Não dei por ele entrar. Senti algo húmido nas mãos, olhei e vi um focinho peludo e pedinchão a olhar para mim. Afastei ligeiramente a cadeira. Saltou, lambeu-me e instalou-se-me no colo. Aqui está há mais de um quarto de hora, imóvel.
segunda-feira, abril 28, 2008
Dias azuis
Cheios de sol, de luz, de mar. Cheios de tempo a passar devagarinho, de pôr do sol, ondas, gaivotas, fotografias, horas passadas a ler. Cheios de beijos, abraços, mãos enlaçadas e harmonia.
sexta-feira, abril 18, 2008
Não podes ausentar-te, amor
Sais por uns dias sem mim. E o que acontece enquanto não estás? O teu Benfica perde 5 a 3. O tempo torna-se um caos, com chuva intensa, vento e frio. O meu computador manda à vida o segundo carregador e vai para a assistência técnica. Luís Filipe Menezes demite-se. O fulano que apareceu para salvar o Boavista é levado por agentes da Polícia Judiciária. Não voltes a sair sem mim, meu amor. E ainda bem que já estás mesmo a chegar, ou sei lá que mais poderia acontecer.
PS - Aconteceu mais uma: juro que ouvi na rádio a criatura Ribau (como li algures, não me recordo onde) a dizer que os problemas da liderança do PSD tinham de ser resolvidos depressa, pois em Junho tinhamos de estar todos unidos a torcer pela selecção nacional no Europeu.
terça-feira, abril 15, 2008
Acordo?
Devo ser eu que não entendo, mas será que a principal diferença entre um texto escrito em português de Portugal e outro em português do Brasil é o "c" de acção ou o "¨" de linguiça? Ou será antes a forma de construção das frases, a utilização do gerúndio, uma série de palavras com sentido diferente e, mais do que tudo, a forma de incorporar na língua as palavras estrangeiras?
O que fará o acordo relativamente a palavras tão diferentes como "hormona" e "hormônio"? Tira-se o acento circunflexo e fica tudo resolvido? E quanto ao género de "trema", que nós dizemos no masculino e que tenho lido no feminino em textos brasileiros a propósito da queda desse sinal? Ao eliminar-se, deixa de se pôr a questão?
Tornará o acordo ortográfico utilizáveis por nós livros técnicos traduzidos no Brasil? Não seria muito mais útil procurar uniformizar a linguagem científico-técnica, tão diferente, que se usa de um e outro lado do Oceano do que palavras que não causam confusão nenhuma?
Será tornar uniforme escrever António e Antônio? Como ficará um documento oficial assinado entre ambos os países com essas palavras de grafias duplas? Basta que "acção" deixe de ter "c" e "linguiça" trema para tudo se resolver?
E para que é que andaram a tirar os acentos de "parámos" ou de "jóia"? Muda o som da palavra, e no primeiro caso o sentido. Se "joio" se lê "ô", como é que "joia" não se vai ler da mesma forma, a partir do momento em que o acento desaparece?
O que fará o acordo relativamente a palavras tão diferentes como "hormona" e "hormônio"? Tira-se o acento circunflexo e fica tudo resolvido? E quanto ao género de "trema", que nós dizemos no masculino e que tenho lido no feminino em textos brasileiros a propósito da queda desse sinal? Ao eliminar-se, deixa de se pôr a questão?
Tornará o acordo ortográfico utilizáveis por nós livros técnicos traduzidos no Brasil? Não seria muito mais útil procurar uniformizar a linguagem científico-técnica, tão diferente, que se usa de um e outro lado do Oceano do que palavras que não causam confusão nenhuma?
Será tornar uniforme escrever António e Antônio? Como ficará um documento oficial assinado entre ambos os países com essas palavras de grafias duplas? Basta que "acção" deixe de ter "c" e "linguiça" trema para tudo se resolver?
E para que é que andaram a tirar os acentos de "parámos" ou de "jóia"? Muda o som da palavra, e no primeiro caso o sentido. Se "joio" se lê "ô", como é que "joia" não se vai ler da mesma forma, a partir do momento em que o acento desaparece?
segunda-feira, abril 14, 2008
domingo, abril 13, 2008
Um dia, como será? (2)
A letra da canção dos Beatles vem a propósito do programa da Maria Elisa sobre os idosos. O tema toca-me muito, magoa-me demasiado. É um espinho. Vivo-o há uns 15 anos. Não deixará de magoar quando o meu pai, inválido, depois da minha mãe inválida, já cá não estiver. Incomodar-me-á sempre, picará pela memória e pelo medo. Não quero isso para mim nem para mais nenhum dos meus. Não quero a minha velhice assim nem para a minha filha, nem para o meu marido.
Um dia, como será?
When I get older losing my hair
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine
Birthday greetings, bottle of wine
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
You'll be older too
And if you say the word
I could stay with you
I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera Chuck & Dave
Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four.
Many years from now
Will you still be sending me a Valentine
Birthday greetings, bottle of wine
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
You'll be older too
And if you say the word
I could stay with you
I could be handy, mending a fuse
When your lights have gone
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride
Doing the garden, digging the weeds
Who could ask for more
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four
Every summer we can rent a cottage
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera Chuck & Dave
Send me a postcard, drop me a line
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four.
terça-feira, abril 08, 2008
Declaração
Se o acordo ortográfico que uns iluminados doutores se lembraram de querer adoptar (às vezes acho os linguistas tão abstrusos como os investigadores em ciências da educação...) for avante, recuso-me a escrever uma série de palavras na nova ortografia.
quinta-feira, abril 03, 2008
Ingrid
Nos últimos dias, entre todas as notícias que leio, uma comove-me em especial. A de Ingrid Betancourt, em greve da fome e gravemente doente. A última imagem dela prisioneira, com um ar tão triste e tão digno, ficou-me gravada cá dentro. E agora não sou capaz de deixar de pensar nessa mulher à beira da morte, e a pedir aos céus que ela seja libertada e se salve.
quinta-feira, março 27, 2008
Sobre o que se passa nas salas de aula
Duas observações apenas. Haverá mais quando tiver tempo.
1) Gostava, sinceramente, de ver os que criticam severamente a actuação da professora e que, na maior parte dos casos, nunca devem ter dado uma aula na vida, a aturar, dia após dia, turmas de adolescentes. Gostava de os ver a agir sempre de cabeça fria, racionalmente, sem perderem a paciência e a saberem exactamente o que fazer em todas as circunstâncias. Depois, poderiam falar com conhecimento de causa.
2) Não sei em que escolas terão andado todos quantos dizem que no seu tempo nada de semelhante poderia ter acontecido. No tempo do meu pai, no Porto, há quase 70 anos, os alunos faziam trinta por uma linha com o professor de música. No liceu José Falcão, em Coimbra, há 25 ou 30 anos, lembro-me bem do mau comportamento da minha turma do 9º ano. De um colega que chegou a picar o professor de Matemática com o compasso, da risota com a professora de Inglês e os seus penteados, da professora de Química que faltava só para não aturar aquela turma tão difícil. Ah, e do ratinho branco que um colega levava para as aulas, e que passeava pelas carteiras de todos nós sem nenhum professor dar por ela.
1) Gostava, sinceramente, de ver os que criticam severamente a actuação da professora e que, na maior parte dos casos, nunca devem ter dado uma aula na vida, a aturar, dia após dia, turmas de adolescentes. Gostava de os ver a agir sempre de cabeça fria, racionalmente, sem perderem a paciência e a saberem exactamente o que fazer em todas as circunstâncias. Depois, poderiam falar com conhecimento de causa.
2) Não sei em que escolas terão andado todos quantos dizem que no seu tempo nada de semelhante poderia ter acontecido. No tempo do meu pai, no Porto, há quase 70 anos, os alunos faziam trinta por uma linha com o professor de música. No liceu José Falcão, em Coimbra, há 25 ou 30 anos, lembro-me bem do mau comportamento da minha turma do 9º ano. De um colega que chegou a picar o professor de Matemática com o compasso, da risota com a professora de Inglês e os seus penteados, da professora de Química que faltava só para não aturar aquela turma tão difícil. Ah, e do ratinho branco que um colega levava para as aulas, e que passeava pelas carteiras de todos nós sem nenhum professor dar por ela.
terça-feira, março 18, 2008
Por um Tibete livre
Tirado daqui. Amanhã, a partir das 18h30, há uma manifestação frente à embaixada da China (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa).
quinta-feira, março 13, 2008
terça-feira, março 11, 2008
52
segunda-feira, março 10, 2008
O país real
Ver aqui o calvário de quem não mora nas cidades do litoral e tem problemas de saúde.
Às vezes (tantas, demasiadas) tenho vergonha do meu país e até dos meus privilégios, que nada fiz para merecer - devo-os aos meus avós, vindos do interior para as cidades do litoral já lá vão muitas décadas.
domingo, março 09, 2008
Na primeira linha
Nos últimos tempos, duas pessoas de idade familiares de quem me é próximo faleceram. Octogenários de saúde frágil, ambos se foram apagando, a pouco e pouco. A sua partida deste mundo não era nada que não se esperasse. No entanto, porque é que a morte nos apanha sempre desprevenidos e nos custa tanto ver partir aqueles cujos cabelos, há tanto tempo brancos, nos deviam ter ido preparando para tal? Porque é que o seu desaparecimento mexe connosco, mesmo quando não estávamos ligados a elas por fortes laços de afecto nem participávamos do seu quotidiano?
É sempre um pouco da nossa vida que termina com eles. Não mais, em certos sítios, em certas circunstâncias, essa pessoa estará presente. Aos poucos, desaparecem os figurantes das nossas vidas, aqueles que há muito as enquadravam, que faziam parte do cenário. Deixam de lá estar e o nosso mundo transforma-se - e, nessa transformação, esvazia-se. Enche-se também, é claro: novos figurantes entram em cena; mas faltam aqueles outros que lá estavam. Um dia, também nós desapareceremos. Ficamos nós na linha da frente. Passamos a ocupar o lugar da geração que nos precedeu. Este não é um pensamento confortável.
É sempre um pouco da nossa vida que termina com eles. Não mais, em certos sítios, em certas circunstâncias, essa pessoa estará presente. Aos poucos, desaparecem os figurantes das nossas vidas, aqueles que há muito as enquadravam, que faziam parte do cenário. Deixam de lá estar e o nosso mundo transforma-se - e, nessa transformação, esvazia-se. Enche-se também, é claro: novos figurantes entram em cena; mas faltam aqueles outros que lá estavam. Um dia, também nós desapareceremos. Ficamos nós na linha da frente. Passamos a ocupar o lugar da geração que nos precedeu. Este não é um pensamento confortável.
quarta-feira, março 05, 2008
Assinado: Mãe
Gosto de assinar "Mãe" quando escrevo à minha filha. Em todos os outros mails, cartas e bilhetes, é o nome que escrevo no final, completo ou abreviado consoante o destinatário. Para ela, assino só "Mãe". E fico sempre a olhar para aquela assinatura, a que só ela tem direito. Faz-me sentir diferente - e orgulhosa. Como se assinar desta forma me investisse na maternidade, me desse uma consciência renovada de ser mãe, e do que isso significa e acarreta para mim.
terça-feira, março 04, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Gestos
Matinais. Maquinais. Não os penso. Executam-se sozinhos. Já se sabem de cor. E eu posso dormir um pouco mais, por dentro. Pernas, braços, mãos, pés estão despertos, mas eu não.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
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