Tirado daqui. Amanhã, a partir das 18h30, há uma manifestação frente à embaixada da China (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa).
terça-feira, março 18, 2008
quinta-feira, março 13, 2008
terça-feira, março 11, 2008
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segunda-feira, março 10, 2008
O país real
Ver aqui o calvário de quem não mora nas cidades do litoral e tem problemas de saúde.
Às vezes (tantas, demasiadas) tenho vergonha do meu país e até dos meus privilégios, que nada fiz para merecer - devo-os aos meus avós, vindos do interior para as cidades do litoral já lá vão muitas décadas.
domingo, março 09, 2008
Na primeira linha
Nos últimos tempos, duas pessoas de idade familiares de quem me é próximo faleceram. Octogenários de saúde frágil, ambos se foram apagando, a pouco e pouco. A sua partida deste mundo não era nada que não se esperasse. No entanto, porque é que a morte nos apanha sempre desprevenidos e nos custa tanto ver partir aqueles cujos cabelos, há tanto tempo brancos, nos deviam ter ido preparando para tal? Porque é que o seu desaparecimento mexe connosco, mesmo quando não estávamos ligados a elas por fortes laços de afecto nem participávamos do seu quotidiano?
É sempre um pouco da nossa vida que termina com eles. Não mais, em certos sítios, em certas circunstâncias, essa pessoa estará presente. Aos poucos, desaparecem os figurantes das nossas vidas, aqueles que há muito as enquadravam, que faziam parte do cenário. Deixam de lá estar e o nosso mundo transforma-se - e, nessa transformação, esvazia-se. Enche-se também, é claro: novos figurantes entram em cena; mas faltam aqueles outros que lá estavam. Um dia, também nós desapareceremos. Ficamos nós na linha da frente. Passamos a ocupar o lugar da geração que nos precedeu. Este não é um pensamento confortável.
É sempre um pouco da nossa vida que termina com eles. Não mais, em certos sítios, em certas circunstâncias, essa pessoa estará presente. Aos poucos, desaparecem os figurantes das nossas vidas, aqueles que há muito as enquadravam, que faziam parte do cenário. Deixam de lá estar e o nosso mundo transforma-se - e, nessa transformação, esvazia-se. Enche-se também, é claro: novos figurantes entram em cena; mas faltam aqueles outros que lá estavam. Um dia, também nós desapareceremos. Ficamos nós na linha da frente. Passamos a ocupar o lugar da geração que nos precedeu. Este não é um pensamento confortável.
quarta-feira, março 05, 2008
Assinado: Mãe
Gosto de assinar "Mãe" quando escrevo à minha filha. Em todos os outros mails, cartas e bilhetes, é o nome que escrevo no final, completo ou abreviado consoante o destinatário. Para ela, assino só "Mãe". E fico sempre a olhar para aquela assinatura, a que só ela tem direito. Faz-me sentir diferente - e orgulhosa. Como se assinar desta forma me investisse na maternidade, me desse uma consciência renovada de ser mãe, e do que isso significa e acarreta para mim.
terça-feira, março 04, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Gestos
Matinais. Maquinais. Não os penso. Executam-se sozinhos. Já se sabem de cor. E eu posso dormir um pouco mais, por dentro. Pernas, braços, mãos, pés estão despertos, mas eu não.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
terça-feira, fevereiro 12, 2008
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
13 anos
Está do meu tamanho, ameaçando rapidamente ultrapassar-me. Calça o mesmo número que eu. Demora horas no banho e passa outras tantas diante do espelho. É um castigo fazê-la ir para a cama, outro para a arrancar dela a cada manhã (desde que não seja fim-de-semana: então é capaz de acordar alegremente às 8h). Deixou de brincar com bonecas, é fã do Dr. House e suspira pelo Johnny Depp. Dá respostas tortas e sabe ser terrivelmente sarcástica. Tem um espírito crítico desesperante e um sentido de humor imenso. É doce e meiga, e continua a ter os olhos e o sorriso mais lindos do mundo. Enche-me de orgulho com as notas que tem na escola. Vêm-me as lágrimas aos olhos quando a vejo dançar. É o meu amor maior que todos, presente no meu coração a cada segundo. Há 13 anos, tive-a pela primeira vez nos braços. Muitos parabéns, minha filha querida.
domingo, janeiro 27, 2008
Sobre o SNS (2)
Durante anos, foram várias as vezes em que tive de acompanhar às urgências ora a minha mãe, ora o meu pai, tanto no Centro Hospitalar de Coimbra como nos HUC. Em geral, iam lá com conhecimento do médico assistente deles; havia, portanto, um contacto, sabiam que iam encontrar uma cara amiga e conhecida que os acompanharia ou, pelo menos, os viria cumprimentar. Dado o estado de saúde de ambos, eu era autorizada a entrar com eles, para poder explicar o que se passava, pois eles não o podiam fazer. Por isso vi - e ficou gravado cá dentro, para sempre, tudo o que vi. Nos Covões, à época com urgências em péssimas instalações, tão deprimentes que fariam qualquer pessoa sentir-se pior. Nos HUC, espaços mais modernos, mas uma maior frieza humana. Macas pelos corredores fora. Velhinhos sem saberem onde estavam e sem ninguém que lhe desse uma palavra amiga. Auxiliares resmungões. Enfermeiros e médicos ocupados, sem tempo para darem atenção a quem, à espera, precisasse de ajuda. Horas passadas sem explicações. Horas de uma solidão agravada pelo medo da doença. Horas de dor que mandei para o fundo da minha memória, mas cuja recordação me ocorre agora, ao ver as notícias sobre o senhor que em Aveiro caiu da maca sem ninguém se aperceber, ou o outro que foi mandado nu para casa. Numa dessas minhas idas às urgências, uma velhinha completamente desorientada só não se atirou da maca abaixo porque a impedi de se levantar.
Faltam nos nossos hospitais, nas nossas urgências, calor humano e ternura.
Faltam nos nossos hospitais, nas nossas urgências, calor humano e ternura.
sábado, janeiro 26, 2008
Sobre o SNS
Em tempo de contestação à política de saúde do governo, vou tentar deixar aqui o testemunho das minhas experiências no serviço nacional de saúde. São testemunhos de uma privilegiada, porque beneficiária de um subsistema de saúde que me permite fazer muitos exames comparticipados em serviços privados, e porque nunca recorri aos serviços dos médicos de família. E por aí posso começar - porque é que nunca fui à minha médica de família.
Pouco tempo depois de mudar de casa, há uns 15 anos, num mês de Agosto em que o meu médico (particular) habitual estava de férias, arranjei uma faringite. Era uma situação recorrente, e sabia que, pela forma como a coisa estava a avançar (com dores de garganta crescentes que já tinham chegado ao ponto de me impedir de engolir), teria de tomar um antibiótico. Como não quis automedicar-me, nem ir às urgências do hospital por não ser um caso muito grave, resolvi ir ao meu novo centro de saúde, inscrever-me nele e tentar arranjar uma consulta. Havia uma médica ainda com vagas que podia tornar-se a minha médica de família. Ela estava no centro, estava a acabar as consultas do dia, mas só me podia atender na semana seguinte. Note-se que eu só precisava de um médico que olhasse para a minha garganta e me receitasse o antibiótico necessário. Mas no meu centro não havia serviço de urgência, e a médica não tinha a obrigação de me atender, pelo que o não fez. Saí dali disposta a ir para o hospital; antes, porém, passei numa farmácia conhecida, olhando para a prateleira reconheci o nome do antibiótico que tinha já tomado para o mesmo mal uns meses antes, e a farmacêutica vendeu-mo, mesmo sem receita, depois de lhe ter contado o que se passara. A faringite passou. Eu não voltei a tentar marcar uma consulta com a minha médica de família e só fui ao centro de saúde por causa de vacinas.
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Para quebrar o silêncio
O Natal passou, o final do ano idem aspas, e o blog continua deixado ao abandono porque não há tempo para lhe dedicar. Muitos posts foram escritos mentalmente, mas não passaram da mente. Nas prendas de Natal não encontrei nenhum pacote cheio de tempo para blogar, e 2008 vai (já está a) ser um ano carregado de trabalho.
terça-feira, dezembro 25, 2007
Feliz Natal
A imagem é bastante má, a música faz-me regressar aos tempos de infância, quando ouvia esta e outras cantigas de Natal enquanto fazia o presépio e colocava, junto às palhinhas do Menino Jesus, os cordeiros mais pequeninos do imenso rebanho de barro. Era uma das minhas músicas preferidas, e tem a imensa vantagem relativamente a outras de lembrar o que se comemora nestes dias: o nascimento de Jesus.
Um Feliz Natal para todos. Feliz, acima de tudo, nos nossos corações.
Um Feliz Natal para todos. Feliz, acima de tudo, nos nossos corações.
terça-feira, dezembro 11, 2007
Mais cenas da vida com um cão
Entramos em casa. Vejo, na cozinha, o caixote de lixo aberto. No chão, três manchas e uns restos de ossos. Sobre o tapete da sala, outros vestígios de que algo inusitado se passara. No cesto do (único) suspeito, a prova do crime: um belo osso de anca de perú. Perante a acusação, o culpado não tentou desculpar-se e recolheu ao cesto, cabisbaixo. Nós escondemos a vontade de rir até ele cumprir o castigo.
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