseira de "o rei saudade".

quinta-feira, junho 21, 2007

1,1%

Uma parte dessa pequeníssima percentagem de alunos com Muito Bom na prova de aferição de Português do 6º ano mora aqui.
(Sim, estou orgulhosa, e não resisti a deixar esta nota. Acho que quem a ler perdoará e compreenderá a minha vaidade.)

domingo, junho 10, 2007

quarta-feira, maio 16, 2007

Harmonia

Segundo o Priberam:

s.f.
conjunto agradável de vários sons; arte, ciência de dispor os acordes; acordo perfeito entre várias partes de um todo; coerência; simetria; regularidade; suavidade e sonoridade de estilo.

fig.
paz, entre as pessoas; entendimento; concordância, conformidade.

quinta-feira, maio 10, 2007

Só para tirar o post de baixo

Estou farta de ver aqui o post de baixo. Se bem que se mantém actual: nada foi devidamente esclarecido. Por isso, escrevo umas linhas. Mas não tenho tempo para blogar - não tenho tempo nenhum. Ou falaria do nó no estômago que tenho a cada vez que penso no que sentirão os pais da menina desaparecida. Do vómito que me dão as notícias (notícias?) histéricas sobre o assunto. Da minha filha que aqui ao lado, na cozinha, faz panquecas sozinha. Da Primavera exuberante que, de repente, irrompeu no terreno em frente a casa, enchendo o baldio de flores. De um pé amolgado. De um cão deitado aos meus pés. Da multiplicação da roupa para lavar e pôr a secar. Do eterno agradecimento que me merece o inventor da máquina de lavar roupa.
Mas não tenho tempo. E o blog fica assim, ao abandono. Pelo menos, sem o post anterior no topo.

quarta-feira, abril 18, 2007

Dias perplexos

Não consigo perceber nada deste folhetim que já fede dos percursos académicos do nosso PM. Acompanho a questão com os olhos arregalados de espanto. Ando perplexa com este país de opereta onde não sei por que carga de água nasci.

quarta-feira, abril 04, 2007

Mais dias calados

Páscoa Feliz para todos - a minha será longe da rotina, do computador, daqui.

domingo, março 25, 2007

Os grandes portugueses

Este concurso é absolutamente idiota. Comparar Aristides de Sousa Mendes com D. Afonso Henriques não faz o menor sentido, e fazer documentários a tentar provar que cada um dos candidatos é melhor do que o outro é no mínimo imbecil.
Se aproveitassem a ideia do concurso para fazer bons programas sobre figuras importantes da nossa história, objectivos e não apologéticos, podia ser interessante e educativo. Assim, não.

quinta-feira, março 22, 2007

Sobre engenheiros e doutores

O meu ex-marido era licenciado numa área de Ciências em que existe o curso de engenharia. Várias pessoas o tratavam por "sr. engenheiro", coisa que ele corrigia imediatamente, pois o título a que tinha direito como licenciado era o de "sr. dr.".
José Sócrates, sendo possuidor de uma licenciatura, tem o direito (creio eu) a ser chamado "sr. dr.". Não pode é ser chamado "sr. engenheiro" sem estar inscrito na ordem dos engenheiros. Não foi agora, por certo, que o descobriu. Nem foi por certo ingenuamente que se deixou tratar dessa forma ao longo dos anos. O título de engenheiro é um bom cartão de visita, neste nosso país, mas não deve ser usado por quem não o possui. Sobretudo quando se é primeiro-ministro.

Cenas da vida de um cão de família

Há meses que não faz chichis fora do sítio, e a porta do meu quarto passou a estar aberta com mais frequência. Quando dá por ela, entra e instala-se. O fundo da cama é o seu local predilecto.

Quando comemos, salta para a cadeira vaga, coloca a ponta do focinho em cima da mesa e observa. Lambe os beiços, olha-nos com ar esperançoso, mas não pede nada: observa. No final da refeição, salta para o chão e vai comer a sua comida.

Lança-nos olhares ofendidos quando é hora de ir dormir e lhe vedamos o acesso à zona dos quartos. Por vezes fica a ganir, sobretudo quando percebe que ainda estamos acordados e não o deixamos estar connosco. De manhã, recebe-nos em júbilo, pulando como uma bola peluda feliz.

quinta-feira, março 15, 2007

quarta-feira, março 14, 2007

segunda-feira, março 05, 2007

Amor em paz

Hoje tive uma boa surpresa, ao abrir o Memória Virtual e descobrir uma das músicas de que mais gosto: Amor em paz, na voz da Paula Morelenbaum. Há quanto tempo a não ouvia! Obrigada, Leonel :-)

Sapices

Não há como ficar com um Sapo sem pio para ter vontade de postar.
(E para ter vontade de mudar de fornecedor de net, já agora também).

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Desoras e aniversários

Continuando o post anterior: há coisas que só como coruja fazia. Por exemplo, escrever no blog. Suspeito que, se fizesse um estudo estatístico das horas a que já postei, o serão e a madrugada ganhariam com larga vantagem. Aliás, o meu primeiro post foi escrito a desoras, mais precisamente às 2h53. No dia 18 de Fevereiro de 2004, fez há dias três anos sem que eu desse por ela - assim ando eu, tão pouco atenta ao mundo blogosférico que esqueço uma data muito mais marcante do que alguma vez eu poderia ter pensado quando me apeteceu ter um blog.
A todos quantos tiveram a pachorra de me aturar ao longo de todo este tempo, e que continuam a vir aqui espreitar apesar do pouco que escrevo agora, muito obrigada!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Oceano Pacífico

A cada vez que tenho o rádio sintonizado na RFM e ouço o genérico do Oceano Pacífico, sorrio. Recordo longos serões a estudar para as frequências. Horas e horas em torno de folhas e livros, acompanhada pelas músicas calmas de um programa tranquilo. Vinte anos depois, o programa continua igual - e eu continuo a passar serões rodeada de livros e folhas. Apesar de as noitadas terem terminado e a coruja em que me tinha transformado ter sido substituída por um pássaro (demasiado) madrugador.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

S. Valentim



Porque "each day is valentines day"...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Crescer

Hoje quem fez o almoço foi a minha filha. É giro!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Não

No dia 11, voto “não” no referendo.
Não, não considero o aborto um direito da mulher.
Não, não quero que o aborto seja livre a pedido da mulher, sem razões ponderosas que o justifiquem e que já estão, a meu ver, contempladas na actual lei.
Não, não percebo o limite das 10 semanas previstas na pergunta que nos é colocada no referendo. 10 semanas desde a data da última menstruação? 10 semanas de gravidez efectiva? Porquê 10 semanas, em qualquer dos casos? Ainda não consegui encontrar razões científicas que justifiquem a escolha desse prazo. Aliás, no anterior referendo não se pugnava por um limite de 12 semanas? Porquê o recuo para menos duas semanas?
Não, não percebo a lógica de considerar que o “sim” à pergunta do referendo resolverá o problema do aborto clandestino em Portugal. Às 11 semanas um aborto continuará a constituir um crime pelo qual a mulher deverá ser punida: desejam os apoiantes do “sim” que a mulher que o faça vá para a prisão? Diz a pergunta que ela só poderá abortar em estabelecimento de saúde autorizado – e se o fizer no vão da escada, ainda que dentro do prazo das 10 semanas, irá a julgamento e será presa e isso será aplaudido?
Não, não sou insensível aos problemas sociais que o aborto envolve. Sou até por demais sensível ao que defende, por exemplo, a Drª Maria de Belém Roseira e ao argumento de que só trazendo o aborto para a legalidade é que se pode atacá-lo, criando um sistema de apoio às mulheres que passará por esclarecimentos, consultas, etc. Mas não sei se um tal sistema será implementado em Portugal (o governo faz contas sobre quanto custariam os abortos e quantos se poderiam fazer, mas não abre a boca sobre o que pretende verdadeiramente implementar caso vença o “sim”).
Não, não percebo porque é que, com a actual lei (tão parecida com a espanhola) não existe um tipo de apoio à mulher grávida em situação de tal forma complicada que não veja como pode levar em frente a gravidez – não se enquadrará isso dentro do que na lei está previsto de danos para a saúde física ou psíquica da mulher? Não será possível melhorar a lei existente, melhorar a sua aplicação, sem se liberalizar o aborto a pedido como agora se pretende?
Resumindo e concluindo: não, não consigo olhar para a questão do aborto apenas do lado da mulher que não deseja a gravidez. Vejo também o das crianças que não chegarão a nascer e que são vida humana, única e irrepetível. E está dentro de mim, escrito a letras indeléveis, “Não matarás”.
Perguntam-me no referendo: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?” Eu, em consciência (e depois de muito pensar, repensar, ouvir, discutir, pesar todos os argumentos), só posso responder que não, não concordo.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

12 anos



144 meses
4382 dias
105168 horas

Todos esses meses, todos esses dias, todas essas horas foram passadas contigo no coração. Muitos parabéns, filha querida! E que eu saiba e possa continuar a estar ao teu lado e a ajudar-te a teres força nas asas que começas a saber usar sozinha, para que voes bem alto e eu te veja e me orgulhe sempre de ti.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Donos precisam-se

Acabo de receber dois mails a pedir donos para uma ninhada de cachorrinhos encontrados na rua com a mãe, assim como para uma cadelinha rottweiller de dez meses cuja dona tem de deixar por ir viver para o estrangeiro e que é meiga, obediente e está habituada a viver num apartamento.
Ficam as fotos dos rafeiritos e da mãe (não consigo publicar as fotos da cadelinha, quem quiser pode pedir-mas por mail nos comentários) e os contactos para o caso de alguém se interessar.
Para os rafeiritos: 939314939 ou 966611919
Para a cadelinha: 919273181





quarta-feira, janeiro 24, 2007

Momento notável

O meu teimosíssimo cão obedeceu, sem ser necessário repetir uma dúzia de vezes nem dar-lhe uma pequena ajuda, à ordem "Deita". Por três vezes.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Coisas pouco comuns

Um motorista de táxi com o rádio sintonizado na Antena 2.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Para mais tarde recordar

Vejo-a da janela. Corre com o cão ao lado pelo jardim, felizes os dois. Está grande, a minha pequenina, praticamente tão alta como eu. Quando a abraço, já não tenho de me dobrar sobre ela; pelo contrário, é ela quem dobra o pescoço para apoiar a cabeça no meu ombro. O seu corpo é já o de uma mulherzinha.
Corre com o cabelo ao vento, feliz. Vejo-a da janela e verifico, uma vez mais, que não dei pelo passar do tempo.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Ocasiões em que gostava de não ter (bom) olfacto

Dentro de um expresso da rodoviária atulhado de gente, e com um vizinho de banco enorme e... mal cheiroso.

sábado, janeiro 13, 2007

Primeiro contam-se as semanas, até se chegar a um mês. Passa-se então a contar os meses, até ao ano. De seguida, esquecem-se as contagens, recordam-se quando muito os meios anos. Não por deixar de haver motivos de celebração. Talvez por se ter atingido uma espécie de velocidade de cruzeiro?

quarta-feira, janeiro 10, 2007

TLEBS

Tenho acompanhado com a atenção possível e muita apreensão o que se tem escrito sobre a TLEBS. A apreensão aumenta depois de ler o último post do Francisco José Viegas sobre o assunto.
Quando eu andava na escola, aprendi uma gramática esquisita, em que havia sintagmas e diagramas que pareciam árvores. Nunca me serviu de nada para escrever ou interpretar melhor um texto. Não me ajudou a compreender melhor o funcionamento da língua; acho que apenas me serviu para me enfadar.
O que me serviu, e de muito, foi a gramática tradicional, que aprendia, em simultâneo, nas aulas de francês fora do ensino oficial. Aí sim, aprofundei o que tinha começado a ser ministrado na escola primária (feita até à 3ª classe antes do 25/4, note-se); sabia quais as funções das palavras nas frases, sabia dividir orações, etc, etc, etc. Sem isso, não teria aprendido francês correctamente nem teria percebido alguma coisa da gramática latina.
Ensinem nas escolas noções básicas de gramática. Expliquem aos alunos o que são sujeitos, predicados, complementos directos, indirectos, circunstanciais, etc. Ensinem a aplicar correctamente a pontuação. Usem o bom senso, e os resultados em português serão melhores!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Começando 2007

Photobucket - Video and Image Hosting

Adeus a 2006

Pondo em ordem a casa

1) Escolher um template: só podia ser este, claro!

2) Arranjar a barra da direita: mudar o que vem de origem e reduzir ao mínimo. Sem links, porque não tenho tempo nem pachorra para isso, como a lista vergonhosamente desactualizada do "Um pouco mais de azul" bem demonstra.

3) O lema do blog é diferente do anterior. Antes, era "O meu blog. Porque me apetece". Agora, é "O meu blog. Quando me apetece". Não prometo a menor assiduidade na escrita: vai ser mesmo quando me der na veneta, ao sabor do pouco tempo de que disponho para estas lides.

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, dezembro 31, 2006

Way to blue



Don't you have a word to show what may be done
Have you never heard a way to find the sun
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Won't you come and say
If you know the way to blue?

Have you seen the land living by the breeze
Can you understand a light among the trees
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Tell us all today
If you know the way to blue?

Look through time and find your rhyme
Tell us what you find
We will wait at your gate
Hoping like the blind.

Can you now recall all that you have known?
Will you never fall
When the light has flown?
Tell me all that you may know
Show me what you have to show
Won't you come and say
If you know the way to blue?

Nick Drake, Way To Blue