terça-feira, fevereiro 12, 2008

Não me apetece trabalhar. Tenho vontade de mergulhar num bom livro, de o levar para os bancos do jardim aqui ao lado, e aproveitar o sol que este estranho Inverno nos oferece.
Disse. Agora vou trabalhar.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

13 anos


Está do meu tamanho, ameaçando rapidamente ultrapassar-me. Calça o mesmo número que eu. Demora horas no banho e passa outras tantas diante do espelho. É um castigo fazê-la ir para a cama, outro para a arrancar dela a cada manhã (desde que não seja fim-de-semana: então é capaz de acordar alegremente às 8h). Deixou de brincar com bonecas, é fã do Dr. House e suspira pelo Johnny Depp. Dá respostas tortas e sabe ser terrivelmente sarcástica. Tem um espírito crítico desesperante e um sentido de humor imenso. É doce e meiga, e continua a ter os olhos e o sorriso mais lindos do mundo. Enche-me de orgulho com as notas que tem na escola. Vêm-me as lágrimas aos olhos quando a vejo dançar. É o meu amor maior que todos, presente no meu coração a cada segundo. Há 13 anos, tive-a pela primeira vez nos braços. Muitos parabéns, minha filha querida.

domingo, janeiro 27, 2008

Sobre o SNS (2)

Durante anos, foram várias as vezes em que tive de acompanhar às urgências ora a minha mãe, ora o meu pai, tanto no Centro Hospitalar de Coimbra como nos HUC. Em geral, iam lá com conhecimento do médico assistente deles; havia, portanto, um contacto, sabiam que iam encontrar uma cara amiga e conhecida que os acompanharia ou, pelo menos, os viria cumprimentar. Dado o estado de saúde de ambos, eu era autorizada a entrar com eles, para poder explicar o que se passava, pois eles não o podiam fazer. Por isso vi - e ficou gravado cá dentro, para sempre, tudo o que vi. Nos Covões, à época com urgências em péssimas instalações, tão deprimentes que fariam qualquer pessoa sentir-se pior. Nos HUC, espaços mais modernos, mas uma maior frieza humana. Macas pelos corredores fora. Velhinhos sem saberem onde estavam e sem ninguém que lhe desse uma palavra amiga. Auxiliares resmungões. Enfermeiros e médicos ocupados, sem tempo para darem atenção a quem, à espera, precisasse de ajuda. Horas passadas sem explicações. Horas de uma solidão agravada pelo medo da doença. Horas de dor que mandei para o fundo da minha memória, mas cuja recordação me ocorre agora, ao ver as notícias sobre o senhor que em Aveiro caiu da maca sem ninguém se aperceber, ou o outro que foi mandado nu para casa. Numa dessas minhas idas às urgências, uma velhinha completamente desorientada só não se atirou da maca abaixo porque a impedi de se levantar.
Faltam nos nossos hospitais, nas nossas urgências, calor humano e ternura.

sábado, janeiro 26, 2008

Sobre o SNS

Em tempo de contestação à política de saúde do governo, vou tentar deixar aqui o testemunho das minhas experiências no serviço nacional de saúde. São testemunhos de uma privilegiada, porque beneficiária de um subsistema de saúde que me permite fazer muitos exames comparticipados em serviços privados, e porque nunca recorri aos serviços dos médicos de família. E por aí posso começar - porque é que nunca fui à minha médica de família.
Pouco tempo depois de mudar de casa, há uns 15 anos, num mês de Agosto em que o meu médico (particular) habitual estava de férias, arranjei uma faringite. Era uma situação recorrente, e sabia que, pela forma como a coisa estava a avançar (com dores de garganta crescentes que já tinham chegado ao ponto de me impedir de engolir), teria de tomar um antibiótico. Como não quis automedicar-me, nem ir às urgências do hospital por não ser um caso muito grave, resolvi ir ao meu novo centro de saúde, inscrever-me nele e tentar arranjar uma consulta. Havia uma médica ainda com vagas que podia tornar-se a minha médica de família. Ela estava no centro, estava a acabar as consultas do dia, mas só me podia atender na semana seguinte. Note-se que eu só precisava de um médico que olhasse para a minha garganta e me receitasse o antibiótico necessário. Mas no meu centro não havia serviço de urgência, e a médica não tinha a obrigação de me atender, pelo que o não fez. Saí dali disposta a ir para o hospital; antes, porém, passei numa farmácia conhecida, olhando para a prateleira reconheci o nome do antibiótico que tinha já tomado para o mesmo mal uns meses antes, e a farmacêutica vendeu-mo, mesmo sem receita, depois de lhe ter contado o que se passara. A faringite passou. Eu não voltei a tentar marcar uma consulta com a minha médica de família e só fui ao centro de saúde por causa de vacinas.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Amor é...

... sentir-me em casa aconchegada nos braços de quem se sente em casa aconchegado nos meus.

(Respondendo ao desafio da Vague)

Para quebrar o silêncio

O Natal passou, o final do ano idem aspas, e o blog continua deixado ao abandono porque não há tempo para lhe dedicar. Muitos posts foram escritos mentalmente, mas não passaram da mente. Nas prendas de Natal não encontrei nenhum pacote cheio de tempo para blogar, e 2008 vai (já está a) ser um ano carregado de trabalho.

terça-feira, dezembro 25, 2007

Feliz Natal



A imagem é bastante má, a música faz-me regressar aos tempos de infância, quando ouvia esta e outras cantigas de Natal enquanto fazia o presépio e colocava, junto às palhinhas do Menino Jesus, os cordeiros mais pequeninos do imenso rebanho de barro. Era uma das minhas músicas preferidas, e tem a imensa vantagem relativamente a outras de lembrar o que se comemora nestes dias: o nascimento de Jesus.
Um Feliz Natal para todos. Feliz, acima de tudo, nos nossos corações.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Mais cenas da vida com um cão

Entramos em casa. Vejo, na cozinha, o caixote de lixo aberto. No chão, três manchas e uns restos de ossos. Sobre o tapete da sala, outros vestígios de que algo inusitado se passara. No cesto do (único) suspeito, a prova do crime: um belo osso de anca de perú. Perante a acusação, o culpado não tentou desculpar-se e recolheu ao cesto, cabisbaixo. Nós escondemos a vontade de rir até ele cumprir o castigo.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Pequeno desabafo

Gostava de não me sentir tão cansada. De me sentar diante do computador e ser capaz de trabalhar, como tanto preciso de fazer, em lugar de os olhos se recusarem a fixar-se no écran e pedirem descanso.

terça-feira, novembro 20, 2007

Para ti

Hoje queria um dia azul, livre, só para estar contigo. Não tenho o dia livre, não está um céu azul, não estou só contigo. Mas o dia é teu, na mesma. Como todos os meus dias passaram a ser teus, e os teus passaram a ser meus. Este em especial: muitos parabéns.

sexta-feira, novembro 16, 2007

quarta-feira, novembro 14, 2007

Justiça árabe

Ler esta notícia revoltou-me até às entranhas.
O caso pode-se resumir a isto: uma mulher saudita foi violada por um grupo de assaltantes que se aproximou do carro onde ela estava com um homem. A vítima foi condenada a 90 vergastadas por estar num carro sozinha com um homem com quem não era casada. Tendo apelado da sentença, viu-a agravada, acabando condenada a 6 meses de prisão e a 200 chicotadas.
Não, não me peçam respeito pela cultura, tradição e sei lá que mais de um povo que julga assim uma mulher.

segunda-feira, novembro 05, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

Blogs solidários


Quebro sempre correntes que me cheguem por mail, blog ou outra via. Refiro esta apenas para agradecer ao Cap a minha nomeação como blogger solidária. Mas, fiel à minha embirração por cadeias, não nomeio outros blogs - passo o testemunho remetendo para Mumemo, de novo (como mais alguém já fez, aliás; obrigada pela divulgação!). Mais informações que me chegaram entretanto dizem-me que a Irmã Susana integrou na creche muitas crianças novas que ainda não têm padrinhos, e precisam de apoio, pois são meninos órfãos ou cujas famílias vivem com imensas dificuldades.
Ser padrinho custa pouco. Bastam 130€ por ano (dedutíveis para efeitos de IRS) para garantir a comida e o vestuário de um menino de Mumemo, e até o seu alojamento se for necessário. Podem associar-se várias pessoas para apadrinhar uma mesma criança, dividindo-se assim a despesa. Veja como fazê-lo aqui.

domingo, outubro 21, 2007

Notícias de Mumemo

Nestes anos de blogosfera, houve muitos momentos fortes e tocantes. Um dos mais especiais foi um projecto de solidariedade, o Proximizade, que me deu a conhecer a Apoiar e Mumemo.
O Proximizade acabou, mas as necessidades de Mumemo não. Por isso, deixo aqui as notícias e as fotos que acabam de me chegar desse cantinho de Moçambique.



Foi em 2005 que tomei conhecimento desta instituição. Desde então, o centro infantil Madre Maria Clara aumentou o número de crianças que acolhe de 110 para 350, e, como as fotografias mostram, já não se vêem barrigas inchadas e olhos tristes, mas caras alegres e saudáveis de meninos bem alimentados. 200 deles frequentam as aulas na creche e os 150 mais velhos andam na escola primária do ensino oficial. A creche dá de comer a todos e conta agora com 12 educadoras, 1 senhora para limpeza, 1 cozinheira e 1 ajudante.
O dinheiro enviado pelos padrinhos cobre as despesas de alimentação, vestuário e fardas das crianças e o pagamento de ordenados do pessoal, dando também para sustentar o lar de órfãos recentemente inaugurado, onde já habitam 45 crianças.
Os links estão no post, sigam-nos e colaborem. Há crianças que agradecem.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Fourty something

Com os 40, as maleitas aparecem mesmo. Ele é o colesterol que nunca se tinha manifestado, as varizes que surgem que nem cogumelos depois da chuva, as noitadas que deixam sequelas, as digestões difíceis do que dantes nem se dava por se ter comido, as costas que doem, a coluna que entorta... Se calhar, é a maneira de o nosso corpo nos obrigar a dar-lhe atenção e a diminuir a quantidade de parvoeiras que exigimos dele anos a fio. Mas não tem piada, seja como for. Custa sentir que se está a deixar de ser jovem. (Assim, "está a deixar"; porque "deixou" faz sentir ainda pior; mesmo não tendo eu nem metade das mazelas acima indicadas).

quinta-feira, outubro 04, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

Duas notícias

Nos últimos dias, duas notícias chocaram-me especialmente. A total falta de tempo adiou a referência a elas; aqui ficam agora.

Uma, a de uma bomba que explodiu no exacto sítio onde estive menos de um mês antes, no Parque do Sultão, na capital das Maldivas, ferindo turistas que ali estavam como nós estivemos, felizes e despreocupados numas férias que prometiam ser paradisíacas - as nossas foram-no, as deles ficaram ensanguentadas por um atentado bombista. Um casal inglês em lua-de-mel ficou com queimaduras em grande parte do corpo. Podiamos ter sido nós.

A outra, a do que se passa na Birmânia. A força de um exército contra manifestantes pacíficos, a suspeita da morte de mais um milhar de pessoas, sobretudo monges. Mas a Birmânia fica longe, não está no centro das atenções, nem creio que tenha petróleo ou outros recursos que importem...